Chegamos ao fim

Em 2015 nascia este blog. E eu, que pouco tempo antes havia dado à luz ao meu filho, tirei de letra os desafios de fazer nascer mais esse afeto. Mesmo porque eu não estava sozinha nessa aventura – Carol e Talita dividiram as alegrias e as dores de criar uma plataforma do nada e fazê-la tomar corpo.

Santa Paciência foi o curso de escrita criativa que eu nunca havia conseguido fazer. Me ensinou justamente isso, a ter paciência, porque a escrita precisa de tempo para maturar e precisa também de segundas e terceiras revisões para ser lapidada e ficar chuchu para publicação. À medida que escrevia, eu também ia me conhecendo, me compreendendo e me curando. O Santa foi o espaço em que me senti livre para ser vulnerável e, em troca, ele me deu uma rede solidária e apoiadora de leitores e leitoras.

Mas a parte mais difícil da vida é aceitar o fim das coisas. Principalmente aquelas que só nos fizeram bem. Às vezes, queremos forçar a continuidade de algo que, por si só, já apresenta sinais de desgaste, por isso nos agarramos a ele, insistimos, esperneamos, choramos, quando o melhor a fazer é deixar ir e aceitar o fim. E é nessa posição de aceitação resignada que a Talita, a Carol e eu decidimos encerrar o Santa Paciência – uma plataforma que já plantou sua semente em nós, autoras, e em vocês, nossos leitores.

Cada uma de nós segue adiante, portanto, com um potencial em mãos germinando. Eu, Luciana, tenho planos de criar uma plataforma mais simples e ali publicar os meus textos futuros. Carol e Talita também têm se envolvido em outros projetos. Nossa esperança é de que tenhamos inspirado vocês também a encontrar seu espaço, onde aquilo em que vocês acreditam ganhe voz.

A vocês, queridos e queridas, muito obrigada por esses quatro anos!

 

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Nosso último encontro como Santa Paciência

 

 

Obs. Mesmo sem textos novos, o blog permencerá no ar até maio de 2020.

 


Luciana Mendes Kim sou eu. No momento, vivo como uma desbravadora de sonhos.  Tenho mergulhado cada vez mais no Sentido da Vida para conhecê-lo e me maravilhar com ele. Sou mãe de um menino fofinho e casada com um artista visual incrível. Um dia, com as minhas grandes amigas Talita e Carol, criei este blog charmoso e indagador das motivações da nossa alma.

Estamos indo de volta pra casa

Em uma semana, estaremos no Brasil. A ideia de rever o meu avô de 98 anos, de conhecer o novo namorado da minha sobrinha, de experimentar mamão papaia de novo e de entender as pessoas conversando dentro do metrô deixa meu coração quentinho. Vou dormir nos lençóis cheirosos da mamãe, vou ter horas de papo e risadas com a minha tia Jane, vou comer pastel na feira e vou ver todos os meus amigos do Projeto 242, minha igreja querida. Vou poder ler (e entender) as contracapas dos livros nas estantes da Livraria Cultura e vou achar o gosto da garapa doce demais. Vou voltar ao Sesc Belenzinho com a Carol e com a Talita, mas dessa vez vamos chamar a Aline também. E a Dalila. E a Fê Pinilha, se ela puder. Isso sem mencionar o abraço quebra-costela que vou dar na minha irmã! Vou me certificar de que seja inesquecível.

Mas hoje de manhã eu chorei. Chorei porque senti essa onda gigantesca de emoções me acertar bem no meio do peito. Agora que vejo minha vida aqui na Polônia finalmente entrando nos eixos; agora que consigo entender o que está escrito nas plaquinhas de preços dos supermercados; agora que entendi por que o Álef tem que ir à pré-escola vestido de cor laranja num dia e levar um bicho de pelúcia no outro; agora que me acostumei a comer pepino em conserva e as pessoas do meu trabalho se transformaram nessa grande e unida família que somos, vou-me embora. Por um mês apenas, eu sei, porém não há como diminuir a mão-de-obra emocional que existe em você recolher todo um cenário de vida já estabelecido para substituir por outro. Desgasta. Mesmo porque cada pedacinho que a Polônia ocupa na gente e a gente nela foi conquistado não sem uma boa medida de dor.

Que bom que pude chorar entre amigos hoje de manhã. Eles me acolheram, me consolaram e me fizeram olhar essa viagem por um ângulo que eu não tinha visto ainda: nós – David, Álef e eu –  precisamos desse tempo no Brasil. Não só  por uma questão de saudade, mas de identidade. Reencontrar os nossos, tocá-los, senti-los e olhar em seus olhos permitirá que nós nos reconheçamos novamente, como acontece na história do pequeno cisne que acreditou ser um patinho feio até se ver no meio de outros cisnes. As pessoas que nos esperam no Brasil nos contam uma história – a nossa história –  e voltar para elas será relembrar as razões que explicam como nos tornamos quem somos, nos contextualizar dentro de uma narrativa mais ampla e nos reafirmar como filhos de uma terra. 

