Desconstruindo o mito #1: Tenho que ser fiel ao sentimento

 

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Foto por Will O

 

Era uma manhã de domingo e a Escola Dominical* tinha acabado de terminar. Minha amiga Priscila e eu, como de costume, começamos a brincar de pega-pega pelos intermináveis corredores da nossa igreja. Inconvenientes que éramos, passávamos entre as rodinhas de conversa das pessoas, esbarrávamos nas senhorinhas que, degrau por degrau, desciam lentamente as escadas, voávamos pelas rampas de acesso às salas. E foi no meio dessa correria doida, que ouvi alguém me chamar:

– Luciana! Luciana! Você pode vir aqui um pouquinho?  – era uma amiga nossa. – Então, sabe o meu primo? O… (ela falou o nome dele)? Ele gosta de você e me pediu para vir te falar isso.

Esbaforida ainda pela corrida, arregalei os olhos de espanto.

Naquele instante, alguma coisa mudou em mim. O corre-corre da brincadeira pelos corredores da igreja cessou imediatamente. E não cessou só por aquele dia. Cessou para sempre. Foi a primeira vez que tomei consciência de que meus atributos femininos chamavam a atenção de alguém. E aquilo se tornou para mim motivo suficiente para abandonar a minha vida de criança e assumir outra postura. Daquele dia em diante, me tornei uma adolescente. Eu tinha 12 anos.

Hoje, olhando para trás, percebo como foi simbólica a forma como me tornei adolescente. Sem ter consciência do que aquilo significava, fui totalmente obediente a uma emoção, que nem minha era a princípio. Por meio do anúncio sobre o sentimento do tal primo, uma carência gritou dentro de mim: eu precisava ser amada. E, para ser amada, abandonar quem eu havia sido até então não parecia ser um preço alto demais.

Não demorou muito para o tal primo começar a namorar alguém. Quem condenaria um coração de menino adolescente, não é mesmo? Hoje gosta, amanhã não gosta mais e a vida segue. Porém, de uma forma sutil como uma cobra se armando para o bote, a mensagem transmitida naquela situação para mim era que, se o sentimento era assim rotativo, logo, as pessoas com quem nos relacionamos também o eram.

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O exemplo do que aconteceu comigo é apenas um entre dezenas que poderíamos caçar para compreender as mensagens que são passadas para nós sem percebermos e que vão nos doutrinando, nos ensinando a como nos posicionar na vida. Aqui, a mensagem foi: seja fiel aos seus sentimentos. E essa não foi uma mensagem transmitida exclusivamente por esse rapaz, obviamente. Mais tarde e por outros meios – como pelo seriado Dawson’s Creek, por exemplo – fui aprendendo que era normal você trocar uma pessoa por outra, sempre que não estivesse mais a fim. Com exceção das pessoas que se casavam, que eu entendia ser um compromisso maior, indissolúvel, você era livre para trocar de relacionamento quantas vezes julgasse necessário.

 

E qual é o problema do discurso “seja fiel aos seus sentimentos”?

Vários:

Primeiro, porque a gente desenvolve um padrão de se relacionar com as pessoas que se baseia nos valores de consumo. Este namorado não serve mais? Troco por outro. Claro que a gente não admite um pensamento assim. A gente tenta, dá voltas, procura não magoar, mas se formos bem honestas, é assim que acabamos agindo com algumas pessoas com quem nos relacionamos. E isso vai frontalmente contra o segundo mais importante mandamento da Bíblia: amar ao próximo como a nós mesmos. Com isso, não digo que devemos nos casar com alguém que não queremos mais, mas considerações como: será que devo mesmo me envolver com essa pessoa? Sinto uma atração enorme por ela, mas não sei se posso confiar em meus sentimentos. Quem sabe se eu conviver com ela um pouco mais sem me envolver, eu consiga sondar melhor o que sinto? podem evitar dores desnecessárias.  

Essas considerações são do tempo da minha avó? São. Mas o que vale aqui é o princípio que elas passam: me importar com o outro e não só comigo mesma. Ah, mas o cara também está a fim. Ele sabe os riscos. Que bom que ele sabe os riscos. Mas isso não muda o fato de que tratar outra pessoa como um objeto não é legal, mesmo que a pessoa consinta. Claro que nem tudo a gente prevê. Tem sentimentos que realmente parecem ser pra valer. Entretanto, a gente logo sabe quando uma relação é descartável, servindo só para encobrir uma carência.

O segundo problema é que você acaba não amadurecendo. Você se acostuma a não se aprofundar em relação nenhuma e aí não consegue ir além com ninguém. Quando me casei, isso se mostrou um grande problema. Como eu não tinha experiência de um longo relacionamento, os problemas que apareceram me deixaram muito confusa, a ponto de eu duvidar da validade daquele vínculo. Demorou para eu perceber que pessoas imperfeitas constroem relacionamentos imperfeitos e tudo bem. É nesse ambiente de cumplicidade, que podemos aprender a tirar as nossas máscaras sem sermos menos amadas por isso.

O terceiro problema diz respeito a Deus, caso você acredite Nele, ou à humanidade inteira, caso você não acredite Nele.

Aquelas que creem em Deus sabem que Ele criou nós todos segundo a Sua imagem. Além disso, cometeu o ato de amor mais arrebatador da História: ofereceu a sua vida para se relacionar conosco. Ou seja, Jesus deixou-se ser assassinado para ter um relacionamento com você e também com a pessoa com quem você se relaciona, mesmo que essa pessoa rejeite essa oferta. Isso mostra que essa pessoa tem tanto valor quanto você, logo, você não tem o direito de tratá-la como uma qualquer, mesmo que ela aja como uma qualquer. Ela não é – fato. Deus atribuiu a nós um valor infinito, ao escolher se entregar para morrer em nosso lugar. Nosso valor está nesse ato e todos nós somos Dele. Por esse viés, você sair se relacionando por aí como se não houvesse amanhã, sem se importar quem são essas pessoas, é tratá-las por muito menos do que elas valem. E claro, ninguém na rua vai ficar jogando isso na sua cara. A treta é entre você e Deus mesmo.

Àquelas que não veem a questão como risco de pecado, porque não acreditam em pecado, um recado de Jean-Paul Sartre:

 

[…] o homem é responsável por aquilo que ele é. […] E, quando nós dizemos que o homem é responsável por si mesmo, não queremos dizer que o homem é responsável por sua estrita individualidade, mas que ele é responsável por todos os homens. […] Quando afirmamos que o homem escolhe a si mesmo, entendemos que cada um de nós escolhe todos os homens. De fato, não há um só de nossos atos que, criando o homem que queremos ser, não crie ao mesmo tempo uma imagem do homem tal como estimamos que ele deva ser. Escolher ser isto ou aquilo é afirmar ao mesmo tempo o valor daquilo que nós escolhemos, pois não podemos nunca escolher o mal; aquilo que escolhemos é sempre o bem, e nada pode ser bom para nós sem sê-lo para todos (trecho de O Existencialismo é um Humanismo).

 

O que Sartre quer dizer com isso? Que, segundo a visão existencialista ateísta, se eu assumo a postura de obedecer aos meus sentimentos românticos, eu estou então transmitindo a mensagem de que todos os seres humanos da face da terra devem obedecer aos seus sentimentos românticos também, porque se isso é bom para mim, é bom para todos os demais seres humanos. Agora, se pensarmos nessa realidade realmente acontecendo por aí, o que vem à sua mente? À minha, vem o caos: pessoas ainda mais perdidas, feridas e fechadas em si mesmas, sem o menor senso de valor próprio.

 

 Quer dizer que eu tenho que ficar suportando um relacionamento ruim?

Depende do que queremos dizer com relacionamento ruim. É um relacionamento imaturo (o sentimento acabou) ou tóxico (a pessoa é abusiva)? Porque o que estamos falando aqui é de relações fluidas, que são trocadas por puro sentimento, não por razões mais profundas, como abuso físico ou psicológico.

Se você se vê numa relação em que você mesma não enxerga valor nela, certamente é hora de se perguntar o que te fez entrar nessa relação em primeiro lugar. Aliás, tudo é uma questão de nos perguntarmos, de questionarmos, de investigarmos nossas motivações. Porque o discurso está aí – tenho que ser fiel ao sentimento – e não há como fugir dele, a não ser implodindo seu poder de ação em nós.

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Romântica como sou, de tempos em tempos, enfrento a aridez para onde esse discurso de ser fiel aos sentimentos me transporta. É uma luta que começa na forma de uma ansiedade muito grande, que precisa ser obedecida com urgência. Se obedeço, como já aconteceu no passado, os resultados são sempre – sempre – dolorosos. Existe culpa, arrependimento, ressentimento, desilusão.  Se não obedeço, ela passa, mesmo que demore meses ou anos (dureza!). Às vezes vem como ondas, oscilam em intensidade, por isso esperar é fundamental. Esperar. Não só esperar no sentido de aguardar, mas aguardar em esperança.

Gosto do filme Closer – Perto demais. O elenco é incrível e o enredo bastante realista, pois transmite um quadro exato do que acontece quando obedecemos aos nossos sentimentos – no filme, mais colocado como desejo. Depois de viver um monte de experiências amorosas (que, no filme, acontecem entre pessoas lindas aliás, rs), você termina da mesma maneira como começou: vazio.

