Feliz Ano Novo!

Pelo título desta postagem, você pode achar que estou bêbada ou maluca. Bom, maluca sempre fui mesmo, mas não é o caso agora. Na verdade, hoje é o primeiro dia do Ano Cristão ou Ano Litúrgico.

Como? – ouço alguém pensando. Explico:

O Ano Cristão ou Ano Litúrgico é uma outra maneira de contar o tempo. Ele não é dividido em meses, mas em períodos. E todos esses períodos são marcados em torno da história da vida de Jesus: primeiro o Advento (ou “chegada”, “visita”, que começa a ser contado quatro domingos antes do dia do Natal, ou seja, hoje), depois o Tempo do Natal (nascimento), então o Tempo Comum 1 (várias semanas), o Tempo Quaresmal (40 dias que precedem à morte de Cristo), o Tempo Pascal (morte e ressurreição de Jesus) e o Tempo Comum 2 (outras várias semanas).

Assim, a nossa referência de tempo não precisa estar submetida a compromissos, prazos, datas comerciais, mas pode passar a girar em torno da Pessoa de Cristo, sua passagem pela terra e a esperança de sua volta para nos levar com Ele. E essa perspectiva muda tudo: o modo como enxergamos nosso trabalho, nossos relacionamentos, nossos hábitos de consumo e nosso tempo livre, como poeticamente discorreu Vanessa Belmonte em um post que veiculamos ontem aqui no blog.

 

Um dos modelos de como é contado o Ano Litúrgico. Imagem retirada do link: metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaocolunas.asp?Numero=3092

 

As Escrituras nos falam de um Deus que não se deixa afetar pelo tempo, um Deus que jamais fica velho ou ultrapassado. Ele mesmo habita a eternidade e é Senhor do infinito, mas vem visitar e redimir as criaturas que vivem na dimensão do tempo. Em Cristo Jesus, o Deus Eterno vem habitar conosco, seres que precisam contar as horas, os dias os meses e as estações. (Gladir Cabral e João Leonel, em O menino e o reino, p. 11).

 

Mas como vivenciar esse tempo diferente, contracultural?

Essa é uma pergunta que venho me fazendo desde que conheci o Ano Litúrgico, que foi apenas em junho deste ano. Na tradição cristã de onde vim, o Ano Litúrgico não era mencionado, tanto que eu nunca soube da existência dele até este post da Vanessa Belmonte. Assim, como não pertenço a uma igreja onde ele é rigorosamente praticado, me perco um pouco.

Para guiar nossas reflexões e devocionais dentro do Ano Litúrgico existe o Lecionário – sugestões de leitura bíblica que têm a ver com o período em que estamos do Ano Litúrgico. No meu caso, que passei a seguir o Lecionário sem a orientação de um grupo, foi difícil manter a qualidade das minhas devocionais, porque as referências bíblicas indicadas para leitura diária eram muitas. Acabei desanimando e voltando para o esquema de leitura bíblica que eu fazia antes.

Entretanto, o Advento chegou e eu voltei a sentir falta de uma reflexão mais dirigida sobre esse tempo tão crucial para nós, cristãos. Hoje de manhã, primeiro domingo dos quatro que pertencem ao Advento e, por isso, o primeiro dia do Ano Litúrgico, cheguei a pensar com Deus e com os meus botões: hoje começa o Advento e eu não sei como transformá-lo em um período diferente na minha vida. Queria chegar no Natal devidamente preparada para absorver todo o seu potencial transformador e o seu valor.

Deus me respondeu 40 minutos depois de ter tido esse pensamento: Carol, minha já tão citada amigona e co-autora deste blog, mandou para mim e para a Talita (também amigona e autora do blog) um Whatsapp com o link de um livro devocional especialmente escrito para essa época do Ano Litúrgico! O download é gratuito e eu quase engasguei com um pedaço de panqueca no café da manhã quando vi que era exatamente o que eu buscava!

O menino e o reino – meditações diárias para o Natal, já com um trecho citado aí em cima no post, é talentosamente escrito por dois autores brasileiros, Gladir Cabral e João Leonel, e contém devocionais profundas, sensíveis e cheias de referências a escritores e cantores, o que mostra como nossos irmãos brasileiros são antenados, além de profundamente espirituais. Lindo de ler!

 

Aos poucos, a história de Jesus e seu significado estão sendo mais e mais incorporados em minha realidade diária.  O importante é não desistirmos dessa renovação da mente, dessa transformação, dessa busca por mais sentido e propósito no que somos e no que fazemos.

Agora peço licença, porque o meu almoço de comemoração do Ano Novo já está pronto!

 


Luciana Mendes Kim sou eu. Mas, depois de um certo tempo, pode me chamar de Lu. Amo algumas pessoas bem conhecidas (a Clarice Lispector e o Wim Wenders, por exemplo ) e outras tantas do meu convívio. Amo também ler ficção, ver filme parado, dançar música eletrônica, tomar chá com amigos queridos e ir ao Sesc com marido e filho. Um dia, conheci a Carol e a Talita e, juntas, criamos o Santa Paciência.

Um comentário sobre “Feliz Ano Novo!

  1. Eu também estou exatamente como você, Lu. Tentando diariamente pensar e agir com esse presente de salvação nos dado: Cristo Jesus encarnado. Que bom ler seu texto e testemunhar como Deus se preocupa com nossas “pequenas” orações as maiores. Ele sempre nos surpreende <3

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