À garota que desejava não ter feito: pureza sexual e recomeço

Numa manhã na época da faculdade, eu levantei, me vesti e fui até uma igreja comprar para mim um anel de pureza¹. Meu coração doía um pouco de pensar sobre isso, porque até mesmo naquele momento, a última palavra que eu usaria para me descrever seria pura. 

Talvez arrependida, envergonhada, suja, totalmente imerecedora da afeição de um homem digno?

Com certeza.
Mas, definitivamente, não “pura”.

Eis um pouco do meu passado:  eu havia firmado muitos compromissos para mudar drasticamente minha vida antes desse dia, mas minhas palavras vazias com frequência resultavam em nada. Eu continuava a viver minha vida do único jeito que sabia. Eu pulava de um relacionamento para outro porque eu era insegura e dependente. Quando sentia que uma dessas relações estava prestes a afundar, eu já me certificava se havia outra pessoa na fila. Triste, né?  Meu coração era um pedaço de pano todo rasgado e eu tentava remendá-lo com as coisas erradas.

Mas houve um dia específico, quando eu descobri que o cara com quem eu terminava e voltava havia três anos estava se relacionando com outra pessoa. Eu havia dado tudo pra ele e essa conexão emocional e física fez meu coração se partir em dobro. Me destruiu. Minha mente enlouqueceu e a dor durou meses.

Mas em vez de me curar de forma saudável, decidi cuidar do meu coração indo atrás de mais atenção. Eu bebia muito e tomava as piores decisões. Me forcei a sair com pessoas que nem combinavam comigo, tudo porque “eu só queria ser feliz”.

Porém em vez de me sentir feliz, essa situação só resultou no contrário. Eu frequentemente ia pra casa chorando, deprimida e em pedaços, depois de uma noite fora.  E me perguntava: por que eu insisto em voltar para esse tipo de vida se ela me faz tão infeliz?. Eu não conseguia responder. E ainda assim, eu continuava garantindo que houvesse sempre alguém disponível para me fazer companhia, no caso daquele sentimento de despedaçamento começar a voltar em mim. E sempre voltava. Sempre volta, não volta? Eu era uma bagunça, que não conseguia me firmar sobre os dois pés sem recorrer a um amor falso e um afeto vazio.

Mas Deus

Entreguei minha vida a Jesus quando eu tinha 19 anos. Eu o amei e falhei com Ele desde aquele dia, mas Ele ainda me ama infinitamente. Se eu for bem sincera, minha entrega a Ele foi, a princípio, mais um momento do tipo “já que nada mais está funcionando, então deixa eu tentar isso”. Mas Deus é bom e me deu graça, apesar do meu egoísmo. E depois de ter entregado tudo a Ele – a sujeira, o desespero, a solidão – eu sabia que algo estava prestes a mudar.

los angeles photographer
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Meus desejos eram diferentes. Deus estava mudando o meu presente. E mal sabia eu que Ele estava mudando o meu futuro drasticamente no momento em que me levou a comprar aquele anel.

Eu sabia que algo novo estava surgindo. Eu estava pronta e animada para destruir a vida que havia feito eu me sentir imerecedora e envergonhada e torná-la uma lembrança distante.

Depois de ter comprado o anel naquele dia, entrei no carro e fechei a porta. Assim que o coloquei no meu dedo, comecei a chorar. Disparei um soluço incontrolável, que me levou a um choro avassalador. Eu nunca conseguiria prever as lindas emoções que senti nem os pensamentos que cruzaram a minha mente. Não foi o anel em si que me mudou, mas a Pessoa por trás dele.

Eu fiquei ouvindo esse versículo: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura. As coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo”  (2 Coríntios 5.17).

E naquele momento, eu senti muitas coisas.

Mas mais do que tudo, eu me senti livre.

Livre da obrigação de ser alguém que eu nunca quis realmente ser.

Livre de me permitir ser usada, só porque estava sozinha.