 


Nota:

*Escola Dominical – para que não está familiarizado com o termo, é assim que chamamos a escola de estudo da Bíblia, que acontece na igreja evangélica para todas as idades, geralmente, nas manhãs de domingo – por isso o “dominical”.

 


*Desconstruindo o romantismo é uma série que, por meio de reflexões sobre o discurso da cultura e a busca por uma formação fundamentada em valores do cristianismo, visa tratar a questão do romantismo doentio, que procura nos relacionamentos românticos o sentido da existência. Confira aqui e aqui os primeiros textos da série.

 


Luciana Mendes Kim sou eu. Mas, depois de um certo tempo, pode me chamar de Lu. Amo algumas pessoas bem conhecidas (a Clarice Lispector e o Wim Wenders, por exemplo ) e outras tantas do meu convívio. Amo também ler ficção, ver filme parado, dançar música eletrônica, tomar chá com amigos queridos e ir ao Sesc com marido e filho. Um dia, conheci a Carol e a Talita e, juntas, criamos o Santa Paciência.

Desconstruindo o romantismo: a origem do amor romântico

 

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Ofélia (1851-2), pintura de John Everett Millais

 

Escrever este texto é como estar em trabalho de parto: leva tempo e dói. Faço uma busca de artigos que existem sobre o tema e o que leio neles é como o resultado de um exame que entregam nas nossas mãos: positivovocê é realmente uma romântica. Mais difícil do que aceitar o diagnóstico, porém, é a pergunta que não descola da mente: mas como isso foi acontecer? Onde foi que eu perdi as rédeas do meu próprio coração?

Para tentar responder essas perguntas, fui em busca das origens do discurso do amor romântico e como ele foi incutido na cultura ocidental, de modo a nos laçar pelas entranhas identitárias. Em um dos sites pesquisados, encontrei eco para a minha angústia:

O condicionamento cultural é muito forte. Chegamos à idade adulta sem saber se nossos desejos são nossos ou se aprendemos a desejá-los.
(Regina Navarro Lins, escritora e psicanalista, neste artigo)

 

O nascimento do amor romântico

Um homem é apaixonado por certa mulher, que também é apaixonada por ele. O problema é que essa mulher vive num contexto em que o casamento é arranjado e ela é obrigada a se casar com outra pessoa. Com a impossibilidade de concretizar sua paixão, que é o que move sua existência, o homem apaixonado se suicida.

Não, esse resumo tosco que fiz aí em cima não é o enredo da próxima novela da Globo. Na verdade, vem de uma obra literária pioneira – Os sofrimentos do jovem Werther, do escritor alemão Goethe – no início de um movimento chamado Romantismo. Nesse movimento, que aconteceu a partir de meados do século 18 em diante, artistas visuais, escritores e músicos passaram a produzir obras saturadas de narrativas com teor romântico e erótico. Quem não se lembra de Quasímodo, o corcunda que se apaixona pela cigana Esmeralda, no livro Nossa Senhora de Paris, do francês Victor Hugo? Romantismo outra vez. Emma Bovary, burguesa que encontra nos casos extraconjugais o escape para sua frustração no casamento, também foi imaginada nessa mesma época, pelo francês Gustave Flaubert. Ao ser lançada, Madame Bovary virou febre na França.

Entretanto, engana-se quem acha que o amor romântico nasceu no Romantismo. Se assim fosse, como explicaríamos as redes de intrigas, em que os deuses do Olimpo se metiam, apenas para concretizar suas paixões com os mortais na rica mitologia grega?

Há quem diga também que até na Bíblia o amor romântico não existia, principalmente no casamento.  Esse argumento não encontra base, quando olhamos para a história de Jacó com Raquel (Gênesis 29) e de Elcana com Ana (1 Samuel 1), entre outras situações de romance.

Deus abençoou o matrimônio, entendido menos como um meio de procriação do que como uma associação afetuosa e estável do homem e da mulher.
(Comentário introdutório da Bíblia de Jerusalém ao livro Cântico dos Cânticos)

Dando uns bons saltos no tempo, alguns séculos antes do Romantismo, outros artistas fizeram do amor romântico o tema de suas obras. Luís Vaz de Camões, um dos principais poetas portugueses, nascido no século 16 (portanto, 200 anos antes do movimento oficialmente conhecido como romântico), foi o autor dos famosos versos:

Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

É um não querer mais que bem querer
É um andar solitário entre a gente
É nunca contentar-se de contente
É um cuidar que ganha em se perder

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É ter com quem nos mata, lealdade

Mas como causar pode em seu favor
Nos corações humanos amizade
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

E a gente achando que tinha sido o Renato Russo o autor dessa letra arrebatadora, né? Nada.

Shakespeare é outro, que viveu na mesma época de Camões, e escreveu nada menos do que as trágicas histórias de amor de Romeu e Julieta e de Desdêmona e seu ciumento marido Otelo.


Qual seria então o grande problema do Romantismo?

O grande problema do Romantismo não foi abordar o amor romântico que, como vimos brevemente, sempre existiu, mas sim difundi-lo como sendo o sentido último da existência. Foi a partir dos artistas românticos, exatamente na transição de uma visão teocêntrica da existência para uma visão antropocêntrica – o homem no centro –, que um novo deus foi coroado: o sentimento romântico. A paixão no relacionamento amoroso passou a ser a resposta para todas as angústias humanas.

O antropólogo norte-americano Ernest Becker (1924 – 1974), em sua obra A negação da morte, nos dá um quadro bem preciso do que estou dizendo:

Se ele [o homem] não mais tinha Deus, como ele faria? Uma das saídas que lhe ocorreram foi a “solução romântica”: ele depositou seu desejo por heroísmo cósmico sobre outra pessoa, na forma de objeto de amor. […] O parceiro romântico se torna um ideal divino, por meio de quem uma pessoa encontra completude. Todas as carências morais e espirituais agora passam a estar focadas em um indivíduo. A espiritualidade, que uma vez havia sido associada com outra dimensão das coisas, é agora trazida para a dimensão terrena e toma forma em um ser humano. A salvação não é mais associada a uma abstração, como Deus, mas é encontrada na “beatificação do outro” (tradução minha, feita a partir daqui).

Ainda seguindo o pensamento de Becker:

Quando procuramos o objeto humano “perfeito”, estamos procurando por alguém que nos permita expressar nossa vontade por completo, sem nenhuma frustração. Queremos um objeto que reflita a imagem ideal de nós mesmos. Mas nenhum objeto humano consegue fazer isso; humanos possuem suas próprias vontades e vacilações; eles podem ir contra nós de milhares de formas diferentes, e seus próprios desejos nos ofendem. […] Por mais que idealizemos e idolatremos alguém, ele inevitavelmente reflete a decadência e a imperfeição terrenas. E como ele é a nossa medida de valor, essa imperfeição recai sobre nós. Se seu parceiro é seu “tudo”, então qualquer limitação que vier dele se tornará uma grande ameaça para você (tradução minha, feita a partir daqui).

 

Que tapa na cara me deu esse Becker! Um tapa tão bem dado, que tem servido para me despertar do meu grande sonho romântico.

Ao ler esse texto dele, não pude evitar de pensar numa música que gosto bastante, cuja letra é um exemplo perfeito dessa visão divinizada do outro. Encerro o meu texto deixando com vocês essa música, para refletirem sobre ela e para se sentirem incomodadas mesmo. Afinal, é tocando o chão das nossas angústias, que nos sentiremos compelidas a encontrar a mola propulsora que nos trará de volta à superfície.

Semana que vem começaremos a demolição de tudo isso. Até!


Without You I’m Nothing
Placebo & David Bowie

Strange infatuation seems to grace the evening tide
Estranho fascínio que parece agraciar a maré noturna
I’ll take it by your side
Vou enfrentar isso ao seu lado
Such imagination seems to help the feeling slide
Tal imaginação parece ajudar o sentimento a deslizar
I’ll take it by your side
Vou enfrentar isso ao seu lado
Instant correlation sucks and breeds a pack of lies
Correlação instantânea é uma droga e gera uma pilha de mentiras
I’ll take it by your side
Vou enfrentar isso ao seu lado
Oversaturation curls the skin and tans the hide
Supersaturação enruga a pele e tinge o couro
I’ll take it by your side
Vou enfrentar isso ao seu lado

Tick tock
Tick tock
Tick tock
Tick tick
Tick
Tick
Tick tock

I’m unclean, a libertine
Eu sou sujo, um libertino
And every time you vent your spleen
E toda vez que você tem um acesso de raiva
I seem to lose the power of speech
Eu pareço perder o poder da palavra
You’re slipping slowly from my reach
Você está aos poucos deslizando do meu alcance
You grow me like an evergreen
Você me cultiva como uma planta perene
Y
ou’ve never seen the lonely me at all
Você nunca viu o meu lado solitário

I…
Eu…
Take the plan, spin it sideways
Pego o plano e o giro de lado

I…
Eu…
Fall
Caio

Without you I’m nothing
Sem você eu não sou nada
Without you I’m nothing
Sem você eu não sou nada
Without you I’m nothing
Sem você eu não sou nada
Without you I’m nothing at all
Sem você eu não sou absolutamente nada


*Desconstruindo o romantismo é uma série que, por meio de reflexões sobre o discurso da cultura e a busca por uma formação fundamentada em valores do cristianismo, visa tratar a questão do romantismo doentio, que procura nos relacionamentos românticos o sentido da existência. Confira aqui o primeiro texto da série.

