Parem o mundo que eu quero descompressurizar

woman-laying-dream-girl-lying-down-grass-with-103392

Criar, educar e amar um filho (não necessariamente nessa  ordem) têm sido uma tarefa tão desafiadora para mim, que me  deixa, por vezes, exausta. Não disponho mais das mesmas horas  de sono, nem do mesmo tempo livre – que, quando existe, é  dedicado a uma brincadeira ou um passeio mais longo com o bebê  –, nem do mesmo pique para frequentar festas ou eventos cheios  de gente. Minha vida nunca foi tão corrida e dependente da minha  atuação como agora.

Mas existe algo que tem o poder de me desgastar ainda mais do que os cuidados inerentes à maternidade: a realidade do mundo. Pessoas impondo sua visão sobre as outras, sob o argumento de que discordar é intolerar ou discriminar, polêmicas estéreis infindas sobre partidos políticos, teologias, o chef de cozinha que falou mal do brigadeiro, o cantor que pediu mais respeito em seus shows. Greves, guerrilhas, tragédias, desemprego, deseducação, carências, melindres, preconceitos sufocados pela ditadura do politicamente correto (e os politicamente corretos jurando que estão vencendo o preconceito, como se ele fosse um problema fácil assim, de superfície, quando o buraco é bem mais embaixo, onde poucos têm acesso).

Obviamente que, globalizados como estamos, esses e outros problemas não são exclusividade do Brasil, mas reverberam em maior ou menor grau por todos os continentes. A questão não é brasileira, mas humana. E é aí que me bate um cansaço, uma preocupação, uma tensão nos ombros: o que será de nós??

O convite de Jesus, então, aparece como um alívio, uma esguichada de água em dia quente, uma coca gelada com limão para acompanhar a feijoada: “Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mateus 11.28). Sério mesmo, Jesus? Sério que posso chegar até você e ter todo o peso do mundo retirado dos meus ombros: pressão, prazos, polêmicas, mimimis e todo o resto??

E, assim, numa oração, sou descompressurizada.

O convite de Jesus ao descanso é autenticamente democrático. Qualquer pessoa, em qualquer lugar, sob qualquer circunstância, pode aceitá-lo e usufruir de seus efeitos. É revigorante e, de quebra, nos torna bem preparados e ativos para retornar ao cenário do caos.


Luciana Mendes Kim é graduada em Letras, mestre em Literatura Brasileira e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

A imagem veio daqui

Um comentário sobre “Parem o mundo que eu quero descompressurizar

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s