Fin.itude

“Somos constantemente lembrados da nossa finitude. A nossa miopia ou a dor de cabeça que às vezes nos assola são pequenos sinais disso“. Foi a frase que escutei de um grande amigo após o enterro da minha avó Martha, no dia 02 de novembro de 2017, em pleno feriado, Dia de Finados.

Pois é… Acho que eu acrescentaria também, outras dores e sintomas triviais como a cólica, a rinite incurável ou a sinusite crônica a esse comentário para trazê-lo ainda mais para o chão da vida.

Alguns dias atrás eu me assustei com a quantidade de cabelo branco que brotou em minha cabeça. Instantaneamente me bateu uma tristeza, infelizmente, não pude conte-la. Sim, estou ficando velha, pensei.

Mas por que a gente, geralmente, varre para debaixo do tapete assuntos inerentes a nossa existência, como a velhice ou a morte, por exemplo? Se falássemos mais sobre eles, talvez viveríamos uma vida mais consciente, mais intencional.

Com a despedida da minha avó e dias depois um até breve à mãe de uma grande amiga, constatei que eu negligencio e muitas vezes levo uma vida inerte a tais assuntos. É tanta demanda que eu mesma crio para mim que vou esquecendo do futuro que me reserva.

Diariamente, cada célula do meu corpo está morrendo e se regenerando de forma mais lenta. Percebo que a minha imunidade baixa mais rapidamente trazendo a gripe se eu não durmo o mínimo necessário ou me alimento bem. Ou o meu joelho esquerdo teima em doer no frio, e mais intensamente por subir diversas vezes a escada, me lembrando que eu preciso ficar mais atenta a minha saúde e aos sinais do meu corpo.

Confesso que, às vezes, mesmo não querendo, isso tudo me entristece. A velhice me lembra que estou partindo, morrendo, que sou finita. Mas, durante o velório e enterro da minha avó, pude refletir como a velhice e a morte também podem nos ensinar a viver melhor. Contraditório? Hum, talvez não. Como disse um outro amigo ao saber um pouco da história da minha avó: “Sua avó, com 96 anos e 13 filhos viveu uma vida plena”.

É isso… Vida plena. A velhice e a morte também podem ser belas mesmo que momentaneamente dolorosas. E a vida, velhice e morte dela (minha avó) me ensinou isso. Eu quero então viver uma vida plena, cheia de rugas e com a cabeça repleta de cabelo branco sim, mas uma vida completamente vivida até o meu último suspiro de vida.

“Almond Blossom” de Vincent van Gogh (1890)

 


Carolina Selles é apaixonada por cores, histórias e sabores, é designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

As Armadilhas do Coração – Parte 2: A inveja e a ingratidão

A comparação que torna-se cobiça

Ilustradora: Henn Kim — http://www.hennkim.tumblr.com

in·ve·ja

1. Sentimento de ódio, desgosto ou pesar que é provocado pelo bem-estar ou pela prosperidade ou felicidade de outrem.

2. Desejo muito forte de possuir ou desfrutar de algum bem possuído ou desfrutado por outra pessoa; avidez, cobiça, cupidez.

Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa Michaelis

É um exercício grande não perder tempo me comparando com a vida alheia. Mais difícil ainda é não nutrir em meu coração essa comparação, que geralmente começa de forma sutil, e ao ser alimentada toma corpo e vira um monstro.

Mesmo com essa consciência, por vezes, caio nas armadilhas da inveja disfarçada. Camuflo meus reais desejos e finjo, para mim mesma, que são ambições honestas, genuínas. Doce engano… Doce não, amargo engano! Porque sorrateiramente vou vivendo de fragmentos, me contentando com migalhas de mim. Vou deixando de viver minha própria vida, de ser minha própria protagonista. Aos poucos vou deixando de ser quem eu sou e abandonando quem eu deveria estar me tornando.

O clímax dos Dez Mandamentos é o décimo mandamento em Êxodo 20.17: “Não cobiçaras a casa do teu próximo. Não cobiçaras a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”. O mandamento para não cobiçar é uma coisa totalmente interior. Cobiçar nunca é coisa exterior, pela própria natureza do caso. É fator intrigante observar ser esse o último mandamento que Deus nos dá nos Dez Mandamentos, e, portanto, o eixo do assunto todo. O resultado de tudo isso é que chegamos a uma situação interior e não a uma mera situação exterior. Na verdade, quebramos esse último mandamento, de não cobiçar, antes de quebrarmos qualquer um dos outros. Toda vez que quebramos um dos mandamentos de Deus, significa que já violamos esse mandamento de Deus, cobiçando.