 


Luciana Mendes Kim sou eu. Mas, depois de um certo tempo, pode me chamar de Lu. Amo algumas pessoas bem conhecidas (a Clarice Lispector e o Wim Wenders, por exemplo ) e outras tantas do meu convívio. Amo também ler ficção, ver filme parado, dançar música eletrônica, tomar chá com amigos queridos e ir ao Sesc com marido e filho. Um dia, conheci a Carol e a Talita e, juntas, criamos o Santa Paciência.

Desconstruindo o romantismo: a proposta

 

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Foto de Rakicevic Nenad

 

Há alguns anos, descobri em mim uma romântica crônica (esse assunto, aliás, já se desdobrou em alguns textos no blog, que você pode ler aqui, aqui e aqui). Ao descobrir e me definir como uma romântica nível hard, percebi também que ser romântica era menos romântico e fofinho do que parecia. Não era apenas uma questão de ficar ouvindo músicas melosas dos anos 80 o dia inteiro ou assistir Mensagem pra você uma vez a cada seis meses, mas era uma característica que influenciava diretamente as minhas decisões e a minha rotina diária. Ao me entregar aos devaneios românticos, eu me atrasava para atender as solicitações do meu filho pequeno, deixava o leite ferver até derramar e não ouvia o que meu marido estava tentando me contar. Ou seja, eu não estava presente na minha vida real.

 

Como acontece um devaneio romântico?

Não é muito diferente da sensação de se estar apaixonado. Você passa o dia inteiro pensando em alguém que você acha que também pensa em você, mesmo que isso não seja verdade e que você nem tenha muito contato com a outra pessoa. Para um romântico, enquanto houver indícios – mesmo que forjados, mas que na cabeça dele são totalmente reais –, de que ele é correspondido, ele não desiste de pensar nessa pessoa. E você pode ter certeza: o romântico vai ver coisa onde não existe (e onde existe também). Partir para a concretização de seus devaneios é o maior desejo de um romântico, ao mesmo tempo que essa concretização pode representar o fim do principal alimento de seu vício: a idealização.

A partir do momento em que a paixão é vivenciada no plano da realidade, ela não dá conta de cobrir as frustrações e as decepções naturais de um relacionamento entre duas pessoas imperfeitas. Para fugir dessa constatação, que é muito dura para o romântico, ele tende a escapar por meio de novos devaneios. E, assim, o ciclo idealização-concretização-frustração recomeça. Nem sempre, porém, há a fase da concretização. Quando ela não acontece, o romântico pode passar anos a fio idealizando uma mesma pessoa.

Eu poderia contar aqui algumas histórias que já desencadearam pensamentos românticos em mim, entretanto, para uma viciada ou viciado em idealizações, a pessoa que idealizamos não é a questão mais séria. O que o romântico gosta mesmo é de estar apaixonado, da sensação de novidade e de fuga que a paixão proporciona, por isso, é comum alguns românticos experimentarem certa rotatividade nas pessoas as quais ele idealiza. Só que o romântico, quando imerso em uma “crise romântica”, não tem uma consciência clara disso. Ele acredita piamente em seus sentimentos pela pessoa da vez e, a partir daí, deixa-se envolver em um regime de escravidão emocional: passa a escutar sempre as mesmas músicas, com letras que estimulam o romance; fecha-se em seu mundo e não quer contato com outras pessoas que possam tirá-lo de seus pensamentos; entra nas redes sociais onde possa encontrar a pessoa por quem está encantado e seguir tudo o que ela faz e daí por diante.

 

 Mas e aí, o romantismo exagerado tem cura?

Essa pergunta tem me perseguido pelos últimos anos. Eu acredito firmemente que sim, senão eu não estaria buscando essa cura com tanto afinco por tanto tempo.

O primeiro passo para encontrá-la, segundo o que tenho vivido, é admitir que ser romântico tem um limite. Uma coisa é você expressar seus sentimentos a alguém que te interessa ou com quem você se relaciona com atenção, afeto e presentes. Outra coisa é você buscar isso desenfreadamente, não importa se você já tenha um compromisso com outra pessoa ou não. E isso se mostra naturalmente, porque com os anos, você percebe um padrão no seu próprio comportamento. Quando eu era solteira, por exemplo, o que geralmente me alertava para o romantismo doentio era o fato de eu não conseguir namorar alguém por muito tempo, porque o “amor” simplesmente acabava (geralmente, o namoro durava alguns meses só). Aí eu rompia aquele relacionamento e procurava por outro que me preenchesse com mais romance. Se eu já estivesse envolvida com alguém, o que me fazia me apaixonar por outra pessoa (pois é, você leu certo: duas pessoas ao mesmo tempo – uma real e a outra, ideal) era reconhecer características nela que eu admirava e desconfiar que a pessoa me admirava de volta. Pronto! Só isso já rendia muito pano para manga nas histórias tecidas em meus pensamentos.

O segundo passo que dei, visando a cura, foi a psicoterapia. Algumas psicoterapeutas me ajudaram mais, enquanto outras me ajudaram nada ou bem pouco. A primeira delas, que me diagnosticou como romântica exagerada, fez isso com um largo sorriso no rosto e me tratou como se eu fosse uma adolescente ingênua, que só precisava amadurecer (e olha que nem adolescente eu era mais!). De fato, amadurecer é uma palavra-chave no processo de cura, mas enquanto o amadurecimento não se completa, como a gente vive? Não se pode, de forma nenhuma, subestimar o potencial destrutivo de um romantismo doentio – mesmo que quem o esteja vivendo seja “apenas” uma adolescente. Já com outra psicoterapeuta, me senti muito amparada. Aos poucos, ela me levou a acreditar que eu era muito mais capaz de buscar a cura do que pensava ser.

Finalmente, recorri também a Deus. A princípio, minhas orações consistiam num eterno pedido de perdão. Humilhar-se diante de Deus e reconhecer-se incapaz de mudar uma situação contando apenas consigo mesma é uma ampla porta que se abre diante de nós. O que eu não sabia, porém, é que essa porta me levaria a inúmeras outras, que precisariam ser abertas uma por uma, em seu devido tempo.

 

Anos depois…

Hoje, além da leitura da Bíblia e da oração, a minha busca pelo Deus da cura tem sido ampliada em várias frentes, por meio das pregações que ouço, dos vídeos que assisto e dos textos que leio. Há algum tempo, adquiri um livro que tem me ajudado de uma forma inédita. O nome dele é Você é aquilo que ama, de James K. A. Smith, editora Vida Nova. Nem preciso dizer que eu o escolhi por causa do título, né? Comprei-o na sede por uma resposta para a minha grande questão na vida.

 

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Para a minha felicidade, esse livro tem sido um meio de Deus falar muito comigo. O autor aborda uma visão que eu sempre desconfiei de leve, mas a qual nunca tinha encarado a fundo: a cultura em que estamos inseridos é determinante na definição de nossas paixões. O que ele quer dizer com isso? Que o mundo que nos cerca – aproveitando-se de nosso vazio decorrente da Queda (claro que eles não se apoiam nessa explicação) – define para nós, sem percebermos, quais serão as nossas carências e os nossos desejos.

Para ilustrar sua teoria, o autor do livro usa o exemplo de um shopping center e estuda toda a mensagem implícita nele e como ela forma uma pessoa para uma mentalidade consumista, em que o ter é a chave para ser feliz. Ainda assim, o princípio que o livro traz pode ser aplicado a qualquer valor arraigado na gente e que represente mais um câncer na nossa vida do que uma coisa boa.

O que o livro propõe é uma forma radical de mudança, que consiste basicamente no seguinte: se a cultura – por meio de todo o imaginário social, traduzido em filmes, músicas, propagandas, novelas, jornais, internet e onde mais couber discurso – foi quem formou as suas paixões, desejos e carências, logo, é preciso EXPLODI-LA em você, para que no lugar você construa um discurso radicalmente diferente, que leve você a amar o que te proporciona vida e não o que te priva dela. Uma proposta maluca e incrível.

 

Desconstruindo o romantismo – a série

Como eu sempre tive uma queda pelo subversivo e pela contracultura, já me voluntariei na hora para colocar em prática a proposta do livro Você é aquilo que ama: desconstruir o discurso que me leva a acreditar na idealização romântica como um modo autêntico de ser no mundo. A ideia é encontrar todas as falhas desse discurso, a ponto de reduzi-lo a pó. Só assim estarei pronta para um processo de reconstrução, em que a minha identidade genuína seja (re)descoberta.

Foi a partir desse desafio que veio a ideia de fazer a série Desconstruindo o romantismo aqui no blog: listei alguns pontos que a cultura impregna na nossa mente desde a infância sobre relacionamentos românticos e, ao longo dos textos da série, vamos desconstruindo cada ponto desse discurso.

No final de todos esses textos, percorreremos o caminho contrário: a construção de um novo hábito, um novo jeito de ser no mundo, que substitua o velho e escravizante discurso incutido pela cultura, por meio de um discurso mais antigo e digno de muito mais confiança.