 


Mudaram as estações
Nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber que o pra sempre sempre acaba

Mas nada vai conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí então estamos bem

Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz

Estamos indo de volta pra casa

 


Luciana Mendes Kim sou eu. No momento, vivo como uma desbravadora de sonhos.  Tenho mergulhado cada vez mais no Sentido da Vida para conhecê-lo e me maravilhar com ele. Sou mãe de um menino fofinho e casada com um artista visual incrível. Um dia, com as minhas grandes amigas Talita e Carol, criei este blog charmoso e indagador das motivações da nossa alma.

Se você não impressionar, não merece ocupar espaço na vida dos outros

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Olhem essa foto aí em cima, tirada ontem pela Angélica, uma amigona minha, da janela do quarto onde ela se hospedava. Como você descreveria essa vista? Eu a descreveria como impressionante. Só. Mesmo porque impressionante já descreve tudo o que essa foto retrata: um cenário de beleza e harmonia tão fora do comum, que de tanta admiração que provoca, se confunde com uma espécie de reverência.

Eu estava bem ao lado da Angélica quando ela tirou essa foto. Então para mim, a experiência foi ainda mais intensa, uma vez que toda essa beleza se apresentava ali ao vivo diante dos meus olhos. Dentro de mim, a reverência era tão grande, que fechar as cortinas e sair da janela seria o mesmo que pecar.

Sermos impressionados é o que nos arranca da mesmice da realidade. É uma delícia quando somos pegos de surpresa por algum aspecto que excede em beleza, alegria, força, inteligência, eficácia, generosidade ou amor no outro ou no nosso entorno. Acho que é por isso que coleciono caleidoscópios. Quando o dia está chato demais, é só eu escolher um, rodar as pedrinhas coloridas lá dentro e pronto – o breve efeito das pedras nos jogos de reflexo já me mantém impressionada por alguns instantes.

Mas infelizmente, como costuma acontecer com toda a realidade temporal, aquilo que é bom sempre apresenta uma versão corrompida. Impressionar ou sentir-se impressionado pode se tornar um fim em si mesmo, logo, um vício. Porque pensem só: não é uma delícia se sentir arrebatado o tempo todo? Sem dúvida. Mas o perigo vai além quando impressionar e sentir-se impressionado começa, então, a ser a moeda de troca das nossas relações: quanto mais eu te impressiono, mais espaço na sua vida você me dará para ocupar. E, assim, a nossa fome e sede por existirmos, por sermos validados e, ainda mais urgente do que isso, por sermos amados nos tornam cobaias de qualquer proposta que prometa a nossa própria superação, numa versão pirateada do Übermensch proposto por Nietszche.

Mas qual é o problema de querermos impressionar? O que há de errado em querermos nos superar, melhorar, competir pra ganhar?

Dentro da minha perspectiva limitada das coisas, respondo que os problemas são dois: a transitoriedade das regras do jogo e o cansaço causado pelo próprio jogo.

Por mais que sejamos espertos, jovens, inteligentes, bonitos, ricos ou cheirosos, nosso recorde será sempre quebrado por alguém depois de nós. Mais cedo ou mais tarde, alguém mais esperto, jovem, inteligente, bonito, rico ou cheiroso vai te ultrapassar nessa corrida por validação. Não há como escapar disso, porque não há nada debaixo do sol que escape à morte – sua e de todas as coisas. Todas as realidades desta vida – as abstratas e as concretas – estão fadadas à corrosão do tempo e, consequentemente, ao desaparecimento. Portanto, manter as pessoas impressionadas é lutar contra o curso natural da vida. E travar essa luta diariamente pode ser extenuante.

Lembro-me de uma professora genial da faculdade, Professora Dina, que com mais de 60 anos de idade, chegava todos os dias à sala de aula impecavelmente maquiada, com unhas postiças bem longas, vestindo roupas elegantes e ostentando sempre um penteado bonito. Quando a elogiávamos por seu autocuidado, ela respondia com uma exclamação: é preciso se proteger da vida!

Admiro a perseverança que ela tinha para “se proteger da vida” e arrisco a dizer até que todo o seu esforço e investimento de tempo e dinheiro para manter-se assim tão elegante surtiam efeito – Professora Dina, de fato, impressionava, mesmo porque ela era, além de tudo, uma pensadora brilhante. Enquanto ela tivesse meios de se proteger da vida – fosse pela aparência ou pela inteligência -, seu espaço na vida das pessoas estava garantido.

Mas nem todo mundo é a Professora Dina (really?) e nem todo mundo impressiona. Pode ser que sejamos mais um na fila do pão, como diz minha amiga Talita. Aliás, talvez seja realmente na fila do pão que esteja a maioria de nós. Quando esse é o caso, quais são as nossas chances reais de impressionar e merecer?