Verdadeira Espiritualidade – Uma vida cheia de beleza, que edifica e inspira, Francis Schaeffer
Capítulo A Lei e a Lei do Amor (página 20)

Esse desejo, que de tão intenso, me leva a acreditar que só serei feliz se eu for diferente do que sou ou só serei feliz se eu tiver aquilo que não tenho, na realidade demonstra minha total ingratidão para com meu Criador.

E essa ingratidão, aos poucos, vai aprisionando minha alma, secando minhas entranhas e me deixando oca, ressequida. Como ferrugem ela corrói tudo o que é sadio e me aprisiona num ideal completamente irreal.

Em essência, a ingratidão, não me deixa desfrutar de minhas qualidades para que eu consiga transbordá-las abençoando aqueles que me cercam. Afinal de contas, nós não somos chamados para frutificar? E como frutas, que nascem num pomar, nos darmos como alimento aos nossos semelhantes?

Abençoados são vocês, que se contentam com o que são — nem mais, nem menos. Assim, vocês se verão como os orgulhosos donos de tudo que não pode ser comprado.

Mateus 5.5 – A Mensagem

Então eu oro, e peço a Deus tal contentamento. E como o maná, que ele me seja dado diariamente, em doses suficientes para meu bem viver. E que esse contentamento venha de Ti, que é a Fonte da Vida, para que assim, eu me recorde de Tua bondade e sequer ouse duvidar do Teu Santo, Puro e Misericordioso Amor.
Amém!

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Acompanhe a Série As Armadilhas do Coração:

Parte 1 – O tédio e a murmuração: http://bit.ly/2tumlZn
Parte 2 – A inveja e a ingratidão: http://bit.ly/2uxdQ4H

 


Carolina Selles é apaixonada por cores, histórias e sabores, é designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

As Armadilhas do Coração – Parte 1: O tédio e a murmuração

Sobre o tédio nosso de cada dia

Ilustradora: Henn Kim — http://www.hennkim.tumblr.com

O tic-tac do relógio é ensurdecedor. O tempo parece não passar. Tudo está absolutamente igual, imóvel. Nenhuma previsão de mudança. Nenhum indício, por menor que seja, de qualquer alteração em minha vida. Nenhuma esperança.

É o tédio; de novo. Me atormentando e dizendo que a vida é sem graça, que não passa. Que não vale a pena e me levando a murmurar; de novo. E a duvidar; de novo.

Vazio, tudo é um grande vazio!
Nada vale a pena! Nada faz sentido!

O que resta de uma vida inteira de trabalho sofrido?

Uma geração passa e outra geração chega,
mas nada muda – é sempre a mesma coisa.

O sol nasce e se põe,
um dia após o outro – é sempre igual.

O vento sopra para o sul e depois para o norte.
Gira e dá muitas voltas
sopra aqui e acolá – e vai seguindo o mesmo rumo.

Todos os rios vão para o vasto oceano,
mas o oceano nunca transborda.

Os rios correm para o mar
e logo depois voltam a fazer o mesmo percurso.

É um tédio só! É uma mesmice sem tamanho!
Nada tem sentido!

Será que os olhos não cansam de ver
nem os ouvidos de ouvir?

O que foi será novamente,
o que aconteceu acontecerá de novo.

Não há nada novo neste mundo.
Ano após ano, é sempre a mesma coisa.

Se alguém grita: “Ei, isso é novo!”,
Não se anime – é a mesma velha história!

Ninguém se lembra do que aconteceu ontem.
E as coisas que vão acontecer amanhã?

Ninguém se lembrará delas também.
Você acha que será lembrado? Pode esquecer!

Eclesiastes 1.2–11 – A Mensagem

Salomão1 também enfrentou esse enorme e profundo tédio. Depois de uma vida inteira, de luxos, riquezas e vontades satisfeitas, olhou para trás e se questionou: – O que nessa vida vale a pena? O que de fato faz, e traz, sentido?

O tédio, então, me toma por completa. E inevitavelmente, a seguir, começo a reclamar, e muito. Murmuro constantemente. Em pensamentos audíveis me pergunto: Por que não tenho aquilo? Por que só acontece, ou não acontece, comigo? Por que não eu? Por que só eu? Por quês e mais por quês invadem meu ser. Roubam a minha alegria e me enchem de dúvidas. Posteriormente, e instintivamente, me encho de certezas: Ah, com toda a certeza, se eu tivesse aquilo eu estaria melhor! Se isso não estivesse acontecendo comigo eu estaria, e seria, diferente! Se eu pudesse fazer tal coisa, aí sim, eu estaria mais feliz!