A proposta é ousada, eu sei, mas mesmo que toda a transformação não se complete dentro dos âmbitos limitados das postagens (e não irá se completar mesmo, porque estamos falando de todo um redirecionamento daquilo que nos move na vida), o mínimo que pode acontecer nessa iniciativa é descobrirmos que, dentro da porta da desconstrução e reconstrução, há ainda outras portas, para as quais Deus nos encaminhará no tempo certo, a fim de encontrarmos a cura que tanto temos buscado. Só por esse motivo, a série já terá cumprido o seu objetivo.

Os textos serão postados uma vez por semana.

Vamos juntas?

 

Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.

Filipenses 1.6

 


*Desconstruindo o romantismo é uma série que, por meio de reflexões sobre o discurso da cultura e a busca por uma formação fundamentada em valores do cristianismo, visa tratar a questão do romantismo doentio, que procura nos relacionamentos românticos o sentido da existência.

 


Luciana Mendes Kim sou eu. Mas, depois de um certo tempo, pode me chamar de Lu. Amo algumas pessoas bem conhecidas (a Clarice Lispector e o Wim Wenders, por exemplo ) e outras tantas do meu convívio. Amo também ler ficção, ver filme parado, dançar música eletrônica, tomar chá com amigos queridos e ir ao Sesc com marido e filho. Um dia, conheci a Carol e a Talita e, juntas, criamos o Santa Paciência.

Mulheres Inspiradoras: Henriqueta Rosa Fernandes Braga – Mar/2018

Formada em piano, composição e regência pelo Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, Henriqueta obteve os títulos de professora, maestrina e doutora em música, tendo sido a primeira pessoa a receber um diploma universitário de Música conferido no Brasil. 1

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Nascida em 12 de março de 1909, na cidade do Rio de Janeiro, Henriqueta Rosa de Fernandes Braga é uma daquelas mulheres que eu gostaria de ter conhecido pessoalmente. Como será que suas ideias floresciam? Como conseguia dar conta de tanta criatividade que pulsava dentro de si? Obviamente a música foi a maneira como Deus concedeu a ela vasão para essa criatividade contagiante, mas fico pensando que além de seu legado musical sua vida deve ter sido repleta de nuances e, usando de licença poética, fico imaginando como sua vida deve ter sido usada por Deus de maneira ímpar nas sutilezas da existência, nas conversas de corredor, nas orações partilhadas ou na mesa compartilhada.

Sua família era extremamente ativa na Igreja Evangélica Fluminense – igreja que foi fundada pelo médico missionário Robert Reid Kalley e sua esposa musicista missionária Sarah Poulton Kalley sendo a primeira congregação protestante no Brasil a cultuar os cultos em português.

A música no lar exerceu uma grande influência em sua vida. Era muito comum sentar, com os seus irmãos, ao redor do piano para ouvir a mãe tocar as Sonatas de Mozart, ou mesmo escutar as gravações (inclusive de música sacra) que constituíam, desde cedo, a organizada e escolhida discoteca da família. Seus pais, cultos e estudiosos, acompanhavam sempre, com desvelo, os seus estudos, capacitando-os para uma melhor técnica de aprendizagem e desenvolvimento. À noite, em seu lar, podia-se ver, curvados sobre os livros, pai, mãe e filhos, num admirável exemplo de diligência intelectual. Talvez, mais importante que tudo, fosse o culto doméstico que coroava o dia de trabalho e no qual eram apresentados ao Pai Celeste os agradecimentos pelos benefícios recebidos, e expostas as dificuldades, implorando a sua constante direção para a vida de cada um. E, em paz e tranquilidade, despedia-se a família para o repouso noturno. 2Henriqueta ficou conhecida por seu pioneirismo. Foi precursora na participação musical de programas de rádios evangélicos, na gravação de hinos sacros, na pesquisa da música sacra no Brasil, dentre tantas outras atividades.

Aposentou-se em 1979, mas continuou ativa fazendo palestras e pesquisas sobre música. Faleceu em 21 de junho de 1983, aos 74 anos e deixou 4 obras por acabar: Corais de J. S. Bach, Cancioneiro folclórico infantil brasileiro, História da música e Manual para Salmos e Hinos.

Hoje, comemoramos o Dia Internacional da Mulher e poder escrever sobre mulheres tão inspiradoras me traz renovo, ânimo mas sobretudo alegria. Como houveram mulheres fantásticas! Muitas sequer foram mencionadas nos livros de história.

Porém, reconhecer que há mulheres contemporâneas a mim e a você igualmente inspiradoras é tão fantástico quanto! Que dedicam a vida ao outro – escolhendo a melhor parte. Que se inclinam a Deus com reverência e certas que serão ouvidas e atendidas, não por serem quem são, mas por crerem em um Deus misericordioso e amoroso. Mulheres que levantam de madrugada para trabalhar e que atravessam a cidade para cuidar de um lar que não é o seu, mas o tratam como assim o fossem. Mulheres que são amigas, confidentes leais e que cedem seu ombro para que choremos nossas dores. Mulheres que são mães de primeira viagem e que aprendem as dores e as alegrias que a maternidade traz. Mulheres que são excelentes profissionais e ofertam o melhor de si em prol de um mundo melhor. Mulheres que transitam em nossas vidas com fluidez e leveza e que nos ensinam a enxergar o melhor de nós e a extrair o melhor do outro.

Mulheres mães. Mulheres filhas. Mulheres esposas. Mulheres irmãs. Mulheres amigas. Mulheres sobrinhas. Mulheres cunhadas. Mulheres tias. Mulheres primas. Mulheres… A todas vocês o nosso:

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

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NOTAS:
1Trecho retirado do livro Vozes Femininas no Início do Protestantismo Brasileiro – Escravidão, Império, Religião e Papel Feminino de Rute Salviano de Almeida, página 435
2Trecho retirado do site Hinologia e que se encontra neste link: http://www.hinologia.org/henriqueta-rosa-fernandes-braga/

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A Série Mulheres Inspiradoras tem como objetivo celebrar a história de mulheres cristãs que imprimiram sua marca no mundo através da arte, música, literatura, justiça social, teologia, ciências e/ou outras esferas que compreendem o nosso bem viver. Para nos inspirar e impulsionar a deixarmos também o nosso legado no mundo, devolvendo ao Criador o que Ele nos confiou.


Sou Carolina Selles apaixonada por cores, histórias e sabores. Sou designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Mulheres Inspiradoras: Rosa Parks – Fev/2018

Nascida em 04 de fevereiro de 1913 no estado do Alabama, na cidade de Tuskgee. Rosa Louise McCauley, mais conhecida como Rosa Parks entrou para a história por se recusar a ceder seu lugar à um homem branco em um ônibus público. Foi presa e com sua atitude marcou o início da luta antissegregacionista nos Estados Unidos.

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Segundo o calendário da ONU, desde 2007, há um dia especial para a reflexão e fomento da justiça social. Todo dia 20 de fevereiro é comemorado o Dia Mundial da Justiça Social.

A adoção desta data em um calendário, ao meu ver, é de suma importância pois traz visibilidade a uma questão que está longe de ser erradicada. Sei da complexidade que esse termo traz, é amplo demais e envolve diversas esferas de uma sociedade. Mas quando penso nesse tema sob a ótica cristã – uma vez que não consigo desassociar Cristo como exemplo perfeito a ser seguido por mim em tudo o que faço e penso – na verdade me sinto é encorajada a lutar e buscar soluções para uma questão complexa como esta.

Mas me entenda, eu não estou falando que creio em uma redenção utópica através dos meus braços e serviços, pois sei que Cristo é o único que pode intervir efetivamente em toda a história, incluindo a minha e a sua, mas a Bíblia toda está recheada de versículos e histórias de pessoas comuns que clamaram, mas trabalharam para que o Reino de Deus pudesse começar a ser experimentado no hoje, no aqui e agora, mesmo que em doses aparentemente “homeopáticas”.

E é exatamente assim que eu vejo a vida de Rosa Parks. Uma mulher comum, que tinha a costura como profissão, mas resolveu não se calar enquanto sofria na pele o preconceito escancarado de brancos versus negros em seu país.

Ao anoitecer do dia 1 de dezembro de 1955, Parks entrou em um ônibus na avenida Cleveland, no centro da cidade de Montgomery. Ela pagou a passagem e se sentou na primeira fileira de assentos reservados para negros no veículo.

O motorista, James F. Blake, seguiu viagem em sua rota tradicional. O ônibus ia enchendo até que na terceira parada, em frente ao teatro Empire, vários passageiros entraram. Blake notou que umas duas ou três pessoas brancas estavam em pé. Para resolver o problema ele mudou o sinal de “colored” (“pessoa de cor”, termo usado nos Estados Unidos para se referir a afro-americanos) para atrás da fileira onde Parks estava. Ele exigiu que os passageiros negros sentados levantassem para que os brancos pudessem sentar. Enquanto os outros três negros levantaram, Rosa se recusou.

Anos depois, em uma entrevista, ela recordou: “meu corpo foi tomado por uma determinação, como uma colcha numa noite de frio”.  Parks se moveu, mas para o assento da janela. Blake, o motorista, perguntou para ela: “Por que você não se levanta?” Ela respondeu que “Eu não deveria ter que me levantar”. O homem chamou então a polícia e mandou prender Rosa Parks.