Livre de permitir que alguém que me ligasse só quando “sentia vontade” definisse cada grama do meu valor.

Livre de buscar atenção e elogios pelo meu visual ou pelo meu corpo.

Livre do desejo de abrir mão de mim mesma para qualquer um, especialmente alguém que não fosse capaz de andar um quilômetro por mim – o que dirá quinhentos.

Eu estava livre da vida que estava tão distante daquilo que foi planejado para mim.

E, queridas amigas, esse tipo de vida também está muito distante daquilo que foi planejado pra você.

Eu quero te encorajar hoje.

Não importa quão decepcionada, vazia, desencorajada ou sem valor você se sinta, quero lembrá-la de que você não é nada disso. Você é muito mais do que seus erros. Você é amada, preciosa e tem valor. Seja lá o que te torna dependente ou amarrada, Deus está oferecendo a você um novo começo.
Você talvez seja casada agora e enfrenta o peso da culpa de decisões passadas. Ou você está no meio de todos os erros hoje, buscando a saída sem nenhuma direção. Seja uma situação ou outra: você é amada. Você talvez não mereça uma segunda chance, mas uma segunda chance é oferecida a você. E hoje você tem a opção de escolher Deus – acima de você mesma – e recomeçar.

Sou casada com Jesse há cinco anos. Ele e eu lutamos muito para nos mantermos puros até estarmos finalmente casados. E valeu muito a pena. Algumas pessoas riam da gente, mas eu não me importava. Eu estava segura na crença de que Deus criou a intimidade para ser desfrutada com o meu marido e ele apenas. Eu estava satisfeita em esperar (mesmo quando essa espera ficava extremamente difícil).

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Jesse amava Deus o suficiente e me amava o suficiente para me mostrar que sua prioridade era o meu coração e não o meu corpo. Nunca haviam me oferecido esse tipo de respeito antes. E eu nunca havia tentado recebê-lo.

A proximidade em nosso relacionamento foi inigualável, porque passávamos tempo conversando e aprendendo um sobre o outro, no lugar de nos apoiarmos na intimidade como uma muleta.

Ele mostrou um amor incondicional por mim, que eu nunca havia recebido antes na minha vida. Ele me fez sentir verdadeiramente amada. Ele teria caminhado comigo quinhentos quilômetros sem pensar duas vezes.

E ele fez com que eu me sentisse uma pessoa por quem valia muito a pena esperar.

Em nossa lua-de-mel, tudo fez sentido. Foi uma das semanas mais bonitas da minha vida.

Minha história não era mais sobre vergonha, mas sobre redenção.

É uma história que migrou das cinzas à beleza devido ao perdão e ao amor. E eu compreendi, naquele momento, exatamente por que somos chamadas a esperar. Jesse era meu e eu era dele. Eu não precisava temer que ele fosse embora ou que não me procurasse no dia seguinte. Nós éramos um. Eu posso dar a ele cada parte da minha mente, do meu corpo e da minha alma porque ele é o meu protetor. Ele é o meu lugar seguro. E ele é o meu pra sempre, não o meu talvez pra sempre.

Deus se move em nós. Deus nos cura dia após dia de toda a ferida que nós causamos a nós mesmas. Ele nos preenche com um senso de completude que nós nem conseguimos imaginar sem Ele. E Ele te ama suficientemente para colocar você em um novo caminho.

Você está disposta a deixá-lo mudar a sua história hoje?

Com a graça de Deus,

Lindsey²

 


¹ O anel de pureza foi criado pelo grupo cristão True Love Waits (O Amor Verdadeiro Espera) em 1994, que defende a abstinência sexual até o casamento. Foi lançado no Brasil em 2008, num evento em Uberlândia com várias igrejas, e o grupo Eu Escolhi Esperar, criado em 2011, o distribui em seus eventos.

² Este texto foi publicado originalmente no blog Sparrows & Lily e traduzido pelo Santa Paciência com a permissão da autora.

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