“Ah, se tivéssemos carne para comer! Nós nos lembramos dos peixes que comíamos de graça no Egito, e também dos pepinos, das melancias, dos alhos-porós, das cebolas e dos alhos. Mas agora perdemos o apetite; nunca vemos nada, a não ser este maná!”

O maná era como semente de coentro e tinha aparência de resina. O povo saía recolhendo o maná nas redondezas e o moía num moinho manual ou socava-o num pilão; depois cozinhava o maná e com ele fazia bolos. Tinha gosto de bolo amassado com azeite de oliva. Quando o orvalho caía sobre o acampamento à noite, também caía o maná.

Números 11.4–9 – A Mensagem

Acho que deixei de apreciar e agradecer o maná me ofertado diariamente. E o resultado foi uma fome insaciável. A gula me consumiu e a constante reclamação me cegou.

O Senhor os ouviu quando se queixaram a ele, dizendo: ‘Ah, se tivéssemos carne para comer! Estávamos melhor no Egito!’ Agora o Senhor dará carne a vocês, e vocês a comerão. Vocês não comerão carne apenas um dia, ou dois, ou cinco, ou dez ou vinte, mas um mês inteiro, até que saia carne pelo nariz de vocês e vocês tenham nojo dela, porque rejeitaram o Senhor, que está no meio de vocês, e se queixaram a ele, dizendo: ‘Por que saímos do Egito?’ ”

Números 11.18–20 – A Mensagem

 

Diferentemente dos animais, que parecem bem satisfeitos em ser apenas eles mesmos, nós, humanos, estamos sempre procurando meios de ser mais do que somos ou mesmo ser outra pessoa. Exploramos o país por instigação, examinamos nossa alma em busca de sentido, compramos o mundo pensando no prazer. Tentamos de tudo. As áreas comuns de esforço são: dinheiro, sexo, poder, aventura e conhecimento.

Nossas incursões sempre aparentam ser promissoras no início, mas nada parece nos satisfazer. Por isso, intensificamos nossos esforços, e quanto mais nos dedicamos a algo, menos extraímos dele. Algumas pessoas acordam cedo e empreendem em uma jornada tediosa e repetitiva. Outros parecem nunca aprender e se debatem por aí a vida inteira, tornando-se cada vez menos humanos com o passar dos anos, até que, ao morrer, não resta humanidade o bastante para compor um cadáver.

Eclesiastes, na verdade, não diz muito a cerca de Deus. (…) Sua tarefa é expor a total incapacidade humana de encontrar o sentido e a completude da vida por nós mesmos.

É nossa propensão desistir de nós mesmos, tentando ser humanos por meio de projetos e desejos próprios.

Eugene Peterson em trecho da Introdução do livro de Eclesiastes na Bíblia A Mensagem

Eu não quero mais levar uma vida inteira sem sentido, rotineira e sem graça. Não quero chegar ao final da vida e perceber que eu poderia fazer, e ser, diferente.

Eu quero me livrar de todas minhas pseudo-garantias, e agora! Quero me alimentar do suficiente – que é dado por Deus, e em uma dose especial, que só Ele sabe medir para mim.

Quero me lavar de toda e qualquer rebeldia e ideia idólatra. Quero, e desejo, me purificar com a água que é a Fonte da Vida. Que sacia o coração, renova a alma, limpa o entendimento e regenera minha força [Marcos 12.30].

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Acompanhe a Série As Armadilhas do Coração:

Parte 1 – O tédio e a murmuração: http://bit.ly/2tumlZn
Parte 2 – A inveja e a ingratidãohttp://bit.ly/2uxdQ4H

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NOTAS:
1Sem dizer abertamente, o narrador dá a entender que é o rei Salomão. Fabulosamente rico, internacionalmente famoso, com centenas de mulheres em seu harém, ele agora é um senhor de idade que percebe como foi pequeno seu “sucesso”, quando vê a morte se aproximar. Após o imenso trabalho que teve para construir seu império, teria de deixá-lo para seu filho Roboão, um homem moralmente fraco. As dez tribos do norte de Israel não escondiam o fato de que não confiavam em Roboão. Não precisavam da inteligência de Salomão para ver que seu país logo entraria em colapso (e isso de fato ocorreu). [Eugene Peterson em trecho da Introdução do livro de Eclesiastes]

 

 


Carolina Selles é apaixonada por cores, histórias e sabores, é designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Estou de mudança, de novo

Remedios Varo (1908-1963): pintora surrealista espanhola e naturalizada mexicana - Tela: Tránsito en Espiral (1962)
Remedios Varo (1908 – 1963): pintora surrealista espanhola e naturalizada mexicana — Tela: Tránsito en Espiral (1962), essa imagem foi a capa da edição brasileira (2014) do livro de Santa Teresa d’Ávila “As Moradas do Castelo Interior”

Estou de mudança, de novo.
Mudando de apartamento para casa, da zona norte para o centro de São Paulo. De vizinhos e companheiras de viagem. De renúncias para novas oportunidades. De ares e paisagens.