Quando o policial chegou ela perguntou “Por que vocês mexem com a gente assim?” Ele respondeu: “Eu não sei, mas lei é lei e você está presa”.  Parks foi acusada de violar o capítulo 6, seção 11 da lei de segregação do código da cidade de Montgomery, apesar dela tecnicamente não ter sentado em um assento reservado para brancos. Edgar Nixon, presidente da sede local do NAACP, e seu amigo Clifford Durr pagaram a fiança de Parks e ela deixou a cadeia no dia seguinte.1

Posterior a prisão de Parks alguns ativistas dos direitos civis convocaram e organizaram o boicote aos ônibus de Montgomery e a luta pelos direitos iguais foi ganhando mais força. Martin Luther King, Jr. mantinha contato com Rosa e estiveram juntos em diversas iniciativas e marchas pela igualdade.

A decisão que ela tomou, em se posicionar a favor da justiça social, custou muito caro a Rosa. Sua vida não foi nada fácil depois disso! Enfrentou dificuldades para conseguir emprego após o ocorrido e precisou se mudar algumas vezes, pois também sofria diversas ameaças de morte por parte de grupos extremistas que defendiam a supremacia branca.

Em 1992 publicou sua autobiografia, Rosa Parks: My Story (infelizmente sem publicação no Brasil)E em 2002 é despejada porque possuía dívidas que não podia honrar. Porém, obtém ajuda de uma igreja batista que, através de uma comoção nacional, contribuiu para que o banco concedesse a ela viver gratuitamente em sua casa.

Rosa Parks faleceu em casa, em Detroit, no dia 24 de outubro de 2005, de causas naturais aos 92 anos. Seu caixão foi velado com honras da Guarda Nacional do estado de Michigan. E autoridades e lideranças dos movimentos civis compareceram ao seu funeral.

Ser cristão é militar todos os dias contra a maldade, disse o deputado estadual e pastor Carlos Bezerra Jr no workshop Política e Direito – no final do ano passado em uma igreja no centro de São Paulo, do qual eu pude participar.

É isso! Somos militantes da causa de Deus que já foi vencida, mas ainda está em curso. E é concedida à nós – no agora – nossa co-participação com Ele na História e consequentemente em nossa própria história. Por isso, ser cristã(o) e militar todos os dias contra a maldade é privilégio para pessoas tão comuns como eu e você.

Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela
Jeremias 29.7

 

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NOTAS:
1Trecho retirado do Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Rosa_Parks

 

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A Série Mulheres Inspiradoras tem como objetivo celebrar a história de mulheres cristãs que imprimiram sua marca no mundo através da arte, música, literatura, justiça social, teologia, ciências e/ou outras esferas que compreendem o nosso bem viver. Para nos inspirar e impulsionar a deixarmos também o nosso legado no mundo, devolvendo ao Criador o que Ele nos confiou.

 


Sou Carolina Selles apaixonada por cores, histórias e sabores. Sou designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Por que voltei a tingir meus cabelos brancos

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Sete meses sem tingir os cabelos

 

Esta semana vou voltar a tingir o meu cabelo. Depois de sete meses deixando os fios brancos nascerem e aparecerem, desisti de continuar a ver minha cabeça embranquecer aos poucos. Quando comuniquei minha decisão para o meu marido, ele perguntou: e o que você vai dizer para as leitoras e os leitores da série ‘Fio de Prata’ do blog? Respondi que eu diria a verdade:

  1. Vou tingir os cabelos, porque a transição de um cabelo com cor para um cabelo branco tem implicações dolorosas de encarar

Isso é fato. Ocupo-me mais pensando na minha vida avançando no tempo quando vejo o branco dos meus fios do que quando eles estão disfarçados na tintura. Penso, me comparo com pessoas mais novas do que eu, lembro-me da morte. Não acho que temos que nos sentir lindas, jovens, cheirosas e felizes o tempo todo – mas me sentir sempre rumo ao envelhecimento também não tem me feito bem.

  1. Vou tingir os cabelos, porque necessito da aprovação de outras pessoas

Não posso negar que um dos fatores, que me deram força para não tingir o cabelo branco nesse tempo, é que deixá-los ao natural tem se tornado uma tendência cada vez mais forte entre as mulheres. Olha só o que eu disse: tendência. Eita palavrinha tentadora! Quando um comportamento vira tendência, nos sentimos mais confortáveis para adotá-lo, não? Afinal, ele denota mais aceitação entre um maior número de pessoas agora do que antes. Assim, ao olhar para dentro de mim e perceber que ainda busco aceitação e aprovação, perguntei a mim mesma: por que eu deveria continuar a agir como se não precisasse dessas coisas? Afinal, a mensagem que eu buscava passar para os outros ao deixar de tingir os meus fios brancos é que eu não precisava agradar ninguém mais, além de mim mesma. O triste é que nem a mim mesma eu estava agradando.

  1. Vou tingir os cabelos, porque minha atitude está envelhecendo

Muita gente com cabelos brancos por aí é super bem resolvida, jovem, moderna, linda. Nunca me esqueço da inveja que senti de uma mulher no cinema, com seus 45 anos mais ou menos, cheia de presença e cabelos brancos assumidíssimos. E uma asiática então, em quem fiquei reparando uma vez num café coreano? Ela tinha cabelos bem longos, lisos e cinzentos. Parecia um ser élfico vindo direto dos livros do Tolkien. Exótica e deslumbrante.

Para mim, porém, os cabelos brancos têm exercido um efeito contrário: em vez de me empoderarem (detesto esta palavra, mas não achei outra melhor), me atrofiaram. Vi que comecei a me esconder das pessoas, a evitar lugares em que temos que nos arrumar muito, a evitar aparecer para conhecidos que não encontro há muito tempo. Minha autoconfiança foi sendo minada e eu, que já moro no meio do mato, fui me isolando cada vez mais, com vergonha de assumir que minha juventude está indo embora. Fui desenvolvendo uma “atitude envelhecida”, que vai muito além de um simples punhado de cabelos brancos na cabeça, é verdade, mas que acabou sendo desencadeada por eles.

….

Ao mesmo tempo que pondero sobre tudo isso, preciso admitir quão profundo fui nas reflexões que fiz durante esses meses, em que deixei meus cabelos brancos aparecerem. Uma das conclusões a que cheguei é quão falho, superficial e ridículo é o estereótipo de beleza que nos move. Pior ainda é me ver tão presa a ele. Aí, então, vejo Deus, escolhendo aqueles que escapam totalmente aos estereótipos de beleza das épocas e os honrando lindamente (sendo Davi o mais famoso exemplo, resumido no livro bíblico de 1 Samuel, capítulo 16, verso 7) e me encanto.

Se quero me libertar dos estereótipos um dia? Quero muito! Contanto que isso não signifique autotortura. Não quero forçar uma situação, um estado de espírito, um desprendimento, só porque pareço cool assim. É hipocrisia. Tenho estado aberta para Deus trabalhar em mim a aceitação da passagem dos anos e da juventude, mas que Ele faça isso à maneira Dele, à medida em que vai me mostrando o Ser fascinante que é. Que nesse caminho para o envelhecimento, Deus me dê a mão Dele e, gentil como só Ele sabe ser, vá me conduzindo com Seu carinho e tranquilidade.

 


Luciana Mendes Kim sou eu. Mas, depois de um certo tempo, pode me chamar de Lu. Amo algumas pessoas bem conhecidas (a Clarice Lispector e o Wim Wenders, por exemplo ) e outras tantas do meu convívio. Amo também ler ficção, ver filme parado, dançar música eletrônica, tomar chá com amigos queridos e ir ao Sesc com marido e filho. Um dia, conheci a Carol e a Talita e, juntas, criamos o Santa Paciência.

RE-PENSE: A maneira como você descarta seu lixo também faz parte de uma espiritualidade saudável

Como podemos repensar nossos hábitos diários (de consumo e de descarte), transformando-os mais sustentáveis?

Dentre as metas que idealizei para 2018 (e para a vida!) eu decidi reduzir ainda mais meu lixo.

Me considero uma pessoa com certa consciência ecológica e, na medida do po$$ível, opto por produtos biodegradáveis e feitos de maneira sustentável. Mas, a partir desse ano quero repensar ainda mais meu consumo e principalmente como farei meu descarte. Quero tentar ir além da separação do que eu julgo ser “reciclável” para tentar reaproveitar esses itens ou descarta-los de um jeito que cause menos impacto para o nosso meio ambiente.

– Em 1950, 2 milhões de toneladas de plástico foram produzidas no mundo.

– Em 2017, 400 milhões de toneladas foram produzidas, uma taxa de crescimento composto de 8%.

– 40% disso é embalagem.

– Desde a década de 1950 produziram 8,3 bilhões de toneladas de plástico.

– Apenas 9% de plásticos são reciclados globalmente.

– Todo segundo, 20 mil garrafas de bebidas de plástico são vendidas em todo o mundo. São 7 milhões no momento em que você terminou de ler este artigo.

– Um estudo estima que até 2050 haverá mais plástico do que peixe nos oceanos do mundo.1

Lendo mais sobre o tema, descobri que alguns itens básicos que eu julgava serem possíveis de reciclar são, na verdade, um grande pepino na mão das cooperativas recicladoras. E mesmo que sejam destinados a elas, esses produtos são levados posteriormente para um aterro comum, ficando por lá durante várias e várias gerações, pois têm um alto custo devido sua complexidade para reciclar.

