Tudo é sério na vida

Ilustração de Brunna Mancuso

Estou aprendendo a viver uma espiritualidade integral – tentando não mais separar o espiritual do ordinário. Racionalmente eu sei que essa separação entre o sagrado e o profano não existe e para algumas áreas da vida fica fácil identificar essa dicotomia e viver integralmente essa verdade. Mas para outras áreas da minha vida já não posso dizer o mesmo… Vira e mexe me pego caindo na cilada em fatiar a minha vida de um jeito que acabo diminuindo esse Deus que é tão gigante – achando que Ele não se importa, ou pior, que Ele não pode resolver um “problema” que aos meus olhos parece impossível de ser resolvido.

Não sei quando começamos a achar que Deus não ouve ou não se importa com as coisas simples, triviais e corriqueiras de nossas vidas. Ou a achar que determinadas funções são mais espirituais do que outras. Se tudo procede dEle, foi criado e permitido por Ele, como algo poderia ser considerado menos importante por Ele mesmo?

No livro Aventuras na Oração de Catherine Marshall (a Luciana já falou sobre esse livro neste post), Catherine discorre sobre vários tipos de oração e traz de forma leve o poder e a simplicidade da oração.

Recentemente uma amiga relatou-me o seguinte incidente. Sua filha, Elizabeth, arranjara um emprego para o verão, a fim de conseguir o dinheiro necessário para custear suas despesas na faculdade. Sua tarefa era preparar embalagens de carne para o balcão frigorífico de um supermercado. Certo dia, pouco antes de sair para o trabalho, Elizabeth deu pela falta de uma de suas lentes de contato. E embora sua mãe a auxiliasse na busca, não encontrou a lente em parte alguma.

Após a moça haver saído para o serviço, usando os óculos, a mãe assentou-se para tomar uma xícara de café, ponderando a respeito do problema. Havia milhares de cantinhos onde aquela fina escama de plástico poderia ter caído. Então ela pensou: “Será que devo orar a respeito disso? Ou será que o problema é trivial demais?” Esta amiga, Tib Sherrill, tinha enorme aversão a orações que tratam o Criador do universo como se ele fora um garoto de recados ou como um Papai Noel celestial.

Mas Tib sabia que Elizabeth precisaria gastar a quarta parte do salário para adquirir outra lente, e a moça contava com esse dinheiro para despesas na faculdade. Isso significaria também mais uma semana de desconforto no salão refrigerado onde ela trabalhava e mais dedos queimados no arame quente da máquina de embalar.

Acudiu-lhe à mente, então, a parábola que Jesus narrara acerca da mulher que procurara uma moeda de prata perdida — um objeto valioso. (Lc 15.8-10)

“Esta história revela”, pensou consigo mesma, “que Jesus se importa com tais coisas, não porque sejam importantes em si mesmas, mas por que o são para nós.

“Está bem, Senhor”, concluiu ela, “nós precisamos do teu auxílio nesta questão. Podes mostrar-me onde está a lente?”

Sem qualquer razão plausível, ela se levantou e encaminhou-se para o banheiro. Abaixou-se e correu os dedos cuidadosamente pela superfície peluda do tapete. Nada!

Ergueu-se de novo e olhou para a pia.

“Bem”, pensou, “pode ter caído aqui e descido pelo cano.”

Levantou o ralo cromado para olhar dentro do cano. E ali, bem na ponta do pino central do ralo achava-se a lente desaparecida, agarrada no metal como uma gotícula de água. A primeira vez que alguém abrisse a torneira, ela seria levada embora.

“Transcorrera menos de um minuto desde que eu fizera aquela oração na cozinha”, contou-me ela. “E eu poderia ter procurado em todos os lugares, mas nunca me ocorreria retirar aquela peça.”
Capítulo Um – Orar é Pedir

É verdade, nós não sabemos orar e é Deus que também nos capacita para conseguir tal proeza. Obrigada Espírito Santo por me ajudar a pedir aquilo que eu mais necessito, mas obrigada também a me ensinar a pedir pelos meus sonhos mais inusitados ou pelas minhas queixas, aparentemente, banais. Obrigada por me ensinar a agradecer pela geleia de frutas vermelhas, pelo chá de hibisco e pelo netflix. Pois, como já disse Tomás de Kempis em Imitação de Cristo “Tudo é sério na vida”, e como é bom saber que o Senhor é senhor de TODA a minha vida – não apenas de uma ou outra área qualquer. Você me sustém de maneira sobrenatural.

