O que você quer?

Escrever sobre o livro O que você quer?, da escritora norte-americana Jen Pollock Michel, lançamento da Ultimato aqui no Brasil, significou um mundo de coisas para mim. Primeiro, porque esta é a primeira resenha que escrevo aqui no blog; segundo, porque sou apaixonada por livros; e último, mas não menos importante, porque eu mesma quero me tornar uma escritora um dia. Assim, se apenas por comentar sobre a obra de outra pessoa já me dá um frio gostoso na barriga, imagina só a insônia que eu não vou sofrer quando eu escrever o meu próprio livro e ele for comentado por alguém. Vai ser incrível!

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Nosso exemplar :)

A empatia que senti pela Jen, a escritora, desde o início, não diz respeito apenas à nossa paixão comum, a escrita. Logo nas primeiras páginas de seu livro, já percebi que tínhamos, pelo menos, mais duas afinidades: a tendência de escrever de maneira informal, como no blog, e a predileção pelas confissões. É reconfortante ler que outra pessoa também passa por perrengues emocionais e espirituais, bem semelhantes, aliás, aos meus. Dá uma sensação de irmandade, como se a autora fosse uma grande amiga minha e escrevesse para me mostrar que eu não estou sozinha.

Outro ponto empático entre nós duas aconteceu quando entendi qual seria o tema do livro: o desejo. Está aí um tema comum à raça humana inteirinha, mas que pouco é discutido nas igrejas. Segundo a autora, o desejo, no contexto eclesiástico, geralmente é visto como essencialmente mau, logo, deve ser suprimido do vocabulário e do imaginário dos membros como peste em plantação. O problema é que não adianta fingirmos que o desejo não existe, porque somos feitos dele. Desde bebês, somos guiados pelo que sentimos vontade e esse impulso tão primário tem muito a dizer sobre quem somos e quem nos tornamos. Se não o encaramos de forma honesta é porque o tememos. O grande desafio para nós todos – e que Jen enfrenta com profundidade – é encontrar o lugar do desejo dentro da proposta de Deus para a humanidade.

O que você quer? é um livro belamente tecido de forma a nos convencer de que o querer, em si, não é um problema, mas algo natural e bom: embora facilmente corrupto, o desejo é bom, correto e necessário. É uma força motora na nossa vida, um meio de transporte (p. 200).  E não só isso – a autora defende também que temos total liberdade de dizer a Deus o que queremos. A oração é o ato corajoso de colocar nossos desejos autênticos diante de Deus (p.116).

Mas se engana quem pensa que esse livro é uma apologia ao desejo desenfreado e inconsequente:  é-nos concedida a coragem de querer, mas também nos é concedido o entendimento de que obter o desejo do nosso coração, quando esse coração é idólatra, pode ser a nossa maior tragédia (p.200).

E é nesse equilíbrio entre as visões sobre o desejo, juntamente com um embasamento bíblico incrível, que Jen Pollock Michel fala diretamente ao nosso coração, nos confortando com a esperança de que não somos ETs dentro do Corpo de Cristo por assumir o que queremos, mas sim seres feitos por Deus para desejar.


*O básico do livro:
O que você quer?  – Desejo, ambição e fé cristã
Título original em inglês: Teach Us To Want
Autora: Jen Pollock Michel
Editora Ultimato
224 páginas

** As ilustrações deste post foram retiradas da página da Editora Ultimato no Facebook.
*** Agradecemos à Editora Ultimato pelo presente.

 


Luciana Mendes Kim trabalha como educadora, é amante da literatura, sonha um dia escrever livros e aprender a tocar acordeão. É também uma das idealizadoras do Santa Paciência.

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