É por isso que não acredito em amor que precisa ser merecido (me desculpem por vir direto para o amor, mas é nele que culminam todas as outras carências – validação, reconhecimento…). Porque se é por merecimento, se é pelo quanto conseguimos impressionar os outros, então a definição de amor nega o próprio amor e se torna o resultado de mais uma manipulação humana, portanto, elitizado – disponível apenas para alguns poucos felizardos.

Retorno à janela da paisagem lá em cima e reabro as cortinas. Reparo novamente naquele cenário. Sim, Alguém está tentando me impressionar. Alguém está querendo chamar a minha atenção para fora desse esquema sufocante das relações horizontais. E Ele me convida a olhar com atenção. A enxergar os detalhes e ser realmente surpreendida. Não, Ele não me pede para que eu o impressione de volta. Não há nada que possa impressioná-lo. Tudo já foi feito, Ele fez tudo. Apenas o que Ele quer é que eu olhe através daquela janela e contemple o que Ele fez. E com meu coração derramando de um deleite constrangido, sussurro:

Obrigada porque seu amor não depende do que eu faço. Para Você me amar, basta que eu exista. Não há merecimento, como não há desmerecimento. Você me impressiona, porque Você pode me impressionar, porque Você é Todo-Impressionante por si mesmo – o que vejo por esta janela é a prova disso. Assim, o que me resta fazer é deixar-me ser impressionada por Você todos os dias, sem fim. Peço apenas que sensibilize o meu olhar para isso, para que eu não perca nenhuma das demonstrações exuberantes do Teu amor por mim.


Luciana Mendes Kim sou eu. No momento, vivo como uma desbravadora de sonhos.  Tenho mergulhado cada vez mais no Sentido da Vida para conhecê-lo e me maravilhar com ele. Sou mãe de um menino fofinho e casada com um artista visual incrível. Um dia, com as minhas grandes amigas Talita e Carol, criei este blog charmoso e indagador das motivações da nossa alm

O nosso jeito de amar

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Sempre achei que o amor acontecesse de um jeito só – duas pessoas trocando experiências profundas sobre a vida e expressando, por carinho ou palavras, o quanto apreciam uma a outra. Foi assim que sempre acreditei que se amava e foi assim que sempre alimentei minhas expectativas em relação ao amor.

O problema foi que essa definição de como se ama se mostrou limitada e fez com que eu só me sentisse amada por pessoas parecidas comigo, que gostavam de falar sobre seus sentimentos, enquanto outras, que talvez me amassem também, escaparam do meu radar. Meu pai é o melhor exemplo disso. Ele foi (e ainda é) aquele pai trabalhador, provedor, que saía de casa às 6 da manhã para trabalhar e voltava só às 9 da noite. Criou cinco filhos assim, garantindo a eles comida e educação de qualidade. Era o jeito dele de nos amar.

Nunca compreendi o jeito do meu pai de me amar. Sempre esperei que ele me amasse do jeito que eu amava as pessoas: passando tempo com elas, conversando sobre seus anseios e sonhos, olhando em seus olhos e tocando sua mão. Por anos a fio, fiquei matutando jeitos de conquistar o amor do meu pai. O que nunca havia passado pela minha cabeça ainda era que o amor dele por mim sempre esteve ali, na forma das roupas que eu vestia, da casa gostosa em que eu vivia, no lençol cheiroso sobre o qual eu dormia. Eu nunca havia traduzido corretamente os sinais do amor do meu pai por mim.

O mesmo pode acontecer num relacionamento amoroso. Muita gente já leu e comenta sobre o ótimo livro As cinco linguagens do amor, de Gary Chapman. Considero-o um tesouro quando o assunto é ampliar as possibilidades de comunicarmos o amor, mas mesmo dentro das categorias que ele identifica – tempo de qualidade, palavras de afirmação, presentes, toque físico e serviço – existem nuances.

Pense em duas pessoas que valorizam o tempo de qualidade, por exemplo. Pode ser que uma delas ache que a intimidade está em abrir o coração, enquanto a outra se empolgue quando fala do trabalho. Conheço um casal, em que ela gosta de conversar sobre questões profundas, enquanto ele aprecia o simples fato de estar ao lado dela, mesmo quando estão em silêncio. Ambos demonstram o amor um pelo outro através da dedicação de seu tempo, mas cada um usa esse tempo de jeito diferente. Continuar nutrindo expectativas quanto ao modo “certo” de sermos amados significa insistir em cutucar uma ferida que talvez nem precisasse existir.

Venho fazendo esse exercício de descobrir como as pessoas amam e como se sentem amadas há pouquíssimo tempo. Chegar à conclusão de que cada um tem seu jeito de demonstrar amor tem me proporcionado cura, como a história que contei sobre o jeito de amar do meu pai. Eu nunca soube ler o amor dele por mim e só agora, depois de 37 anos, é que venho sendo alfabetizada dentro da linguagem dele. Tem sido uma jornada fascinante e divertida, que talvez um dia me torne fluente na língua mais sublime do universo.