Estou de mudança, de novo.
– E quem é que permanece sempre igual e no mesmo lugar? Faço a pergunta a mim mesma quase em voz alta.
– Talvez mudar (geograficamente falando) possa ser uma espécie de experiência-metáfora do que acontece dentro da gente e que Deus permite e nos chama a viver. Penso, mas desta vez, sinto um nó na garganta e envolta a algumas incertezas a Voz interna, paradoxalmente, me acalma e me envolve em uma extrema alegria, não há como negar, é Ele, dentro de mim, mudando as coisas de lugar*.

Estou de mudança, de novo.
Mas desta vez, também, caminhando para novas moradas, dessas que não estão localizadas em bairros, ruas ou avenidas, tampouco são feitas de tijolos e cimento. Estou caminhando para as moradas que se encontram nesse enorme Castelo Forte**, que é Deus.

Aprendendo a desapegar, a cada mudança, do supérfluo.
Deixando, quer dizer, tentando deixar a bagagem mais leve. Assim, fica mais fácil de respirar…
Já posso até ver e sentir o peso desse fardo menor, mesmo em meio a alguns apegos, que ainda teimam, em mim, ficar.

Sei, que estou longe, bem longe de onde Ele gostaria que eu estivesse, ainda me faltam muitas e muitas milhas – talvez, eu ainda caminhe por passagens bem estreitas, desérticas e hostis. Talvez ainda, durante o meu longo (ou curto, quem sabe?!) percurso de uma vida toda, eu tenha que enfrentar muitos, ou poucos, obstáculos. Não sei. Mas o que importa, o que realmente importa, é que tenho a certeza que sempre haverá um oásis para matar minha sede e restaurar as energias gastas durante a viagem.

Minha alegria é saber que Ele me aguarda (e guarda) mesmo em meio a tanta incerteza minha. E lança fora todo o meu medo e me ajuda – diariamente – a não desistir, a persistir e olhar só para Ele, que é o mais puro, sincero e verdadeiro Amor.

“No Amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor”

1 João 4:18

“…sabemos que temos almas; mas que bens possa haver nesta alma, ou quem está dentro dela, ou seu grande valor, isso poucas vezes levamos em consideração, e assim nos preocupamos tão pouco em conservar sua beleza com todo o cuidado. Tudo se limita para nós ao grosseiro engaste ou muralha deste castelo, que são nossos corpos. Pois consideremos que este castelo tem, como eu disse, muitas moradas, umas no alto, outras embaixo, outras nos lados, e no centro, no meio de todas estas está a principal, que é onde ocorrem as coisas mais secretas entre Deus e a alma”.

Santa Teresa d’Ávila
As Moradas do Castelo Interior,
Primeiras Moradas: Capítulo 1

Santa Teresa d’Ávila (1515 – 1582) em seu livro As Moradas do Castelo Interior nos ajuda a usar a força da imaginação para fazer compreender quem é o ser humano e quem é Deus. A imagem do castelo não é estática, mas dinâmica. É uma viagem ao interior, na qual superamos os obstáculos exteriores que nos impedem de entrar no castelo e cujo caminho prosseguimos sem parar, até chegar a “morada central, onde habita o Rei, sua Majestade” – trecho retirado do Prefácio à edição brasileira feita pelo Frei Patrício Sciadini, o.c.d. do livro.

 

 

*trecho da música Casa de Palavrantiga
**menção ao hino Castelo Forte escrito por Martinho Lutero em 1529

 


Carolina Selles é apaixonada por cores, histórias e sabores, é designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Grata pelo silêncio

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Ilustração de Mi-Kyung Choi, que assina como Ensee.

