Mulheres Inspiradoras: Archimínia de Meirelles Barreto – Jul/2018

A filha de padre Archiminia Barreto (1845-1930): convertida ao evangelho de Cristo, defendeu sua fé e escreveu contra a idolatria [1]

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Por todos os títulos a memória desta distinta irmã merece ser perpetuada entre nós. A sua rara fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo desde a sua conversão, já há muitos anos, diante dos constantes esforços do clero romano para induzi-la a voltar à fé abjurada, como também os seus relevantes serviços prestados à Causa, com sua pena burilada, jamais devem ser esquecidos pelos batistas brasileiros. [2]

Introdução
Archimínia de Meirelles Barreto nasceu em 12 de julho de 1845, em Inhambupe, Bahia. Era filha do padre Fernandes Pinto Meirelles Barreto e D. Leopoldina Theodolina de Castro. Ela recebeu esmerada educação de seu pai. Dominava o latim e falava bem o francês. Com trinta anos obteve nomeação para o exercício do magistério público. Foi a primeira professora pública na Bahia de 1875, ainda sob o Império.

Digno de destaque é o fato de que sua filiação nunca foi ocultada, seu pai padre teve seis filhos, por ele legitimados.

Archimínia casou-se com Joaquim Euthychio de Oliveira e teve duas filhas. Ela professou a fé em Cristo em 05 de fevereiro de 1893, juntamente com sua irmã Jacquelina, na Primeira Igreja Batista da Bahia e, no mesmo dia foram batizadas pelo missionário Zacarias Clay Taylor. [3]

Archimínia: mulher destemida e apologista intrépida
Após sua conversão, e por causa dela, foi abandonada pelo marido e por outros parentes. Foi morar, então, com sua irmã viúva Jacquelina, juntamente com suas duas filhas: Eunice e Evangelina.

Sofreu perseguição por se tornar protestante, sendo transferida diversas vezes sob a acusação de que “tinha parte com o diabo”. Os pais de seus alunos, ao saberem de sua fé, os retiravam da escola e um inspetor aconselhou-a a abdicar de sua fé. Mas, ela respondeu tão energicamente, repreendendo-o por invadir a seara de sua consciência, que ele se tornou seu melhor defensor.

Archimínia afirmou que: “Quem quer que se dê ao trabalho de estudar o que tem sido a religião de Jesus Cristo desde os seus primeiros tempos verá que toda a sua pureza vai desaparecendo à proporção que a Roma dos papas vai lhe adicionando inovações”. [4]

Bastante preocupada com essa impureza no cristianismo de sua época, Archimínia dedicou-se a escrever artigos nos quais refutava a idolatria, afirmando que: “O vosso culto sublime e santificador, a adoração da vossa boa e terna Mãe de Deus, é tanto idolatria como o era a adoração das deusas do paganismo: e os protestantes tão perversos e ímpios como o foram os cristãos, que nunca se prostraram diante de suas imagens tão prezadas. [5]

A escritora escrevia em periódicos e jornais seculares e, em todas as suas crônicas, não dava tréguas aos padres que tentavam de todos os meios impedir que os jornais da cidade publicassem seus escritos. [6]

Sua contribuição à literatura evangélica não se limitou, porém aos artigos polêmicos, pois escreveu também folhetos de edificação e evangelização. Ela também foi responsável pela Seção Feminina do Jornal Batista por mais de uma década, onde escreveu artigos endereçados às mulheres, destacando sua missão como mãe, esposa, filha e mestra.

Archimínia foi atuante também em sua igreja, sendo professora da Escola Dominical, evangelista, e tendo sido escolhida por algum tempo como diretora dos cultos da Igreja de Villa Nova, na ausência do pastor. Archiminia também pregava e “foi ela, pela sua pregação, que levou a Cristo o jovem Francisco José da Silva, a quem Taylor denominava ‘o apóstolo do Estado do Espírito Santo’”. [7]