 


Carolina Selles é apaixonada por cores, histórias e sabores, é designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Melancólica, sim, mas ganhando um novo olhar sobre a vida

Desde que me conheço por gente, sou guiada pela melancolia – a tendência de enxergar a metade vazia do copo, o lado pessimista das coisas e por aí vai. Nunca estou completamente satisfeita com as circunstâncias. Se por um lado a melancolia tem seu lado bom, pois abre portas para uma reflexão detida sobre questões existenciais, por outro, faz de mim uma pessoa difícil de agradar… e de conviver. Me identifico muito mais com a personagem Tristeza – linda e fofa e de óculos (eu também uso óculos) –,  do filme Divertidamente, do que com Alegria (sempre tão positiva sobre tudo o tempo todo, que chega a cansar a gente, rs). A boa notícia, porém, é que esse descontentamento que sempre matizou todos os aspectos da minha vida tem sido cada vez mais raro e devo isso ao processo de transformação espiritual, pelo qual venho passando há pouquíssimo tempo.

Tudo começou em janeiro deste ano, há um mísero mês somente, quando vi que minha única saída para não estragar meus relacionamentos, minhas escolhas e minha vida de modo geral seria abandonar alguns vícios, que por tempo mais do que suficiente vinham me acompanhando. Eu já havia feito quase tudo: já tinha sido paciente comigo mesma, aguardando aquela mudança lenta do tempo, do amadurecimento; já havia respeitado o meu ritmo; perdoado as muitas recaídas; mudado de casa, de cidade… e nada me curava de vez. Até que eu fiquei conhecendo os escritos de Catherine Marshall, uma escritora cristã que primeiro ficou famosa porque se casou com um pastor americano conhecido, lá atrás, nos anos 40, depois porque seus livros começaram a vender bastante. Numa conversa com a minha mãe, ela me contou que tinha uns livros da Catherine Marshall guardados numa caixa e eu fui correndo lá pescá-los, esbaforida de ansiedade, como alguém que escava exatamente o quadrado onde está escondido o tesouro. Encontrei ali dois livros dela e nem esperei chegar em casa para começar a leitura deles. Um é sobre a oração (por isso que meus posts andam tão “monotópicos” ultimamente, rs) e outro sobre o Espírito Santo. No livro sobre a oração, ela discorre sobre algumas orações que às vezes desejamos fazer, mas que não sabemos como, porque encontramos dificuldade em identificar a nossa real necessidade. Assim, ela vai delineando cada tipo de oração possível e a gente, à medida que avança na leitura, vai identificando qual espécie de oração expressa melhor para Deus aquilo de que tanto necessitamos (sim, Ele sabe tudo de que precisamos, mas a oração é uma prática que exercita nossa confiança em Deus, nossa intimidade com Ele e nosso conhecimento Dele).

Depois que terminei o livro sobre a oração da Catherine Marshall (o outro ainda estou lendo), parti para os escritos de outra mulher, a francesa Jeanne Guyon. Essa aí é uma das pérolas mais raras e incríveis de todas as galáxias juntas de todos os tempos de toda a história de tudo o que existe! Pois é, parece exagero, mas não é. Cristã vivida no século 17, Madame Guyon, como ficou conhecida, desenvolveu um relacionamento com Deus tão, mas tão profundo, que você chega a ficar com brilho nos olhos de pensar que, mesmo habitando um corpo limitado, é possível chegar tão perto assim de Deus e viver feliz da vida com Ele, mesmo passando por um monte de sofrimentos (como foi o caso dela). Li a autobiografia dela e agora estou lendo um guia de oração que ela escreveu, chamado Experiencing the Depths of Jesus Christ (Experimentando as profundezas de Jesus Cristo através da oração). Nesse livro, ela vai mostrando, passo a passo, como podemos encontrar Deus no centro de nosso ser, onde Ele habita.

