Sobre o Santa Paciência

“Estamos engasgadas, né Lu?” – foi a frase que ouvi da Carol e que me concluiu com exatidão. Desde que comecei a me interessar e a pesquisar sobre o feminismo, percebi duas coisas: 1ª. o tema do feminismo é inexistente no meio cristão; 2ª. o cristão é abominado pelas feministas. Várias vezes, fechei a tela do computador com a grande dúvida: por que não existe diálogo entre esses dois mundos, se cada um deles orbita em torno de sóis totalmente distintos (numa análise primeira e rasa)? A razão é simples, só que não: puro pré-conceito.

As referências aos cristãos ou ao cristianismo em geral, feitas por feministas de blogs movimentados, são baseadas em clichês e estereótipos, e beiram absurdos como: “feminismo não é um livro de regrinhas que impede você de fazer coisas legais. O nome disso é cristianismo, feminismo é outra coisa”. Hã? Alguém pode me explicar sobre o que ela está falando? Quer dizer então que cristão não pode saltar de parapente, viajar pra Londres, fazer yoga, nem ir ao teatro? Porque essas são coisas legais que eu, cristã desde criancinha, faço ou sonho em fazer ainda nesta existência e ninguém nunca me impediu.

Depois dessa, me deparei com outra asneira de igual tamanho, que propunha que o cristianismo e o feminismo fizessem as pazes (quando foi que brigaram?) e, como suporte para seu argumento quero-ser-cool, soltou: “Eu sei e muitas de nós sabemos que as doutrinas do cristianismo ainda são baseadas na Bíblia”. Brilhante o seu raciocínio, hein querida? Pensar em um cristão sem considerar a Bíblia é a mesma coisa que pensar em um sanduíche sem o pão: simplesmente não é um sanduíche. E é por essas e por outras pérolas, que a Carol – coautora deste blog, junto comigo e com a Talita – acertou em cheio quando reconheceu o nosso engasgo.

Não, ser cristã não é ser lobotomizada, alienada, mal instruída ou tchonga. E, sim, também acreditamos e defendemos o respeito, os direitos e a liberdade da mulher com o mesmo afinco e com o mesmo cérebro de todas as demais feministas. E é por essas e por outras, que o Santa Paciência nasceu, para dar voz a mulheres cristãs, que querem contribuir na reflexão sobre o feminino, a feminilidade e sobre o que mais nos vier à cabeça, sem limites, sem tabus e sem preconceitos.

Ah, e já vamos avisando: os nossos argumentos serão baseados na Bíblia. Contamos com a sua santa paciência. ;-)

 


Luciana Mendes Kim é graduada em Letras, tem mestrado em Literatura Brasileira e é uma das idealizadoras do Santa Paciência.

 

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