Archimínia e seu livro “Mitologia Dupla”
Foi aconselhado à Archimínia pelo pastor Zacharias Taylor, pioneiro dos batistas na Bahia, que escrevesse uma obra sobre a idolatria. Como estrangeiro, o pastor tomava bastante cuidado para não ofender os brasileiros falando sobre o assunto. Com temor, ela aceitou o desafio, movida pela vontade de apresentar aos seus contemporâneos a mensagem do evangelho, tal como se encontrava na Bíblia:

Eu, porém, que suportei diretamente, por muitos anos, esta cegueira espiritual, desejei ardentemente iluminar a minha pátria, tão digna de melhor sorte, a fim de elevarmos o nosso espírito para o infinito, desprendendo-nos de objetos materiais. Bem sabia eu que uma idéia desconhecida é sempre mal recebida; mas, que importa? A verdade, cedo ou tarde, triunfará!

No desejo de fazer triunfar a verdade evangélica, a senhora baiana dedicou-se a escrever seu livro, com humildade e modéstia, afirmando uma nulidade literária, que não conduzia com sua capacidade bem demonstrada no texto que entregou ao público brasileiro.

Como filha de padre, Archimínia bem conhecia o catolicismo e na introdução de seu livro informou que: “filhos de católicos romanos, temos a desdita de receber em criança, sem prévio exame, esse presente de gregos à guisa de religião, e inconscientemente levamos esse cavalo de Tróia para o capitólio da nossa alma!”. [8]

Por esse trecho de seu livro percebe-se a intelectualidade de Archimínia. Ela comparou o presente dos gregos, o cavalo de Tróia, onde se abrigavam soldados inimigos, com as inovações abrigadas pela religiosidade brasileira, cheia de lendas, de cerimônias e de festas iguais às da antiga mitologia. Por isso intitulou sua obra de “Mitologia Dupla” e nela demonstrou as semelhanças da idolatria da religiosidade brasileira com a mitologia pagã.

Como exemplo do conteúdo do livro, segue-se uma comparação feita pela autora das divindades antigas e modernas:

TEXTO DA ÉPOCA:

[9] [10]

De comparação em comparação segue o livro de Archimínia, dividido em cinco partes: na primeira, ela comparou as divindades de Roma antiga e moderna; na segunda, discorreu sobre as invocações e cerimônias; na terceira, escreveu sobre as festas; na quarta tratou das superstições e na última parte apresentou Maria versus Maozim. [11]

Na conclusão de seu livro, a autora afirmou que:

De Jerusalém saiu o evangelho, e de Roma, a idolatria. Jesus é um rei eterno, e o Papa um homem negociante de almas. Sirvamos ao nosso Rei, a despeito dos mercadores de Roma. A Ele, o Deus de toda a Glória, Pai, Filho, e Espírito Santo, sejam todas as glórias para todo o sempre. Amém. [12]

Herança de Archimínia: intrepidez e ousadia
Archimínia foi a apologista da época, corajosa, intrépida e que não temia as perseguições. Com destemor escreveu seus artigos nos jornais, enfrentou as hostilidades de parentes e amigos e criou, sozinha, suas filhas. O seu objetivo com o estudo e apresentação do sincretismo, mistura de santos com deuses pagãos, era de que essa idolatria fosse enxergada e abolida da crença brasileira.

Muitos anos depois, alguns seguidores do candomblé baiano, herdeiros da religiosidade africana, perceberam e rejeitaram seu próprio sincretismo, que era a mistura dos santos com seus orixás.

Em uma reportagem da Revista Veja, de 01 de março de 2000, com o título de: “Abaixo os santos: expoentes do candomblé baiano não querem mais saber de sincretismo com os católicos”, o autor do artigo fez também uma comparação, parecida com a pioneira apologista batista, como pode ser verificado a seguir:

Na realidade, a mitologia não é somente dupla como escreveu Archimínia, mas é tripla ou até mais multifacetada, conforme as misturas que vão se incorporando, pouco a pouco, ao cristianismo brasileiro, que de tão descaracterizado nem devia mais receber essa denominação.