O que tem me deixado tão maravilhada nessas duas autoras não se deve apenas ao fato de serem mulheres incríveis e espiritualmente fortes, mas principalmente ao fato de apontarem para a Fonte de toda a sua força, alegria e brilhantismo. Os textos delas – sempre apoiados nas Escrituras – deixam a gente com água na boca para chegar rasgando o coração na presença de Deus. Dá muita vontade de viver aquilo tudo e aí você acaba colocando em prática as orientações delas para essa experiência e vê que é tudo verdade! O nível de espiritualidade e intimidade com Deus da Madame Guyon, por exemplo, pode deixar a gente – meras iniciantes no assunto – um pouco desanimadas a princípio, mas resolvi que qualquer passo que eu der em direção a Jesus é lucro, mesmo que sejam passos de bebê. Assim, Madame Guyon se tornou para mim uma referência de onde é possível chegar nesta vida em termos de amizade e paixão por Jesus. Lindo demais!

Mesmo que eu ainda tenha a tendência de ver tudo cinza (afinal, essa sou eu), a experiência da oração tem me levado a conhecer melhor quem é Deus e isso tem sido, definitivamente, revigorante. Um exemplo disso aconteceu ontem mesmo, de madrugada, quando despertei do sono e fiquei rolando de um lado para o outro da cama, pensando em alguns gastos que terei logo mais, sem saber se teremos ou não recursos para isso. Claro que o pensamento vencedor foi: “Não vamos ter dinheiro! Não vamos ter dinheiro!”. Resultado: desatei a chorar. Mais tarde, quando fui falar com Deus sobre isso em oração, Ele me tranquilizou, respondendo que era na calma e na confiança que estariam a minha força e a minha salvação (Isaías 30.15, Bíblia). O fardo foi, então, retirado das minhas costas. Sorri.


Por isso, nunca ficamos desanimados. Mesmo que o nosso corpo vá se degastando, o nosso espírito vai se renovando dia a dia.
(2 Coríntios 4.16 )

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Luciana Mendes Kim trabalha como educadora, é amante da literatura, sonha um dia escrever livros e aprender a tocar acordeão. É também uma das idealizadoras do Santa Paciência.

A arma da alma

Imagine você, ao ler num jornal sobre o assassinato de uma criança em São Paulo, se ver tão chocado, mas tão chocado, que decide ir conhecer a quadrilha que fez isso para levar até eles uma mensagem diferente, de amor, para que eles se arrependam e mudem de atitude? Louco, não? Pois um norte-americano, chamado David Wilkerson, fez exatamente isso. Abalado com a notícia de um crime odioso cometido por gangues em Nova Iorque, ele se mudou para lá com seu carro velho e sem um tostão no bolso. Ali, começou um trabalho com essas gangues e, ao apresentar Jesus a elas, mudou o cenário de violência de muitas daquelas ruas. A arma mais potente usada por Wilkerson? O hábito da oração.

Quando ouvi essa história, sentada num banco da suntuosa Catedral Metodista de São Paulo, senti que eu estava passando pela vida sem provar de uma parte deliciosa e espetacular dela, que só a oração poderia proporcionar, uma vez que só a oração consegue construir a ponte entre aquilo que a gente vê e aquilo que a gente não vê. Percebi que eu estava vivendo apenas para aquilo que vejo e isso era pouco pra mim.