Um desses itens que eu julgava ser facilmente reciclável – #sqn – é a clássica esponja de lavar louça. Confesso que fiquei chocada quando eu descobri e esse foi um dos gatilhos que me deu coragem para aderir um estilo de vida mais intencional: tentar viver mais próximo do conceito Sem Desperdício2, a partir desse ano.

Mesmo sendo feitas de plástico, a reciclagem das esponjas de cozinha é extremamente rara porque os plásticos usados na sua produção contém especificidades que dificultam muito a reciclagem. Além disso, ao ser usada na limpeza, ela se torna um “porta-bactérias”, o que também impossibilita o processo. Esse é um ponto importante: por conterem muitas bactérias, a vida útil dessas esponjas é reduzida e se você comprou, é recomendável não utilizá-la por mais de 7 dias.3

Ok, mas e a louça como vai ficar???

Lendo por aí, vi que muita gente adere a bucha vegetal para também lavar a louça, além de usa-la para tomar banho. Por que eu nunca tinha pensado nisso antes?! Eu a uso há tantos e tantos anos para tomar banho!!! Sério, eu realmente fiquei muito chateada por saber que um item tão corriqueiro e tão popular em nossas casas sequer é mencionado como um item dificílimo de ser reciclável, levando a gente a consumi-lo sem culpa e sem pensar melhor no descarte posterior. :-(

Então, aproveitando meu estilo de vida mais intencional esse ano, quero também produzir, eu mesma, alguns produtos de limpeza da casa, além de cosméticos para meu uso. Então, anota aí uma receita de detergente para você ter uma pia mais natural esse ano. É muito fácil! Leva apenas alguns minutinhos e poucos ingredientes para ficar pronto.

DETERGENTE NATURAL4

Ingredientes:

  • 200g de sabão de coco (verifique no rótulo a composição do sabão, deve conter somente sabão de coco, ou similar)
  • 50ml de álcool
  • 3 colheres de sopa de bicarbonato de sódio
  • 3L de água
  • 10ml de óleo essencial (por ex: de limão ou usar as raspas da casca do próprio limão)

      

Modo de Preparo:
Ferva a água. Pique o sabão de coco. Adicione o sabão à água fervendo e mexa até que eles se dissolvam. Precisa dissolver bem! Adicione o álcool, o bicarbonato e o óleo (ou raspas do limão). Mexa durante 5 minutos e deixe descansar por 1 hora, aproximadamente. Coloque em um recipiente limpo e ele está prontíssimo para o uso!

     

*Depois de esfriar, o sabão pode se solidificar um pouco. Por isso é importante dissolver bem. Mas caso isso aconteça, misture antes de usar e o que sobrar na embalagem pode ser reutilizado.

Atenção!
Fique esperta(o) ao comprar seu sabão de coco. Crie o hábito de sempre ler os rótulos das composições dos produtos e escolha aquela que declare coco, óleo de coco, podendo também ser/ter óleo de babaçu em sua composição. Pois muitas marcas acrescentam sebo animal juntamente com uma essência de coco na composição e sequer mencionam de forma explícita que utilizam tal ingrediente enganando a nós consumidores.

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RE-PENSE é uma série que, através da reflexão dos nossos hábitos cotidianos, busca fomentar uma mudança equilibrada de maus hábitos para uma vida mais harmônica. Com menos consumo e menos desperdício para uma vida mais criativa e mais humanizada. Para que assim, estejamos o mais próximo possível, de um ideal ecológico saudável – confiado à nós, por Deus, desde o princípio da Criação.

Deus disse: “Façamos os seres humanos à nossa imagem,
de forma que reflitam a nossa natureza
Para que sejam responsáveis pelos peixes do mar,
pelos pássaros no ar, pelo gado
E, claro, por toda a terra,
por todo animal que se move na terra”.
E Deus criou os seres humanos;
criou-os à semelhança de Deus,
Refletindo a natureza de Deus.
Ele os criou macho e fêmea,
E, então, os abençoou:
“Cresçam! Reproduzam-se! Encham a terra! Assumam o comando!
Sejam responsáveis pelos peixes no mar e pelos pássaros no ar,
por todo ser vivo que se move sobre a terra”. 

Depois, Deus disse: “Dei a vocês
todo tipo de planta com semente sobre a terra
E todo tipo de árvore frutífera;
É para que se alimentem deles.
Para todos os animais e pássaros,
tudo que se move sobre a terra e respira,
Dou tudo que cresce na terra por alimento”.
E assim se fez. 

Deus olhou para todas as coisas que havia feito;
tudo era tão bom; tudo era ótimo!
Foi-se a tarde, foi-se a manhã –
Sexto dia.

[Gênesis 1.26–31 – Versão A Mensagem]

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NOTAS:

1Dados retirados do blog do Selo EU RECICLO: http://blog.eureciclo.com.br/2017/09/sustentabilidade-no-nepal/

2Sem Desperdício é um conceito que se popularizou há anos atrás e em inglês é conhecido como Zero Waste. Ele propõe o mínimo de desperdício possível em tudo que compreende nossas vidas: alimentação, vestuário, higienização, etc.

3Frase retirada do blog do Selo EU RECICLO: http://blog.eureciclo.com.br/2017/08/quartasemescandalo-esponjas-de-cozinha/#more-507

4Receita retirada do blog da marca FLAVIA ARANHA: http://flaviaaranha.com/new-blog/2016/8/12/faa-sozinha-detergente-natural

 


Sou Carolina Selles apaixonada por cores, histórias e sabores. Sou designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Casa nova e alma nova

Acabo de me mudar de casa. Esta é a primeira das três mudanças previstas para nós em 2018 (um dia explico melhor essa história). Numa conversa que tive com a Carol Selles sobre isso, ela desabafou: detesto me mudar. Tive que concordar com ela, também detesto, mas talvez a gente não goste de se mudar porque acumulamos coisas demais, que depois nos dão um trabalhão para serem empacotadas e transportadas para o novo lugar. Se tudo o que temos coubesse numa modesta malinha, nosso desânimo para mudanças talvez não fosse tão grande.

No nosso caso, o meu desânimo não vem apenas da ideia de transferir um monte de coisas de um endereço para outro. Tudo aquilo que acumulamos ao longo do tempo e que não serve mais não vai simplesmente para o lixo e pronto. Separamos entre aquilo que iremos doar e aquilo que iremos vender daquilo que iremos descartar. No descarte, separamos entre o que é reciclável e o que não é. Também tem os eletrônicos: aparelhos velhos de celular, baterias que não funcionam mais, carregadores antigos. Tudo isso precisa encontrar um destino certo, que, definitivamente, não é uma lata de lixo comum. E os remédios vencidos então? Seguem todos para uma sacola específica, que será encaminhada para uma drogaria em São Paulo, que os recolhe e os descarta da forma correta. Sem falar das lâmpadas queimadas… também precisam encontrar seu destino certo, porque as fluorescentes, por exemplo, possuem mercúrio dentro, ultra tóxico e, portanto, não podem ser jogadas em qualquer lugar. Assim, mudar de casa se torna algo bem mais complexo do que “só” empacotar tudo e partir. É um ato de responsabilidade como administradores daquilo que acumulamos com o passar do tempo (aliás, aqui neste site, você encontra para onde encaminhar tudo quanto é coisa).

Da mesma maneira que mudar de casa, mudar por dentro, como pessoas, também pode nos dar uma preguiça enorme. Às vezes, é o excesso de opiniões formadas sobre as coisas que nos impede de mudar. Outras vezes, são os ressentimentos, as preocupações com o futuro e, definitivamente, os preconceitos. O orgulho, então! Esse não deixa a gente nem cogitar qualquer transformação.

Esse acúmulo de sentimentos pesados vai nos inchando, a ponto de não conseguirmos nos mover em nenhuma direção. Ficamos inflados de nós mesmos e nos acomodamos, esperando que o mundo gire em torno de nós.

Paulo, apóstolo de Jesus, nos orienta a não nos acomodarmos com essa forma de ver as coisas, mas sugere que renovemos a nossa mentalidade, a fim de experimentarmos o ponto de vista de Deus. Como resultado, esse novo olhar vai transformando a nossa vida (essas referências você pode encontrar na Bíblia, no livro de Romanos, capítulo 12, verso 2). Ou seja, para que novos ares possam entrar nos pulmões da nossa alma, precisamos deixar de acumular os sentimentos prejudiciais ao nosso crescimento, abrindo mão deles e adquirindo uma perspectiva que supere o que é finito, transitório e superficial.

Paul Tournier, médico e psicólogo suíço que se dedicou ao cuidado integral de seus pacientes, escreveu em seu livro Culpa e Graça:

Na verdade, ninguém pode se despojar do espírito de julgamento por meio de um esforço voluntário. Enquanto eu fico obcecado pelo erro descoberto em um amigo, que me chocou e que eu reprovo, posso repetir infinitas vezes: “eu não quero julgá-lo” – mas o julgo mesmo assim. Ao passo que o espírito de julgamento desaparece sozinho no momento em que tomo consciência dos meus próprios erros e falo deles com franqueza ao meu amigo, enquanto ele me fala das faltas que reprova em si mesmo. (p. 101)

O julgamento citado por Tournier é apenas um dos itens, que podem fazer parte da nossa pesada bagagem emocional e que nos impedem de mudar por dentro. Existem muitos outros, que nos sobrecarregam e nos deixam cansadas e indispostas. Pense na inveja, por exemplo. Minha amiga Dalila Parente disse uma vez, num encontro de mulheres, que a comparação que a inveja provoca não funciona de nenhum dos lados: se me sinto superior à pessoa com quem me comparo, isso é ruim e, se me sinto inferior, isso também é ruim. A conclusão a que chegamos aquele dia foi que a via mais saudável de todas é resistir a qualquer tentação de nos compararmos com outras pessoas. Desafiador, não?

