O poder da vulnerabilidade

Ilustração de Kathrin Honesta

A vulnerabilidade expõe nossa total incapacidade, fraqueza e por que não dizer nudez da alma. Escancara nossas limitações e defeitos. Por vezes, ela se aproveita disso para nos estimular a ir contra quem verdadeiramente somos. Para construir uma identidade baseada em um modelo de vida e ideais que não nos pertencem. Não são nossos.

Mas convenhamos, realmente não é nada confortável revelar nossos medos, vontades e desejos mais profundos – entregando tudo isso de bandeja aos outros. É preciso muita coragem para demonstrar nosso verdadeiro eu e tornar-se passível de críticas, apontamentos, e quem sabe até daquela exclusão social básica.

Resolvi usar para o título deste post, o mesmo título desse vídeo de Brené Brown que está no TED1. Ele foi indicado pelo Nathan em nosso último Grupo de Convivência Maricota (ok, o nome Maricota pode não passar muita credibilidade, mas nós somos um grupo legal e maduro, acreditem! rs) de nossa comunidade de fé Projeto 242. E fiquei extremamente grata por esse tema vir a mim, de novo! Como um tiro certeiro, nesse momento de vida, tanto as reflexões do vídeo como as discussões que afloraram do nosso grupo sobre esse tema, mexeram comigo e ainda estão reverberando aqui: dentro de mim.

Analisando meus últimos anos, em especial esses últimos 3 anos, percebo como Cristo tem me convidado, com um amor abundante, a sair de minha zona de conforto – que nem sempre é tão confortável assim – e tem me ensinado a assumir e acolher minha pequenez, minha finitude, minha v-u-l-n-e-r-a-b-i-l-i-d-a-d-e. Pois é… Essa palavrinha já me incomodou tanto! E erroneamente eu acreditei que ser vulnerável era sinônimo de ser boba. Que o certo mesmo era não demonstrar fraqueza nenhuma e sempre, seja qual for a circunstância, manter a pose e ser forte. Sempre! Mas que força é essa que te deixa em frangalhos internamente ou que anestesia teus sentimentos em prol de uma reputação que definitivamente você não pode controlar?! Que força é essa que só traz e produz inquietação, insegurança e instabilidade?

Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco, é que sou forte.
2 Coríntios 12.10

Porém, uma palavrinha que tem sido peça-chave para todo esse processo de ressignificação que tenho enfrentado é o acolhimento. Estou aprendendo a acolher quem sou e como sou. A me aceitar, a compreender minhas falhas sim, e a buscar mudanças para o que carece ser mudado, mas sobretudo tenho compreendido minha importância no mundo. Sou única e por mais defeitos que eu tenha fui desejada e sou uma filha amada.

Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em ti.
Santo Agostinho – Confissões

Que Deus me ajude a continuar trilhando o estreito caminho da pequenez, das limitações e das fraquezas pois só assim saberei que minha força, minha verdadeira força, não provém de mim, ela passa por mim e transborda mas provém dEle que é a minha fonte de energia e de verdadeiro poder.

 

. . . . . .

1TED são aqueles vídeos curtinhos (de 15 a 20 minutos) e temáticos, de acordo com cada encontro. A plataforma é um mundo de opções, têm muita coisa legal e muitos deles são extremamente inspiradores! Vale a pena dar uma sapeada: www.ted.com

2Grupo de Convivência são grupos pequenos de estudo da Bíblia e convivência dos membros da igreja Projeto 242: www.facebook.com/projeto242

 


Carolina Selles é apaixonada por cores, histórias e sabores, é designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

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