Ebenezer Cavalcanti, o escritor do esboço biográfico de Archimínia, reconhecendo seu valor, destacou que: “Sua obra completa deve ser reunida e publicada. Bem que seu nome merece ser perpetuado por algum setor pertinente da obra feminina batista no Brasil. Foi pioneira e heroína”. [13]

Após longa enfermidade, Archimínia morreu, aos oitenta e sete anos, em 20 de janeiro de 1930.  A Primeira Igreja Batista da Bahia registrou em ata alguns trabalhos de sua vida cristã, onde foi destacada como um modelo de mulher a ser seguido pela comunidade.

O Jornal Batista, em seu editorial de 20 de março de 1930, lamentou o seu falecimento e elogiou seu trabalho de “escriptora fecunda que, pelo seu zelo, energia e competência, escreveu em jornais e pamphletos”. Nesse necrológio, o redator não encontrando adjetivo apropriado para as qualificações de Archiminia, declarou que: “a veneranda irmã D. Archyminia Barreto, professora aposentada do estado tinha um caracter másculo e cristão”. [14]

Esse comentário refletiu bem a mentalidade de que a firmeza de caráter e a fidelidade em defender doutrinas só podiam ser privilégios da personalidade masculina. Mas, sabemos que todas nós, verdadeiras cristãs, somos capazes de defender a nossa fé e não nos deixarmos influenciar pela filosofia pós-moderna que tem causado tantos danos aos valores morais e espirituais.

Portanto, minhas queridas, inspiradas por Archimínia, preguemos o evangelho e, com ousadia confrontemos a filosofia da sociedade atual que prega o relativismo, a ausência de paradigmas e a permissividade. Amemos mais as pessoas, mais do que as respeitamos, pois, se ficarmos só no respeito ao que creem, não lhes apresentaremos Cristo, como verdadeiro caminho, verdade e vida.

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NOTAS:

[1] Resumo biográfico extraído das seguintes fontes:
BARRETO, Archiminia. Mitologia dupla, ou religião católica e sua máscara, p. 7; 9-11; 13-15;
CAVALCANTI, Ebenézer. Archiminia Barreto. O Jornal Batista. 02 de novembro de 1969, p. 1/2/8.
CRABTREE, A. R. História dos Baptistas do Brasil até o anno de 1906. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Baptista, 1937, p. 159.
SILVA, Elizete da. Cidadãos de outra pátria: anglicanos e batistas na Bahia. Tese de doutorado apresentado ao Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 1998, p. 338-343.

[2] W. E. Entzminger na apresentação da 2ª edição do livro Mitologia dupla, em 01 de outubro de 1925.

[3] Curiosidade: na ata da igreja constam seus nomes antecedidos por S.S. D.D. (senhoras donas).

[4] BARRETO, Archiminia. Mitologia dupla, ou religião católica e sua máscara, p. 13.

[5] BARRETO, Archiminia. “Cobrir os céos com os dedos ou a immaculada conceição de Maria”. O Jornal Baptista. Rio de Janeiro, 30 de junho de 1905, p. 3.

[6] MESQUITA, Antonio Neves de. História dos Batistas do Brasil. Vol. IIde 1907 até 1935. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1940, p. 68.

[7] PEREIRA, José dos Reis. História dos Batistas no Brasil: 1882-1982, p. 70.

[8] BARRETO, Archiminia. Mitologia dupla, p. 13-14.

[9] Caduceu: bastão com duas serpentes enroladas.

[10] BARRETO, Archiminia. Mitologia dupla, p. 29-30.

[11] Maozim: ídolo que Antíoco Epifânio, perseguidor dos judeus, quis que fosse cultuado nos anos de 164 a 174 a. C. Maozim era um novo deus introduzido no templo que desviava a adoração devida somente ao verdadeiro Deus de Israel. Archiminia alertava que a veneração à Maria desviava as almas da verdadeira rocha viva: Jesus, o Filho do Deus vivo.

[12] BARRETO, Archiminia. Mitologia dupla, p. 253. Obs: grifo da autora.

[13] CAVALCANTI, Ebenézer. Archiminia Barreto. O Jornal Batista. 02 de novembro de 1969, p. 8.

[14] “Professora Archyminia Barreto”. O Jornal Baptista. Rio de Janeiro, 20 de março de 1930, p. 3, citado por SILVA, Elizete da. “Cidadãos de Outra pátria: anglicanos e batistas na Bahia”, p. 342.