Mas para onde encaminhar os sentimentos ruins, mas inevitáveis muitas vezes, que nutrimos e que nos impedem de mudar?

Assim como o lixo que acumulamos em nossa casa com o tempo, que pede um encaminhamento adequado na hora da mudança, os sentimentos negativos que emperram nosso crescimento pedem o destino da confissão. Apresentá-los a Deus sem reservas, em uma oração, pode ser o primeiro passo para que eles percam a força de ação em nós. Jesus, por sua vez, não irá julgá-los como juram alguns, mas perdoá-los, ou seja, levá-los para bem longe Dele e de você. É alívio instantâneo.

Em um segundo momento, entra em cena o processo. Assim como a borboleta, que passa pela metamorfose, nós também passamos a viver uma transformação em etapas. Ficamos conscientes dos sentimentos nocivos e, quando eles se apresentam, a gente às vezes consegue detectá-los a tempo de não nos deixar ser dominadas, outras vezes não. Quando não conseguimos, basta nos jogarmos nos braços de Deus de novo e de novo, quantas vezes forem necessárias.

Para cada um de nós, um insucesso pode se tornar a oportunidade de uma reviravolta sobre si mesmo e de um encontro pessoal com Deus.
(Paul Tournier em Culpa e Graça, p. 141)

Só olhando para dentro de nós com sinceridade é que descobrimos o que temos acumulado, que tem nos impedido de mudar. Nesse ato de humildade, uma transformação interior não representará mais um ideal inalcançável para nós ou uma expectativa secreta dos que se relacionam com a gente, mas se tornará um processo possível, genuíno e rico de aprendizados.

 

ENSEE
Arte de Ensee

 


Luciana Mendes Kim sou eu. Mas, depois de um certo tempo, pode me chamar de Lu. Amo algumas pessoas bem conhecidas (a Clarice Lispector e o Wim Wenders, por exemplo ) e outras tantas do meu convívio. Amo também ler ficção, ver filme parado, dançar música eletrônica, tomar chá com amigos queridos e ir ao Sesc com marido e filho. Um dia, conheci a Carol e a Talita e, juntas, criamos o Santa Paciência.

Feliz Amor Novo 

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2017 foi um ano sensacional, pra mim. Foi o ano que eu morri. A Talita agora pode ser dividida em duas partes: antes e depois de 17/04/17. Nessa data nasceu o Dominic, filho querido que me virou do avesso com sua chegada e revolucionou minhas crenças e convicções. Se eu achava que sabia alguma coisa dessa vida, ele me mostrou que sou uma eterna aprendiz.

E essa experiência tem sido intensa, dolorosa e profunda. Dual: cem por cento incrível, cem por cento desafiadora.

E o que mais tenho quisto aprender é esse novo formato de amor. O Dominic é a única pessoa no Universo todo que conhece o meu amor de mãe. Amor que é único e intransferível. Ele é uma potência que revela mistérios e que move mundos. É transformador.

O amor que sinto pelo Dom tem me feito refletir sobre o Amor que Deus sente por mim. Forte. Trabalhado diariamente ao ser nutrido e cuidado. Voraz. Incondicional. Horizontal. Suave e preciso. Fluído, compassivo, entregue. Infinito.

E então eu me peguei desejando viver esse amor de Deus visceralmente. Voltar ao primeiro amor.

O Dominic, quando quer a mim, meu consolo, meu cheiro, meu colo, não há o que o distraia. Nada o faz parar de me procurar, de me chamar. Quando eu pego ele no colo, o suspiro de alívio dele me faz sentir insubstituível.

Quando estou deitada ao lado dele na madrugada, acordo com seus resmungos e vejo sua boquinha de peixe procurando meu peito, ele de olhos fechados, confiante de que estou lá por ele, pronta pra alimentá-lo e acolhê-lo. Ele nem mesmo acorda, apenas sabe que estou ali e que sua necessidade será suprida. Quando demoro, ele me puxa pra perto como se sua vida dependesse daquilo, do leite que ele vai beber e da saciedade que ele vai sentir. Ele não pensa em mais nada, não lembra de mais nada e não precisa de mais nada. Quando ele sente minha mão firme segurando seu corpinho, ele relaxa e se solta, simplesmente. Confia.

Um bebê, totalmente entregue, totalmente lançado no mundo e que vive como se cada dia fosse único.

screenshot_20180104-1649041519839890.pngChora sem pudor quando quer que eu faça algo por ele. Sorri lindamente quando brinco com ele. Solicita minha presença e não titubeia. Se ele se sente sozinho e estou fora de vista, chamo seu nome e ao ouvir minha voz ele se acalma.

Em 2018 eu desejo ser assim com Deus. Quero a presença dEle e o colo dEle mais que tudo. Quero esse Amor único e transformador vindo dEle.

Quero prantear e celebrar na presença dEle.

Quero me soltar nos braços dEle e sentir a firmeza de Sua proteção e ouvir a suavidade de Sua voz. Quero viver como se fosse a única pessoa do Universo a conhecer a profundidade do Amor de mãe que Deus sente por mim. Mesmo sabendo que esse Amor não é exclusivo. Mesmo sabendo que a onipotência dEle alcança e atinge todos os seres.

Quero dormir e acordar amparada, sentindo o cheiro da presença dEle, buscando seu peito com a boquinha de peixe igual a do Dom.

E estendo esse desejo de Ano Novo até você! Feliz Amor Novo. Que em 2018 você se sinta como um bebê seguro e amado nos braços da Mãe que Deus é de todos nós.


Eu sou a Talita, nada mais que uma alma encarnada lutando pra cumprir minha missão na Terra e poder um dia voltar pros braços do Pai. Junto com a Carol e a Lu, reflito sobre a vida aqui no Santa Paciência.

Mulheres Inspiradoras: Catherine Booth – Jan/2018

Catherine foi uma evangelista dedicada e juntamente com seu marido viveu “o Evangelho todo, para todo homem, para o homem todo”

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Histórias de outras mulheres inspiram a minha caminhada. É como se eu ganhasse novos horizontes e pudesse experimentar o que viveram sem eu realmente ter vivido suas vidas ou seus feitos.

Geralmente, quando conheço uma escritora, musicista, professora, ou qualquer mulher que desperte em mim o desejo de também criar novos rumos, conhecer mais, ou olhar sob novas perspectivas velhas circunstâncias, tenho uma enorme curiosidade por saber mais sobre essa mulher. Quais eram seus hábitos? O que gostava de fazer nas horas vagas? O que a levou a criar tal coisa? O que despertou nela tal inquietação? Onde ela nasceu? Qual era o contexto de sua época?

No ano de 2017, me deparei com mulheres incrivelmente inspiradoras. Fui orientada por elas, tive minha visão ampliada e meu coração se encheu de alegria por conhece-las melhor – mesmo que a maioria delas não esteja mais aqui, no lado de cá da Eternidade. Elas foram verdadeiras amigas, confidentes fiéis e me guiaram ao que minha alma ansiava, apontando para Aquele que é, irresistivelmente, criativo e não se cansa em nos ensinar diretamente, mas também através de pessoas comuns, como eu e você.

Por mera curiosidade fui atrás da data de nascimento dessas mulheres e me surpreendi, pois, a maioria das escritoras que eu estava lendo eram contemporâneas entre si. Instantaneamente tive a ideia: -E se eu fizesse um calendário de mulheres inspiradoras, em que cada uma ocuparia um mês do ano, segundo seu mês de nascimento?

O design, rapidamente veio à minha cabeça. Em seguida, listei algumas mulheres que eu havia sido apresentada ao longo do ano, porém, a busca pelas demais continuou, afinal, eu tinha que garimpar, ao todo, 12 mulheres para preencher o ano! Como critério para este 1o calendário, decidi que elas deveriam ser nascidas entre 1830 a 1930. Tentei compor os meses com a maior variedade de profissões ou histórias, além de nacionalidades e contextos. Dei o meu melhor, procurando, selecionando, escolhendo os melhores elementos estéticos que traduzissem um pouquinho de quem eram, ou o legado que deixaram. Tenho certeza que para cada uma delas eu estarei apresentando apenas um fragmento do que realmente foram. Mas eu espero, do fundo do meu coração, que assim como eu, e mesmo com a minha limitada apresentação, ainda assim, vocês se sintam inspiradas(os), como eu fui! :)

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Quem foi Catherine Mumford Booth?

A primeira mulher inspiradora do ano, chegou a mim, quando eu estava na Biblioteca de Teologia do Mackenzie, garimpando por mulheres e imersa naquele acervo todo. Aproveito inclusive para agradecer a meu pai, Eliezer, que sendo o bibliotecário de lá, me ajudou a pegar pilhas de livros para consulta e pacientemente descartar aqueles que eu não usaria, e principalmente não se importando com toda a bagunça que eu estava fazendo por lá rs.