Ontem recebi nos meus e-mails uma reflexão escrita pelo monge holandês Henri Nouwen, que sugere uma mudança ousada, envolvendo a troca de nossos pensamentos constantes por oração constante. Olha só a proposta dele:


Nossa mente está sempre ativa. Nós analisamos, refletimos, sonhamos acordados ou simplesmente sonhamos. Não há nenhum momento, de dia ou de noite, em que não estejamos pensando. Dizemos que o nosso pensar é “incessante”. Às vezes o nosso desejo é parar de pensar um pouco; isso nos pouparia de muitas preocupações, sentimentos de culpa e medos. Nossa habilidade de pensar é um dos nossos maiores dons, mas também é a fonte de nossas maiores dores. Será que temos que nos tornar vítimas de nossos pensamentos incessantes? Não. Nós podemos converter nosso pensar constante em um orar constante, fazendo com que nosso monólogo interior se torne um contínuo diálogo com nosso Deus, que é a fonte de todo amor.
Vamos romper com nosso isolamento e perceber que Alguém, que mora no centro de nosso ser, quer ouvir com amor a tudo o que ocupa e preocupa a nossa mente
.

Essa proposta soa tão simples que nem parece real. Mas quando o assunto é Deus, por meio de Jesus, é tudo assim direto e reto mesmo. Se a nossa mente fosse só uma fábrica de ideias (boas), ela seria perfeita. O problema é que a nossa mente também julga as pessoas, distorce a verdade e interpreta erroneamente os fatos. Aí se estabelece o inferno. Como escreveu C.S. Lewis:

Durma. Afaste-se por algumas horas de todos os tormentos que forjou para si mesmo.

Imagino Henri Nouwen revisitando a citação de Lewis:

Ore. Afaste-se para sempre de todos os tormentos que forjou para si mesmo.

Libertador.

A partir do dia em que ouvi sobre a história de Wilkerson com aquelas gangues em Nova Iorque, comecei a orar mais vezes, por mais tempo, e até um livro que fala só sobre a oração eu comecei a ler. Descobri que a oração pode ser de vários tipos, tomar várias formas e alcançar todas – literalmente todas – as dimensões da nossa existência. Estou adorando me aventurar nos caminhos transformadores que a oração tem aberto à minha frente: sinto mais alegria no coração, relaxo mais, não tenho brigado com meu marido por picuinha (aliás, as picuinhas são completamente exterminadas da vida de quem se conecta à Fonte de todo amor por meio da oração), meus vícios se tornaram menos atrativos e ando mais satisfeita com o modo que Deus me criou, tanto por fora como por dentro. A oração é um estilo de vida, um hábito saudável e feliz ao mesmo tempo (como uma dieta com direito a doces), um hidratante para almas ressecadas.

 

É isto que precisamos redescobrir nesta era de perplexidades:

como recorrer ao Pai.

Catherine Marshall

 

 

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Retrato em aquarela, por meu marido David Kim

 


Luciana Mendes Kim trabalha como educadora, é amante da literatura, sonha um dia escrever livros e aprender a tocar acordeão. É também uma das idealizadoras do Santa Paciência.

A crítica e nossa dependência de enxergar através de lentes negativas

catherine_marshallAcabei de ler um trecho escrito por Catherine Marshall* e fiquei com muita vontade de compartilhá-lo (essa publicação foi postada originalmente aqui). Aparentemente, ela era uma pessoa muito crítica e que não pensava duas vezes em falar sua opinião com julgamentos, censuras e desaprovação para quem estivesse em volta.

Sendo cristã, um belo dia, o Senhor lhe pediu para fazer um jejum de crítica, a seguir, traduzo o trecho no qual ela conta essa história.

“O Senhor continua a lidar comigo em relação ao meu espírito crítico, me convencendo de que tenho estado errada ao julgar qualquer pessoa ou situação:

Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque sereis julgados pelo critério com que julgais e sereis medidos pela medida com que medis’ (Mateus 7:1–2)

Em uma manhã, na última semana, Ele me deu uma tarefa: por um dia eu faria um ‘jejum’ de julgamento crítico. Eu não criticaria ninguém sobre nada.

Minha mente encheu-se das objeções usuais: ‘Mas, então, o que acontece com os juízos de valor? O Senhor mesmo fala de ‘julgamento correto’. Como uma sociedade vai funcionar sem padrões e limites?

Toda resistência foi posta de lado: ‘Somente me obedeça sem questionar, um jejum absoluto de declarações críticas durante um dia.’ Enquanto eu ponderava essa tarefa, eu percebi um pouco de humor nesse tipo de jejum. O que o Senhor queria me mostrar?