Luciana Mendes Kim sou eu. No momento, vivo como uma desbravadora de sonhos.  Tenho mergulhado cada vez mais no Sentido da Vida para conhecê-lo e me maravilhar com ele. Sou mãe de um menino fofinho e casada com um artista visual incrível. Um dia, com as minhas grandes amigas Talita e Carol, criei este blog charmoso e indagador das motivações da nossa alma.

O meu corpo sou eu

Ele vem todo apaixonado, me fala o que quero ouvir de alguém

Me chama de canto e promete me amar aqui e além

Sem me avisar que promete o que não pode dar

Eu, que já vivi outros carnavais, desconfio

Mas como seria bom se fosse verdade

Curiosa e carente, eu entro no jogo

E me acho no controle da situação

Mas lentamente – de concessão em concessão,

Eu abro mão do não.

 

Então ele me ganha, me leva pra cama

Penetra o meu íntimo e é um com a minha alma

Depois se levanta, se veste e se vai

E eu me convenço de que estou satisfeita

De que não preciso dele

De que tive tudo o que quis

 

E os dias se passam e eu penso nele

Mando uma mensagem, ele não responde

Ele é casado, poliamor ou enrolado

Me dá um perdido, me deixa de lado

Mas quando está só, me procura de novo

E eu digo sim

Achando que é pão, quando me oferece migalha

 

Essa história de abuso e defraudação

É minha e sua

O meu corpo sou eu, eu sou o meu corpo

Não dá para fazer separação

 

O Amor que eu busco não é deste mundo

É incondicional e absoluto

Me fez para Ele e não negocia

Não dá desconto e não me compartilha

E eu, teimosa, insisto em fugir

Acho um escândalo um Amor altruísta assim

Porque na vida comi tanta migalha, que já não sei o que é um banquete.

 

meu corpo sou eu
“I was there with you, my child”, do meu marido David Kim

Luciana Mendes Kim sou eu. No momento, vivo como uma desbravadora de sonhos.  Tenho mergulhado cada vez mais no Sentido da Vida para conhecê-lo e me maravilhar com ele. Sou mãe de um menino fofinho e casada com um artista visual incrível. Um dia, com as minhas grandes amigas Talita e Carol, criei este blog charmoso e indagador das motivações da nossa alma.

Meu quarto escuro

Há algum tempo, meu marido tem lamentado a falta de amigos próximos. Como nos mudamos há pouco meses, ainda não deu tempo para ele – homem tímido que é –  construir vínculos novos e fortes. Mas como eu disse a ele, as amizades virão a seu tempo.

Entretanto, enquanto eu refletia nessas coisas com ele, percebi que, mesmo que comigo esteja acontecendo o oposto – tenho feito ótimas amigas aqui -, existe um ponto cego nessas relações, um lugar onde o olhar das minhas amigas, por mais sincero e atento que seja, não alcança. E é exatamente nesse ponto cego que me encontro hoje.

Penso que podem ser inúmeras as questões que nos levam para esse lugar de solidão: um complexo antigo, um segredo indigno, uma angústia sufocante, uma dúvida perseguidora. Fazemos uma lista mental de pessoas que talvez tenham o potencial de nos ajudar, mas vamos eliminando uma a uma, quando imaginamos as possíveis reações. Então, vamos nos encolhendo de vergonha e medo, até percebermos que estamos num quarto escuro, sem porta ou janela alguma.

Ao chegar nesse ponto da conversa com o meu marido, concluí: David, você tem buscado amigos e eu tenho muitas amigas, porém carregamos questões tão profundas, que só Deus é capaz de compreendê-las por inteiro. E é essa realidade que nos torna iguais neste momento da nossa vida.   

Minha dor oculta tem me compelido a buscar mais a Deus. E essa medida tem sido como cavar um túnel secreto o qual, esperançosamente, me levará para fora da prisão de mim mesma. Neste túnel, Deus tem sido o ar, a luz e a direção. Ele tem sido o meu único guia, o Todo-Suficiente. Não há intermediários, nem distrações. Somos eu e Ele, a poucos palmos de distância um do outro. E em temor e tremor, sigo cavando o meu túnel e insistindo, num sussurro: Deus, não me deixe desistir aqui dentro. Permita, por tua misericórdia, que eu alcance o outro lado.      

 

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Luciana Mendes Kim

Aprendendo a viver com saudades

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Hoje faz sete meses que nos mudamos do Brasil. E cada dia que passa sinto mais saudade.

No início,  eu sentia falta do pastel com caldo de cana e das festas infantis lotadas de brigadeiro. Depois, foi a vez dos lugares… a feira, a praia, a igreja, o bairro da Mooca. Aí então, foi a vez do contato virtual com os amigos e com a família, que se tornou insuficiente, e logo a saudade deles se instalou também.

Agora, sinto saudades de tudo e qualquer coisa relacionada ao Brasil. Ontem, por exemplo, passávamos de carro sobre um viaduto aqui da cidade e eu comentei com o meu marido: “E a Radial Leste, hein? Que saudade dela!”. Como resposta, recebi um olhar indignado.

