RE-PENSE: Reparar suas roupas, mas também suas relações é um ato de amor

Com a celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente que tal pensar em suas ações, mas também em suas relações?

Hoje, dia 05 de junho, celebramos o Dia Mundial do Meio Ambiente. A campanha deste ano é focada na drástica poluição plástica (já falamos um pouquinho sobre esse tópico neste post aqui).

Este ano, com o tema #AcabeComAPoluiçãoPlástica, a data soma esforços à campanha #MaresLimpos da ONU Meio Ambiente para combater o lixo marinho e mobilizar todos os setores da sociedade global no enfrentamento deste problema — que se não for solucionado, poderá resultar em mais plástico do que peixes nos oceanos até 2050.1

Derivado do petróleo, o plástico nunca se degrada por completo na natureza. O material apenas se quebra em pedaços cada vez menores, em um processo de decomposição que pode levar centenas de anos. Mesmo os plásticos chamados biodegradáveis não “desaparecem”; apenas se quebram mais rapidamente.2

A poluição plástica é bem mais ampla do que a sacola plástica que você recusa no supermercado

O plástico está presente em nosso dia a dia muito mais do que imaginamos – ultrapassa a sacola plástica do supermercado que por ano, são consumidas até 5 trilhões de sacolas plásticas em todo o planeta.3 Pois, ele está no canudinho que você usa para beber o suco na padaria. Na bucha para lavar louças da sua pia. No colchão da sua cama. No seu travesseiro. No sapato que você usa. Na roupa que você veste. Enfim, a lista é extensa, infelizmente.

Sei que muitas das invenções com tal material supriram necessidades diversas e algumas foram extremamente importantes. Porém, o problema foi não pensar na sustentabilidade do processo. O impacto que a médio e longo prazo tais invenções causariam no planeta, seja pelo consumo desenfreado ou pelo descarte inapropriado.

Por isso, repensar, reduzir, recusar, reutilizar e reciclar é tão importante!

Por ter trabalhado com moda esportiva por muitos anos, sempre me deparei com fibras têxteis derivadas do petróleo. Neste segmento, ao longo dos anos, as empresas de tecelagem e malharia foram criando fibras que pudessem suprir as necessidades do esportista, garantindo sua sobrevivência em climas hostis. Com isto, foi possível desbravar lugares incríveis sem morrer de frio, mas lamentavelmente as fibras criadas duram muito mais do que uma vida, elas resistem por diversas gerações.

Uma marca, do segmento esportivo, que eu admiro muito é a Patagonia (existe há mais de 40 anos e foi criada pelo escalador Yvon Chouinard). Pois vejo que ela tenta buscar soluções mais duradouras para seus produtos – seja na conservação ou no descarte deles.

Imagem retirada da matéria feita pela marca Patagonia: http://www.patagonia.com/blog/2015/11/repair-is-a-radical-act/

Há um tempo, eles criaram um site chamado Worn Wear, que estimula as pessoas a comprarem roupas usadas da própria marca. E para o brechó online funcionar, eles recebem as roupas do desapego em suas lojas físicas e em troca dão créditos que podem ser utilizados em suas próprias lojas.

A marca também ensina as pessoas a repararem suas roupas, disponibilizando guias de conserto e conservação em seu site. Além, de promover eventos de reparo com um ateliê móvel pelas cidades.

Esses dias eu precisei reparar uma calça minha e me veio a memória que, há 3 anos (no mínimo), eu não comprei nenhuma roupa nova. Basicamente meu guarda-roupa foi constituído pela doação de peças por uma irmã que tenho (e que possuía muita roupa) ou de peças que tenho há muitos anos e que ainda se encontram em perfeito estado para uso.

Esses dias, eu também percebi que, assim como roupas precisam de reparação, muitos de nossos relacionamentos também precisam. Replicamos nosso comportamento de consumo e descarte em nossas relações. E, por vezes, somos descartados ou descartamos pessoas.

Esses dias eu precisei ceder meus ouvidos para realmente ouvir. Olhar para dentro de mim e revisitar situações incômodas. Exercer a empatia e liberar vida e perdão. Percebi que reparar relacionamentos leva muito mais tempo do que uma agulha e linha podem costurar, e que apesar da dor (passada e momentânea) possibilita restauração de vidas e possibilidades de novos recomeços.

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NOTAS:
1Trecho retirado da matéria das Nações Unidas no Brasil, link aqui

2Trecho retirado da matéria da Época Negócios, link aqui

3Informação retirada da matéria das Nações Unidas no Brasil (mesmo link acima)

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RE-PENSE é uma série que, através da reflexão dos nossos hábitos cotidianos, busca fomentar uma mudança equilibrada de maus hábitos para uma vida mais harmônica. Menos consumo, menos desperdício e menos individualidade para uma vida mais criativa, mais humanizada e mais sustentável.


Sou Carolina Selles apaixonada por cores, histórias e sabores. Sou designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

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