Catherine nasceu na cidade de Ashbourne, em Derbyshire na Inglaterra, em 17 de janeiro de 18291. Ao que nos conta o livro: Esboço da História do Exército de Salvação e seu Fundador, Catherine desde pequena era uma leitora voraz da Bíblia. Por volta dos quatorze anos, devido a uma enfermidade na coluna, que a obrigava ficar recostada grande parte do seu tempo, experimentou sua real conversão. E unindo seu apetite voraz por conhecimento, nos anos seguintes, torna-se grande conhecedora de Teologia além da História da Igreja.

Aos 26 anos, casa-se com Willian Booth – em 16 de junho de 1855, em Londres. William, mesmo depois de casado continua a dedicar-se a campanhas evangelísticas pela igreja Metodista, e em 1858 é oficialmente consagrado como ministro metodista. Já Catherine, que também possuía grande apreço pelo evangelismo, certo dia, enquanto dirigia-se à igreja, em um domingo a noite, pensava como seria interessante fazer visitas domiciliares convidando as pessoas a conhecerem a Deus, e assim, nasce uma das características da organização, que seria a visitação de casa em casa.

A primeira oportunidade que Catherine teve de pregar publicamente, foi quando por motivo de doença, seu esposo não podia pregar, assim por nove semanas seguidas ela prega e dá seu testemunho publicamente, levando jornais da época a divulgarem tal feito, pois não era comum mulheres pregando publicamente.

Nunca se me permitiu ter mais um domingo de sossego enquanto tive bastante saúde para ficar de pé e falar. Tudo quanto fiz foi dar este primeiro passo. Não podia enxergar mais para adiante. Todavia o Senhor, como sempre o faz quando Seu povo é com Ele, honesto e obediente, abriu as janelas do céu e derramou uma benção tal que não havia lugar para contê-la.

relata Catherine sobre essa experiência2

Em 1864, o casal ministrava há um tempo reuniões independentes, pois William havia pedido demissão da denominação metodista durante a conferência anual metodista, celebrada em Liverpool, em 1861.

O foco do trabalho do casal, era levar a mensagem da salvação a mais e mais pessoas, nessa época, auge da Revolução Industrial, [c]onvenceu-se ele que os operários podiam ser mais eficazmente influenciados por homens e mulheres de sua própria classe, que compartilhavam de sua vida e falavam na linguagem de cada dia, antes que pela linguagem adotada pelos pastores no púlpito3 – descreve William. E é nesta mesma época, que Catherine começou também a celebrar cultos independentes de William, pois eles haviam decidido que poderiam ser mais eficazes na pregação da Palavra celebrando cultos distintos, assim poderiam alcançar cada vez mais e mais pessoas.

Em 1865, a Sra Booth foi convidada a dirigir uma breve missão em Rotherhithe, Londres. O que ela viu entre a gente pobre, e especialmente o trabalho feito pelo Movimento noturno para a restauração de mulheres decaídas, tornou-se em um apelo urgente ao seu coração. Julgou logo ser aqui a esfera pela qual orara e desejara desde a conferência de Liverpool que resultou em eles renunciarem seu lugar no Metodismo4.

E em julho de 1865, William é convidado a conduzir alguns serviços em uma tenda num antigo cemitério em Whitechapel e descreve essa experiência, anos depois, da seguinte forma:

Quando vi multidões de gente pobre, tantos deles tão evidentemente sem Deus e sem esperança, e vi que tão prontamente me ouviam, seguindo da reunião ao ar livre à tenda, e aceitando, em muitos casos, meu convite de se ajoelharem aos pés do Salvador ali mesmo, então meu coração inteiro se apegou a eles. Voltei a casa e disse a minha esposa: Oh, Catherine achei meu destino! Estas são as pessoas por cuja Salvação tenho almejado todos estes anos. Quando passava pelas portas do botequim esta noite me parecia ouvir uma voz que dizia: “Onde podes ir e achar tantos pagãos como estes aqui;”. Então ali mesmo ofereci minha alma, tu e as crianças a esta grande obra. Esta gente será nossa gente, e terão o nosso Deus como Deus deles”.5

E Catherine, se recorda deste momento:

Lembro-me (escreveu ela) da emoção que isto produziu na minha alma. O diabo me cochichou que “Isto significa mais uma partida”. A questão do nosso sustento constituiu uma dificuldade séria. Até então pudéramos fazer face as nossas despesas das coletas que recebíamos de assistências mais seletas. Porém era impossível esperar que pudéssemos fazer isto entre os pobres do Este, tínhamos até medo de pedir ofertas em tal localidade. 

Entretanto não respondi com desânimo. Depois duma pausa para meditação e oração, repliquei: “Bem, se pensas que deveremos ficar, fiquemos. Já confiamos em Deus para nosso sustento uma vez e podemos confiar dEle de novo”.6

Nesta noite, descrita por William como “Aquela noite”, depois de anos gestando, nasce o Exército de Salvação.

No ano de 1865 o Exército de Salvação surge na Inglaterra com William e Catherine Booth, em meio à Revolução Industrial, numa sociedade que passava por uma das maiores revoluções da sua história. Logo no início, sua luta era para que os pobres também pudessem frequentar as igrejas e assistir aos cultos como os outros de classes sociais mais favorecidas.

Desde seu início, os salvacionistas têm sido motivados pelo amor de DEUS e à Sua Criação Especial feita à Sua imagem e semelhança: o ser humano. Sua estrutura característica imitando o modelo militar, com hierarquia e uniformes, visa tornar a liderança mais ágil e facilitar a tomada de decisões.

Conscientes de que Deus ama as pessoas de forma singular e de que Ele quer atingir todas as áreas de suas vidas (o espiritual, o emocional, o social, o psicológico, o físico), os primeiros salvacionistas lançaram-se na luta para aliviar a humanidade sofredora, tendo essa visão holística do ser humano como um todo complexo e indivisível.

O slogan: “sopa, sabão, salvação” tornou-se um marco do Exército de Salvação e abalou as estruturas dos métodos das igrejas naquela época. Além disso, o Exército foi o primeiro a valorizar o trabalho feminino na igreja, deixando a mulher ocupar cargos que antes eram exercidos apenas por homens, contrariando, assim, as igrejas da época e dispensando parcerias importantes que se voltavam contra essa atitude.7

Porém, mesmo a organização valorizando e estimulando o trabalho feminino, passa-se um tempo até que mulheres de fato tivessem responsabilidades nos postos da missão, em lugares que poderiam exercer alguma autoridade sobre homens. Até que, em 1875, os fundadores resolvem fazer uma experiência nomeando uma evangelista mulher a frente do comando de Barking. E desde então, nenhuma hesitação séria sentiu-se em confiar as mulheres o comando dos postos, ou em manda-las fundar a obra em lugares onde o Exército ainda era desconhecido.8

Catherine e William tiveram 8 filhos e deixaram um grande legado, tanto para seus filhos, que puderam perpetuar os ensinamentos cristãos dando continuidade ao trabalho iniciado por seus pais, como também, para nós.

Catherine, falece aos 61 anos de idade, em 4 de outubro de 1890. Certamente ela foi uma grande inspiração em sua época, que era repleta de dificuldades assim como nos dias de hoje, mas também é fonte de inspiração em nossos dias. Ela escolheu ser uma mulher temente a Deus, compromissada a ouvi-Lo, obedecê-Lo e sobretudo a amá-Lo – e como consequência desse amor, serviu ao seu próximo da melhor maneira que pode. Que possamos também escutar o nosso chamado e segui-lo, mesmo em meio as dificuldades ou aparentes derrotas. E que possamos fazer o Eterno sorrir (Num 6.25 – A MSG) nessa História que, graças a Ele, somos coadjuvantes, porém, coadjuvantes totalmente ativas(os)! ;-)

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NOTAS:

1Como podem perceber, fiz uma concessão aqui rs, pois eu havia estipulado mulheres nascidas entre 1830 a 1930, mas achei Catherine tão significativa que quebrei a regra: acrescentei ela no calendário mesmo estando, por apenas 1 ano, fora do centenário estipulado.

2Frase de Catherine descrita no livro Esboço da História do Exército de Salvação e seu Fundador, encontrado na página 20.

3Frase de William descrita no livro Esboço da História do Exército de Salvação e seu Fundador, encontrado na página 24.

4Trecho retirado do livro Esboço da História do Exército de Salvação e seu Fundador, encontrado na página 27.

5Frase de William descrita no livro Esboço da História do Exército de Salvação e seu Fundador, encontrado na página 28.

6Frase de Catherine descrita no livro Esboço da História do Exército de Salvação e seu Fundador, encontrado na página 28.

7Trecho retirado do site: http://www.exercitodesalvacao.org.br/quem-somos/nossa-historia

8Trecho retirado do livro Esboço da História do Exército de Salvação e seu Fundador, encontrado na página 50.

 

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A Série Mulheres Inspiradoras tem como objetivo celebrar a história de mulheres cristãs que imprimiram sua marca no mundo através da arte, música, literatura, justiça social, teologia, ciências e/ou outras esferas que compreendem o nosso bem viver. Para nos inspirar e impulsionar a deixarmos também o nosso legado no mundo, devolvendo ao Criador o que Ele nos confiou.

 


Sou Carolina Selles apaixonada por cores, histórias e sabores. Sou designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.