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A Série Mulheres Inspiradoras tem como objetivo celebrar a história de mulheres cristãs que imprimiram sua marca no mundo através da arte, música, literatura, justiça social, teologia, ciências e/ou outras esferas que compreendem o nosso bem viver. Para nos inspirar e impulsionar a deixarmos também o nosso legado no mundo, devolvendo ao Criador o que Ele nos confiou.


Rute Salviano Almeida, pernambucana que sempre viveu em São Paulo. Apaixonada pelo ensino, foi professora por quase 20 anos na Faculdade Teológica Batista de Campinas. É licenciada em Estudos Sociais, bacharel e Mestre em Teologia e pós graduada em História do Cristianismo. Escreve sobre a participação feminina na Igreja. Seus livros são : Uma voz feminina na Reforma, Uma voz feminina calada pela Inquisição, Vozes femininas no início do protestantismo brasileiro e Vozes femininas no início do cristianismo. Todos publicados pela Editora Hagnos.

Mulheres Inspiradoras: Corrie Ten Boom – Abr/2018

Foi a primeira mulher licenciada ao ofício da relojoaria na Holanda e ficou conhecida por abrigar em seu lar diversos refugiados judeus além de membros da resistência nazista.

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Nascida em 15 de abril de 1892, na Holanda, Cornelia Johanna Arnolda Ten Boom, mais conhecida como Corrie Ten Boom, cresceu em um lar cristão.

Seus pais, Casper Ten Boom e Cornelia Johanna Arnolda Ten Boom-Luitingh, tiveram 4 filhos. Seu irmão Willem foi um teólogo, sua irmã caçula, Nollie, casou-se, enquanto Corrie e sua irmã mais velha, Elisabeth mais conhecida como Betsie, viveram juntas a missão de abrigar refugiados em seu lar, juntamente com seu pai, durante o Holocausto.

Corrie aprendeu o mesmo ofício de seu pai, o da relojoaria, estudando-o no período de 1920 a 1922 e ao formar-se, tornou-se a primeira mulher relojoeira licenciada em toda a Holanda.

Porém, sua grande e arriscada contribuição foi através do O Refúgio Secreto, nome dado ao seu lar, pelo acolhimento que exerceu à pessoas refugiadas durante o Holocausto. O lar dos Ten Boom foi um local que recebeu diversas pessoas e teve seu “pontapé oficial” em 1942, com a chegada de uma mulher muito bem vestida, portando apenas uma pasta à mão e pedindo asilo, pois ela tinha ouvido falar que eles já haviam abrigado alguns conhecidos judeus.

A família abrigou, socorreu e arriscou a própria vida por diversas pessoas até fevereiro de 1944, quando um informante holandês delatou toda a família as autoridades nazistas que levaram presos. Casper Ten Boom não resistiu e morreu 10 dias depois de sua prisão. Enquanto ela e sua irmã, Betsie, foram encaminhadas para o campo de concentração feminino em Ravensbrück, na Alemanha. Lá é Betsie que veio a falecer e, antes de ir a óbito, disse à Corrie a seguinte frase: “não há abismo tão profundo que o amor de Deus não seja ainda mais profundo”.

Corrie foi solta um dia após o Natal de 1944. Posteriormente, ela soube que sua soltura se deu por um erro burocrático porque uma semana depois de sua libertação todas as meninas de sua idade haviam sido assassinadas.

Com o fim da guerra, ela retornou à Holanda, posteriormente à Alemanha e depois viveu muitos anos ensinado e palestrando itinerante pelo mundo.

Em 1967 Corrie foi honrada pelo Estado de Israel com o Prêmio Justos entre as Nações1. Em 1971 ela escreveu seu mais famoso livro O Refúgio Secreto onde ela narra toda a saga de sua família – em 1975 o livro foi adaptado para o cinema. E também foi homenageada pela rainha da Holanda, em reconhecimento de seu trabalho, ganhando um museu na cidade de Haarleem.

Em 1977 ela mudou-se para Califórnia, nos Estados Unidos da América. E sua saúde, dia a dia, foi se deteriorando até que perdeu por completo sua comunicação e veio a falecer no dia de seu 91° aniversário, em 15 de abril de 1983.

