Mentir é humano. Essencialmente humano.

“Ceci n’est pas une pipe” – René Magritte, 1929.

Você torce a história só um pouco e aquilo se torna… Pode ter um grande impacto em sua vida.

Kelley Williams-Bollar uma das entrevistadas no documentário (Dis)Honesty the truth about lies1

Mentir é humano. Essencialmente humano.

No início da narrativa bíblica, em Gênesis, a serpente mente para Eva e a engana – e ela já deveria estar bem atraída pela ideia de comer do tal fruto. Eva, por sua vez, convence Adão – que também já deveria estar bem apático em seu relacionamento para sequer questionar-se e prontamente comer do fruto. E ao serem visitados por Deus – como era de costume – escondem-se por medo. Percebem-se nus, estranhos. Um culpa o outro, mentem e ninguém assume sua própria responsabilidade.

Pronto! Desde então, nossos relacionamentos foram manchados e estão marcados pela acusação alheia, pela desconfiança, inveja, medo, cobiça e a lista segue, é extensa… E desde esse episódio fatídico, temos a tendência de enganar aos outros e a nós mesmos.

Nós meio que sabemos de forma anedótica que uma vez que você mente, é provável que minta de novo. E é provável que a segunda mentira seja maior que a primeira.

O que encontramos no cérebro, é que, no começo, se você mentir pouco, há uma resposta muito forte nas regiões ligadas às emoções, tais como a amídala e a ínsula. Na décima vez em que você mente, mesmo que minta a mesma quantidade, a resposta não e tão forte. Assim, embora a mentira aumente com o tempo, a resposta do seu cérebro diminui. Nós achamos que a resposta disto acontecer seja um princípio bem básico do cérebro. Que é o seguinte: o cérebro se adapta. Por exemplo, se você está ouvindo música num volume baixo e o aumenta um pouco, duas marcações, parece uma diferença grande. Mas se você está ouvindo o rádio num volume bem alto e aumenta duas marcações, você nem sente. O cérebro codifica tudo relativamente à linha de base adotada. O mesmo se dá com a desonestidade. Se somos pessoas bem honestas que não costumamos mentir, e agora contamos uma mentira, o cérebro está codificando como uma diferença grande em relação à nossa linha de base. Mas se somos desonestos e mentimos bastante, o cérebro não responde tanto. Depois de um tempo, o valor negativo da mentira, o sentimento negativo, quase não se manifesta mais. O que acaba fazendo com que você minta cada vez mais.

Tali Sharot: neurocientista cognitiva da Universidade de Londres no documentário (Dis)Honesty the truth about lies

Mentiras que são para o nosso próprio proveito. Por que mentimos tão prontamente? A mentira é uma maneira rápida e fácil de ganhar vantagem, proteção e promoção dos interesses pessoais. Mentimos para chamar a atenção das pessoas e nos promover na estima dos outros. Mentimos para proteger nossa reputação e mentimos para fugir do castigo. Muitas mentiras são servas dedicadas do ego.2

Mentimos, muitas vezes, porque somos autocentrados e não queremos que a nossa imagem seja colocada a prova ou que nossa reputação fique manchada. Mas nosso chamado é para não nos importarmos com nenhum julgamento além daquele que provém de Deus: Pouco me importa ser julgado por vocês ou por qualquer tribunal humano; de fato, nem eu julgo a mim mesmo. Embora em nada minha consciência me acuse, nem por isso justifico a mim mesmo; o Senhor é quem me julga. Portanto, não julguem nada antes da hora devida; esperem até que o Senhor venha. Ele trará à luz o que está oculto nas trevas e manifestará as intenções dos corações. Nessa ocasião, cada um receberá de Deus a sua aprovação. [1 Coríntios 4.3–5 – NVI]

Mentiras que servem aos outros. Um desafio ainda maior no nosso compromisso com a verdade se encontra no costume cultural de mentir para proteger os outros. À primeira vista talvez pareça que é uma exceção válida tendo em vista o alvo justo da sinceridade.

É preciso admitir que às vezes é difícil ter tato para dizer a verdade. O que você diz quando vê um bebê recém-nascido, vermelho e enrugado no hospital? O que você responde quando alguém lhe pergunta acerca de um vestido, de um chapéu, ou de uma gravata nova?

Isso não quer dizer que devemos ser “brutais” ao falar a verdade. A Palavra de Deus ordena que falemos a verdade em amor (Efésios 4.15). A verdade deve andar junto com a misericórdia, com a gentileza, com a compreensão e com a graça. Não há virtude nenhuma em glorificar a Deus, dizendo a verdade e ao mesmo tempo destruindo a glória da graça de Deus com um espírito insensível.3

E costumamos mentir também, para não desagradar a outros, mas esquecemos que nosso compromisso primeiro é com Deus, que é a Verdade. Verdade que é também Amor e ambas andam juntas são inseparáveis.

Dar resposta apropriada é motivo de alegria; e como é bom um conselho na hora certa!
(Provérbios 15.23 – NVI)

 

Sonda-me, ó Deus,
e conhece o meu coração;
prova-me e conhece as minhas inquietações.

Vê se em minha conduta algo te ofende
e dirige-me pelo caminho eterno.

Salmo 139.23–24

 

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NOTAS:
1(Dis)Honesty the truth about lies é documentário feito por Dan Ariely, um norte-americano de origem israelense, que após sofrer um grave acidente na adolescência – que levou grande parte do seu corpo a ser queimado, percebeu como os profissionais da saúde, médicos e enfermeiros que deveriam ser os mais aptos a lidarem com sua recuperação, muitas vezes eram os que mais agiam irracionalmente, desconsiderando por completo o paciente. Com isso, resolveu tornar-se um pesquisar sobre “economia comportamental”, formando-se em Psicologia Cognitiva e estudando através de pesquisas comportamentais.

2O Controle da língua – o Espírito Santo pode refrear a sua língua livro escrito por Joseph W. Stowell

3O Controle da língua – o Espírito Santo pode refrear a sua língua livro escrito por Joseph W. Stowell

 

 


Carolina Selles é apaixonada por cores, histórias e sabores, é designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

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