E por que não volta para o Brasil? – ouço uma de vocês pensando.

Porque tenho aprendido cada vez mais que a saudade não se mata, mas se doma.

Quanto mais vamos amadurecendo, mais vamos tendo de lidar com a saudade. Afinal, nem sempre teremos como voltar para os braços daquilo de que sentimos falta. Às vezes é de um tempo que já ficou para trás, às vezes é de uma pessoa que não vive mais e, outras vezes, é de uma pessoa que vive, mas que hoje percorre caminhos distantes dos nossos.

Penso que o ponto crucial dessa história é exatamente este, quando encaramos a saudade de frente, olhos nos olhos, e, com um suspiro de rendição, desviamos o olhar.  É aí que sabemos: a saudade vai sempre fazer parte de quem somos.

Lidar com essa realidade – a presença constante da saudade – é como ter uma visita em casa que não sabe a hora de ir embora. Você quer achar um jeito de ela perceber que já ficou demais, mas você não sabe como fazer isso e, assim, ela vai ficando, ficando, até a gente perceber que ela não tem intenção nenhuma de ir embora. Nunca.

David e eu não temos planos de retornar definitivamente ao Brasil. Pelo menos, não a curto prazo. Logo, temos diante de nós uma escolha a ser feita: acolher a saudade e incorporá-la à rotina, ou então deixar que ela nos distraia da vida que aqui estabelecemos e nos leve para o mundo paralelo de um retorno idealizado.

Gosto da empatia que encontro em artistas, quando o assunto é saudade. Aliás, vou postar no final uma música de uma dupla britânica que eu adoro e cuja letra descreve com perfeição o sentimento de falta de uma pessoa a quem amamos. Entretanto, me sinto no dever de ir além: a saudade é dor, mas não é dor.

A saudade constante também é sinal de que nossa perseverança em favor das decisões já tomadas está sendo treinada. Ela também nos torna mais gratos por momentos e pessoas. A saudade, além disso, nos molda e nos ensina a atribuir valor ao que antes nos parecia banal. A partir dela, vamos percebendo que somos mais dependentes das pessoas do que julgávamos ser e que não podemos ter tudo e todos ao mesmo tempo, tampouco estar em tudo e com todos ao mesmo tempo. Logo, ela nos ensina sobre limitação e nos devolve a humildade, há tanto perdida no excesso de ego.

A essa contraditória e intrusa hóspede, uma definição poética e precisa da minha brilhante Clarice Lispector:

E é por isso que eu tenho mais saudades…
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

 

 

 

*A imagem no topo da página é de Aaron Burden


Luciana Mendes Kim sou eu. No momento, vivo como uma desbravadora de sonhos.  Tenho mergulhado cada vez mais no Sentido da Vida para conhecê-lo e me maravilhar com ele. Sou mãe de um menino fofinho e casada com um artista visual incrível. Um dia, com as minhas grandes amigas Talita e Carol, criei este blog charmoso e indagador das motivações da nossa alma.

Enxergando Deus em tudo

Quando uma amiga pede que eu a ajude em oração por algo, costumo dizer: vamos orar, sim. E depois, não se esqueça de prestar atenção nos sinais de resposta de Deus. 

Quando digo isso, não estou dizendo a ela que espere por sinais sobrenaturais, como uma luz ofuscante invadindo o quarto, ou um anjo se aproximando dela para entregar um bilhetinho da parte de Deus com a resposta. É olhar em volta mesmo e ver como Deus quer agir, responder, se revelar ou até nos ensinar, a partir daquilo que pedimos a Ele.

Essa forma de oração – uma conversa de mão dupla, em que Deus é também participante e não somente ouvinte (o que também não seria nada ruim, nessa era em que todo mundo quer falar e quase ninguém quer ouvir) – transforma radicalmente o nosso olhar para a realidade. Começamos a prestar mais atenção na nossa rotina e enxergar elementos “divinos” nela – no sentido de reconhecê-los como interferências de Deus.

Quando estamos interessadas em conhecer quem é Deus e Sua vontade para nós, começamos a perceber traços Dele em cada detalhe da nossa vida.

Conseguimos enxergá-lo nas janelas com venezianas

Quando visitei a Polônia pela primeira vez, onde moro hoje, o meu filho de quatro anos estava com muita, mas muita dificuldade de dormir. Motivo? Era verão e aqui, no verão, o sol só vai embora às 10 da noite. Ou seja, enquanto estava claro, ele achava que era dia e não fechava os olhos de jeito nenhum!

Mas por que você não fechou a janela??

Pois é, a solução teria sido simples, se as janelas aqui tivessem venezianas. Mas a maioria não tem.