Com Corrie eu aprendi a ter coragem. Coragem para fazer o que é certo, independente das circunstâncias, mesmo que custe a própria vida. Com ela, eu também aprendi que não existe nenhuma situação que não venha a ser de Ação de Graças à Deus. Em todo o momento Ele é bom! Mesmo nas circunstâncias mais adversas e difíceis que enfrentamos. Um exemplo é o que Catherine Marshall narra em seu livro Uma Fé Mais Profunda2, quando descreve uma situação que a própria Corrie contou a ela quando esteve hospedada em sua casa (e também está relatada em seu livro O Refúgio Secreto):

[Ela] continua a ser uma das hóspedes mais agradáveis que já honraram a nossa casa e regala-nos amiúde com anedotas da sua vida na prisão. Uma das minhas favoritas é a história das pulgas…

Em certo período da sua detenção, Corrie e Betsie foram transferidas de celas apinhadas (onde haviam vivido meses a fio separadas uma da outra) para as Barracas n° 28. Em menos de uma hora descobriram que os seus malcheirosos colchões de palha fervilhavam de pulgas.

– Como poderemos viver num lugar como este? – gemeu Corrie mansamente.

Sem responder, Betsie pôs-se incontinente a rezar.

– Mostre-nos, Senhor, mostre-nos como. – E, logo, em tom excitado: – Corrie, Ele nos deu a resposta! Eu a li na Bíblia hoje cedo. Aqui… leia de novo essa parte.

O trecho pertencia a I Tessalonicenses e dizia: “Regozijai-vos sempre, orai sem cessar, em tudo dai graças, porque está é a vontade de Deus em Cristo Jesus…”

– É isso mesmo, Corrie! Devemos agradecer a Ele por todas as coisas que digam respeito às novas barracas.

– Tais como?… – Corrie estava tentando olhar com olhos novos para o recinto escuro e fedido.

– Tais como estarmos aqui.

– Oh, sim.

– E termos conseguido até agora conservar a Bíblia.

– Sim… oh, sim. Obrigada, Senhor, por isso.

– E as pulgas.

– Betsie, não vejo maneira de poder agradecer a Deus pelas pulgas.

– Mas as pulgas fazem parte deste lugar, onde Deus nos colocou. “Em tudo dai graças”, diz a Bíblia. E não apenas nas circunstâncias agradáveis.

E as duas mulheres deram graças a Deus pelas pulgas.

A medida que os dias passavam, as prisioneiras das Barracas n° 28 acabaram descobrindo que havia nelas uma espantosa falta de supervisão ou interferência. Corrie e Betsie aproveitavam a liberdade sem precedentes para conversar com outras prisioneiras, ler-lhes a Bíblia e acudir-lhes de muitíssimas maneiras.

Depois, um dia, ficaram sabendo pela boca de uma supervisora a razão de tanta liberdade. Algumas mulheres a haviam chamado através da porta gradeada para vir decidir uma disputa surgida entre elas. A supervisora recusou-se e o mesmo fizeram os guardas.

– Este lugar está infestado de pulgas, – disse a supervisora. – Eu não passaria pela porta por nada neste mundo.

A mente de Corrie voltou, num relance, à primeira hora que haviam passada das barracas e à sua lamentável ação de graças pelas pulgas. Quando ela ergueu a cabeça, Betsie, com os olhos brilhantes, tentava reprimir o riso.

– Agora sabemos por que se espera que O louvemos até pelas pulgas. Até as pulgas tiveram de ser o Seu instrumento para o nosso bem.

Trecho do livro Uma Fé Mais Profunda, páginas 31 e 32, de Catherine Marshall

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NOTAS:
1Prêmio Justos entre as Nações é um prêmio instituído pelo Memorial do Holocausto como reconhecimento a todos os não judeus que durante a II Guerra Mundial salvaram vidas de judeus perseguidos pelo regime nazista.

2Uma Fé Mais Profunda, de 1974 (título original Something More).

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Sou Carolina Selles apaixonada por cores, histórias e sabores. Sou designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.