Na primeira metade do dia, eu simplesmente senti um vazio, quase como que se eu tivesse sido apagada como pessoa. Isso foi especialmente verdade na hora do almoço com meu marido, Len, minha mãe, meu filho Jeff e minha secretária Jeanne. Muitos assuntos surgiram sobre os quais eu tinha, definitivamente, uma opinião. Eu ouvi a todos e me mantive em silêncio. Comentários farpados ficaram na ponta da minha língua. Em nossa família tagarela, ninguém pareceu notar.

Confusa, eu notei que não sentiram falta de meus comentários. O governo federal, o sistema jurídico e a igreja poderiam, aparentemente, continuar muito bem sem minhas observações penetrantes. Mas, ainda assim, eu não tinha enxergado o que esse jejum de críticas tinha alcançado — até o meio da tarde.

Por muitos anos, eu tenho orado por um jovem muito talentoso cuja vida foi desviada. Talvez, as minhas orações por ele tenham sido muito negativas. Naquela tarde, uma visão específica e positiva sobre a vida dele foi colocada em minha mente com uma inconfundível marca de Deus — alegria.

Ideias começaram a fluir de um jeito que eu não experimentara em anos. Agora era nítido o que o Senhor queria que eu visse. Minha natureza crítica não corrigiu uma única coisa da multidão na qual eu vejo erros. A única coisa que minha crítica tem feito é sufocar a minha criatividade — em oração, nos relacionamentos, talvez até em escrever — ideias que Ele quer me dar.

No último domingo a noite, em um grupo de estudo Bíblico, eu contei sobre a minha experiência de um dia de jejum. A resposta foi surpreendente. Muitos admitiram que a crítica era o principal problema em seus escritórios, em seus casamentos e com os filhos adolescentes.

A minha falha de caráter não será corrigida de um dia para o outro. Mas ao pensar sobre isso nos últimos dias, eu encontrei uma base sólida nas Escrituras para lidar com isso. Ao longo de todo o Sermão do Monte, Jesus se posiciona diretamente contra vermos os outros e as situações da vida através de lentes negativas.

O que Ele me ensinou, até agora, pode ser resumido em:

  1. Um espírito crítico foca apenas em nós mesmos e nos faz infelizes. Perdemos perspectiva e humor.
  2. Um espírito crítico bloqueia os pensamentos criativos positivos que Deus anseia por nos dar.
  3. Um espírito crítico impede bons relacionamento entre indivíduos e, geralmente, produz mais crítica em retaliação.
  4. A crítica bloqueia o trabalho do Espírito de Deus: amor, boa vontade e misericórdia.
  5. Sempre que vemos algo genuinamente errado no comportamento de outra pessoa, ao invés de criticá-la diretamente, ou — ainda pior — reclamar pelas costas, deveríamos pedir ao Espírito de Deus para fazer a correção necessária.

Convencida da destrutividade de uma mente muito crítica, de joelhos, eu repito essa oração: “Senhor, eu me arrependo deste pecado de julgamento. Eu sinto muito por ter sido tão grosseira em ofensas contra Ti e contra mim mesma (sem falar nos demais) tão continuamente. Eu reivindico sua promessa de perdão e busco um novo começo.”

Fonte: Traduzido do livro Spiritual Classics: selected reading for individuals and groups on the twelve spiritual disciplines, editado por Richard Foster e Emilie Griffin, Renovare, 2000, p. 57–59.

*Catherine Marshall (1914–1983) ficou conhecida, inicialmente, após a morte de seu primeiro marido, Peter Marshall, famoso ministro presbiteriano, pastor e capelão do Senado dos Estados Unidos. Ela escreveu um livro sobre ele que se tornou um best-seller: A Man called Petter (um homem chamado Pedro). Ela era uma contadora de histórias muito talentosa, com grande capacidade para reflexão espiritual e escreveu vários livros sobre oração e espiritualidade. Casou-se com Leonard LeSourd, continuou escrevendo e se tornou editora.


Vanessa Belmonte vive na terra do pão de queijo, é mestre em educação e professora universitária.