Antes de nos mudarmos para a Polônia, oramos bastante, inclusive por um lugar para morar. Fizemos uma boa busca em sites especializados em aluguel de imóveis e qual não foi a minha surpresa quando, no primeiríssimo apartamento que visitei, me deparei com o quê?? V.E.N.E.Z.I.A.N.A.S  nas janelas! Até a porta de vidro para a sacada tinha veneziana. Em outras palavras: quando as venezianas estão fechadas, o apartamento fica mergulhado num breu absoluto.

Saquei na hora o que estava acontecendo: era Deus nos mandando um recado muito amoroso, mostrando que aquele era o lugar preparado por Ele para nós. E cá estamos.

Conseguimos enxergá-lo na mãe de um amigo da escola do nosso filho

Ainda sou um bebê quando o assunto é a língua polonesa. Sei dizer meu nome, minha idade e palavras soltas.

Agora tente imaginar a minha situação numa reunião de pais na escola do meu filho. Uma hora e meia fazendo esta cara:  emoji. Difícil!

Na última reunião que tivemos, o jeito que achei de entender foi gravar tudo e, dias depois, pedir para uma alma polonesa bondosa traduzir pra mim.

Há umas três semanas, uma mãe da escola entrou em contato comigo do nada, se apresentou e começou a explicar como o conselho de pais funcionava e mais um monte de detalhes de tudo que eu não havia entendido até aquele momento. Descobri por ela que tem um dia em que as crianças levam um bicho de pelúcia, outro dia em que vai ter uma festa que os pais precisam ir também e outro dia ainda em que é preciso pagar pelos materiais de arte.

E se ela não tivesse aparecido na minha vida e me explicado tudo isso? Saquei pela segunda vez: era Deus de novo.

Conseguimos enxergá-lo no carro 

Não viemos para a Polônia “em busca de uma vida melhor”. Aliás, o motivo pelo qual estamos aqui não nos proporciona a facilidade de adquirirmos um carro.

O problema é que já estamos vivendo um clima de inverno (ontem à noite nevou) e quem tem criança não deseja exatamente ficar com ela parada no frio, esperando o ônibus para a escola. Porém, como já contávamos com isso, investimos em roupas quentinhas para nós todos.

Mas o que não esperávamos de jeito nenhum aconteceu mesmo assim: uma família brasileira que também mora aqui e de quem somos amigos foi viajar para o Brasil por três meses e entregou a chave do carro deles na nossa mão, para o usarmos até fevereiro de 2019!

Desta vez, nem oração eu tinha feito. Deus não fica esperando a nossa oração para agir com amor. Ele vem e cuida de nós assim mesmo, sem nem termos pedido nada.

Deus não é o gênio da lâmpada e nem sempre dá o que pedimos da forma como pedimos. Mas uma coisa é certa: Ele SEMPRE nos responde. E essa resposta pode vir de diversas maneiras, por isso precisamos estar atentas aos sinais.

Existe ainda um passo além a ser dado, que requer atenção aos detalhes, àquelas mínimas coisas, nas quais a nossa limitação ainda nem permitiu que pensássemos. Basta reparar nelas, que você vai encontrar Deus também ali.

 

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Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito?
Salmo 116.12

 


Luciana Mendes Kim sou eu. No momento, vivo como uma desbravadora de sonhos.  Tenho mergulhado cada vez mais no Sentido da Vida para conhecê-lo e me maravilhar com ele. Sou mãe de um menino fofinho e casada com um artista visual incrível. Um dia, com as minhas grandes amigas Talita e Carol, criei este blog charmoso e indagador das motivações da nossa alma.

Por que voltei a tingir meus cabelos brancos

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Sete meses sem tingir os cabelos

 

Esta semana vou voltar a tingir o meu cabelo. Depois de sete meses deixando os fios brancos nascerem e aparecerem, desisti de continuar a ver minha cabeça embranquecer aos poucos. Quando comuniquei minha decisão para o meu marido, ele perguntou: e o que você vai dizer para as leitoras e os leitores da série ‘Fio de Prata’ do blog? Respondi que eu diria a verdade:

  1. Vou tingir os cabelos, porque a transição de um cabelo com cor para um cabelo branco tem implicações dolorosas de encarar

Isso é fato. Ocupo-me mais pensando na minha vida avançando no tempo quando vejo o branco dos meus fios do que quando eles estão disfarçados na tintura. Penso, me comparo com pessoas mais novas do que eu, lembro-me da morte. Não acho que temos que nos sentir lindas, jovens, cheirosas e felizes o tempo todo – mas me sentir sempre rumo ao envelhecimento também não tem me feito bem.

  1. Vou tingir os cabelos, porque necessito da aprovação de outras pessoas

Não posso negar que um dos fatores, que me deram força para não tingir o cabelo branco nesse tempo, é que deixá-los ao natural tem se tornado uma tendência cada vez mais forte entre as mulheres. Olha só o que eu disse: tendência. Eita palavrinha tentadora! Quando um comportamento vira tendência, nos sentimos mais confortáveis para adotá-lo, não? Afinal, ele denota mais aceitação entre um maior número de pessoas agora do que antes. Assim, ao olhar para dentro de mim e perceber que ainda busco aceitação e aprovação, perguntei a mim mesma: por que eu deveria continuar a agir como se não precisasse dessas coisas? Afinal, a mensagem que eu buscava passar para os outros ao deixar de tingir os meus fios brancos é que eu não precisava agradar ninguém mais, além de mim mesma. O triste é que nem a mim mesma eu estava agradando.

  1. Vou tingir os cabelos, porque minha atitude está envelhecendo

Muita gente com cabelos brancos por aí é super bem resolvida, jovem, moderna, linda. Nunca me esqueço da inveja que senti de uma mulher no cinema, com seus 45 anos mais ou menos, cheia de presença e cabelos brancos assumidíssimos. E uma asiática então, em quem fiquei reparando uma vez num café coreano? Ela tinha cabelos bem longos, lisos e cinzentos. Parecia um ser élfico vindo direto dos livros do Tolkien. Exótica e deslumbrante.

Para mim, porém, os cabelos brancos têm exercido um efeito contrário: em vez de me empoderarem (detesto esta palavra, mas não achei outra melhor), me atrofiaram. Vi que comecei a me esconder das pessoas, a evitar lugares em que temos que nos arrumar muito, a evitar aparecer para conhecidos que não encontro há muito tempo. Minha autoconfiança foi sendo minada e eu, que já moro no meio do mato, fui me isolando cada vez mais, com vergonha de assumir que minha juventude está indo embora. Fui desenvolvendo uma “atitude envelhecida”, que vai muito além de um simples punhado de cabelos brancos na cabeça, é verdade, mas que acabou sendo desencadeada por eles.

….

Ao mesmo tempo que pondero sobre tudo isso, preciso admitir quão profundo fui nas reflexões que fiz durante esses meses, em que deixei meus cabelos brancos aparecerem. Uma das conclusões a que cheguei é quão falho, superficial e ridículo é o estereótipo de beleza que nos move. Pior ainda é me ver tão presa a ele. Aí, então, vejo Deus, escolhendo aqueles que escapam totalmente aos estereótipos de beleza das épocas e os honrando lindamente (sendo Davi o mais famoso exemplo, resumido no livro bíblico de 1 Samuel, capítulo 16, verso 7) e me encanto.

Se quero me libertar dos estereótipos um dia? Quero muito! Contanto que isso não signifique autotortura. Não quero forçar uma situação, um estado de espírito, um desprendimento, só porque pareço cool assim. É hipocrisia. Tenho estado aberta para Deus trabalhar em mim a aceitação da passagem dos anos e da juventude, mas que Ele faça isso à maneira Dele, à medida em que vai me mostrando o Ser fascinante que é. Que nesse caminho para o envelhecimento, Deus me dê a mão Dele e, gentil como só Ele sabe ser, vá me conduzindo com Seu carinho e tranquilidade.

 


Luciana Mendes Kim sou eu. Mas, depois de um certo tempo, pode me chamar de Lu. Amo algumas pessoas bem conhecidas (a Clarice Lispector e o Wim Wenders, por exemplo ) e outras tantas do meu convívio. Amo também ler ficção, ver filme parado, dançar música eletrônica, tomar chá com amigos queridos e ir ao Sesc com marido e filho. Um dia, conheci a Carol e a Talita e, juntas, criamos o Santa Paciência.

Casa nova e alma nova

Acabo de me mudar de casa. Esta é a primeira das três mudanças previstas para nós em 2018 (um dia explico melhor essa história). Numa conversa que tive com a Carol Selles sobre isso, ela desabafou: detesto me mudar. Tive que concordar com ela, também detesto, mas talvez a gente não goste de se mudar porque acumulamos coisas demais, que depois nos dão um trabalhão para serem empacotadas e transportadas para o novo lugar. Se tudo o que temos coubesse numa modesta malinha, nosso desânimo para mudanças talvez não fosse tão grande.

No nosso caso, o meu desânimo não vem apenas da ideia de transferir um monte de coisas de um endereço para outro. Tudo aquilo que acumulamos ao longo do tempo e que não serve mais não vai simplesmente para o lixo e pronto. Separamos entre aquilo que iremos doar e aquilo que iremos vender daquilo que iremos descartar. No descarte, separamos entre o que é reciclável e o que não é. Também tem os eletrônicos: aparelhos velhos de celular, baterias que não funcionam mais, carregadores antigos. Tudo isso precisa encontrar um destino certo, que, definitivamente, não é uma lata de lixo comum. E os remédios vencidos então? Seguem todos para uma sacola específica, que será encaminhada para uma drogaria em São Paulo, que os recolhe e os descarta da forma correta. Sem falar das lâmpadas queimadas… também precisam encontrar seu destino certo, porque as fluorescentes, por exemplo, possuem mercúrio dentro, ultra tóxico e, portanto, não podem ser jogadas em qualquer lugar. Assim, mudar de casa se torna algo bem mais complexo do que “só” empacotar tudo e partir. É um ato de responsabilidade como administradores daquilo que acumulamos com o passar do tempo (aliás, aqui neste site, você encontra para onde encaminhar tudo quanto é coisa).

Da mesma maneira que mudar de casa, mudar por dentro, como pessoas, também pode nos dar uma preguiça enorme. Às vezes, é o excesso de opiniões formadas sobre as coisas que nos impede de mudar. Outras vezes, são os ressentimentos, as preocupações com o futuro e, definitivamente, os preconceitos. O orgulho, então! Esse não deixa a gente nem cogitar qualquer transformação.

Esse acúmulo de sentimentos pesados vai nos inchando, a ponto de não conseguirmos nos mover em nenhuma direção. Ficamos inflados de nós mesmos e nos acomodamos, esperando que o mundo gire em torno de nós.

Paulo, apóstolo de Jesus, nos orienta a não nos acomodarmos com essa forma de ver as coisas, mas sugere que renovemos a nossa mentalidade, a fim de experimentarmos o ponto de vista de Deus. Como resultado, esse novo olhar vai transformando a nossa vida (essas referências você pode encontrar na Bíblia, no livro de Romanos, capítulo 12, verso 2). Ou seja, para que novos ares possam entrar nos pulmões da nossa alma, precisamos deixar de acumular os sentimentos prejudiciais ao nosso crescimento, abrindo mão deles e adquirindo uma perspectiva que supere o que é finito, transitório e superficial.

Paul Tournier, médico e psicólogo suíço que se dedicou ao cuidado integral de seus pacientes, escreveu em seu livro Culpa e Graça:

Na verdade, ninguém pode se despojar do espírito de julgamento por meio de um esforço voluntário. Enquanto eu fico obcecado pelo erro descoberto em um amigo, que me chocou e que eu reprovo, posso repetir infinitas vezes: “eu não quero julgá-lo” – mas o julgo mesmo assim. Ao passo que o espírito de julgamento desaparece sozinho no momento em que tomo consciência dos meus próprios erros e falo deles com franqueza ao meu amigo, enquanto ele me fala das faltas que reprova em si mesmo. (p. 101)

O julgamento citado por Tournier é apenas um dos itens, que podem fazer parte da nossa pesada bagagem emocional e que nos impedem de mudar por dentro. Existem muitos outros, que nos sobrecarregam e nos deixam cansadas e indispostas. Pense na inveja, por exemplo. Minha amiga Dalila Parente disse uma vez, num encontro de mulheres, que a comparação que a inveja provoca não funciona de nenhum dos lados: se me sinto superior à pessoa com quem me comparo, isso é ruim e, se me sinto inferior, isso também é ruim. A conclusão a que chegamos aquele dia foi que a via mais saudável de todas é resistir a qualquer tentação de nos compararmos com outras pessoas. Desafiador, não?

Mas para onde encaminhar os sentimentos ruins, mas inevitáveis muitas vezes, que nutrimos e que nos impedem de mudar?

Assim como o lixo que acumulamos em nossa casa com o tempo, que pede um encaminhamento adequado na hora da mudança, os sentimentos negativos que emperram nosso crescimento pedem o destino da confissão. Apresentá-los a Deus sem reservas, em uma oração, pode ser o primeiro passo para que eles percam a força de ação em nós. Jesus, por sua vez, não irá julgá-los como juram alguns, mas perdoá-los, ou seja, levá-los para bem longe Dele e de você. É alívio instantâneo.

Em um segundo momento, entra em cena o processo. Assim como a borboleta, que passa pela metamorfose, nós também passamos a viver uma transformação em etapas. Ficamos conscientes dos sentimentos nocivos e, quando eles se apresentam, a gente às vezes consegue detectá-los a tempo de não nos deixar ser dominadas, outras vezes não. Quando não conseguimos, basta nos jogarmos nos braços de Deus de novo e de novo, quantas vezes forem necessárias.

Para cada um de nós, um insucesso pode se tornar a oportunidade de uma reviravolta sobre si mesmo e de um encontro pessoal com Deus.
(Paul Tournier em Culpa e Graça, p. 141)

Só olhando para dentro de nós com sinceridade é que descobrimos o que temos acumulado, que tem nos impedido de mudar. Nesse ato de humildade, uma transformação interior não representará mais um ideal inalcançável para nós ou uma expectativa secreta dos que se relacionam com a gente, mas se tornará um processo possível, genuíno e rico de aprendizados.

 

ENSEE
Arte de Ensee

 


Luciana Mendes Kim sou eu. Mas, depois de um certo tempo, pode me chamar de Lu. Amo algumas pessoas bem conhecidas (a Clarice Lispector e o Wim Wenders, por exemplo ) e outras tantas do meu convívio. Amo também ler ficção, ver filme parado, dançar música eletrônica, tomar chá com amigos queridos e ir ao Sesc com marido e filho. Um dia, conheci a Carol e a Talita e, juntas, criamos o Santa Paciência.