 

Gosto do silêncio. Não ter uma opinião sobre tudo, não precisar discutir sobre tudo, não polemizar pelo prazer de polemizar é mesmo um presente. Um presente suave, pacificador. E é uma arte também, eu diria. Como é desafiador dominar a língua!  Ou os dedos, no caso de um post ou comentário de rede social. Parece que esses membros do corpo nos têm sob controle, que são eles quem mandam em nós. É a tirania do “se penso e tenho algo a dizer, tenho que dizer, senão essas palavras vão acabar me sufocando”. Mas será que realmente temos algo a dizer? Será que o que temos a oferecer para os outros não são apenas palavras que se organizam em uma ordem linear, de modo a fazer sentido de alguma forma? Porque isso é fácil e… totalmente dispensável.  Será que as pessoas realmente precisam da minha opinião sobre tudo? Porque se o que tenho para oferecer não for algo novo, que acrescente, que construa, que una, que desafie, que seja um convite para transpormos o mesmo de sempre, por que opinar? Proponho um teste: fiquemos offline por alguns dias e depois nós entramos e vemos se alguém sentiu falta dos nossos posts e comentários. Poucos sentiriam. E tudo bem. Porque não saber, não conhecer a fundo certos assuntos, não estar presente em tudo e não ser apto para opinar é saudável, humano e realista. Somos limitados mesmo – não somos Deus para conhecer tudo – e que bom por isso. Já pensou se a nós fosse dada a grande responsabilidade de carregar o mundo nas costas? Ainda bem que podemos nos dar ao luxo de nos silenciar. E esperar. E refletir. E não entender. É um alívio.

Nesses dias, tenho permanecido em grande silêncio. Olho para dentro e pouco encontro o que dizer. Confesso que esse estado não tem sido fruto apenas da reflexão que fiz acima. É um silêncio de falta também, o que pode ser um pouco mais triste. Para mim, que vejo na escrita o meu combustível de vida, ficar em silêncio por puro vazio é bastante estranho. Mas até em horas como essas, aprendo. Aprendo sobre humildade, sobre não ser indispensável, sobre outras formas de significar o mundo (agora mesmo observo um tucano pousado na araucária ao lado de casa), sobre o estar e ser apenas. Suspensa. Dependente e pendente no fio de prata da vida.

 


Luciana Mendes Kim trabalha como educadora, é amante da literatura, sonha um dia escrever livros e aprender a tocar acordeão. É também uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Suspensa e incompleta – Pierre Teilhard de Chardin

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“Acima de tudo confie no lento trabalho de Deus. Nós somos naturalmente impacientes em tudo, para chegar no final, sem atraso. Gostamos de pular etapas intermediárias. Ficamos impacientes quando estamos indo em direção a algo desconhecido, algo novo. Ainda assim, é dessa maneira que todo o avanço é feito, passando através de alguns estágios de instabilidade – e eles podem durar muito tempo.

Creio que assim aconteça com você, suas ideias amadurecem gradualmente – deixe-as crescer, deixe-as tomar forma, sem pressa. Não tente forçá-las, procurando fazer com que você seja hoje o que o tempo (ou seja, a Graça e as circunstâncias agindo a seu favor) lhe tornarão amanhã.

Somente Deus pode dizer o que será este novo espírito que está se formando gradualmente. Dê ao nosso Deus o benefício da crença de que a mão Dele o está guiando. E aceite a ansiedade de sentir-se em suspenso e incompleto.”
— Pierre Teilhard de Chardin


Carolina Selles é apaixonada por cores, histórias e sabores, é designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

O resgate da mulher que somos e da criança que fomos

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Ilustração incrível da artista Andrea Hrnjak

Não é novidade, aqui, que sou encantada pelo livro Mulheres que Correm com os Lobos. Aliás, acredito que falei dele em quase todos os meus textos do Santa Paciência! Bom, aqui vai mais uma recomendação sobre ele! É repetitivo, mas, coisa boa a gente não pode deixar passar ;)

Uma querida amiga psicóloga, a Vanessa Maichin, que escreve no blog Sou Existencialista, realiza um trabalho primoroso com mulheres. São vivências terapêuticas, baseadas nesse que é um dos meus livros favoritos. A Van, inclusive, foi quem me introduziu ao cativante mundo da busca pelo resgate da natureza selvagem e pela liberdade da mulher que foi por tanto tempo domesticada.

Participei do último encontro, realizado em Abril, e serei eternamente grata pelo presente da Vanessa, porque a vivência é, na verdade, um despertar. Mulheres que Correm com Lobos… Integrando o Espírito da Criança: O resgate da mulher que somos e da criança que fomos, é uma vivência que nos coloca em conexão com nossa criança. 

“A criança é inocência, é o esquecimento, um novo começar, um brinquedo, uma roda que gira por si mesma, um primeiro movimento, uma santa afirmação”.

(Nietzsche)

Tudo começa alguns dias antes da vivência. A Van nos dá algumas orientações pra entrarmos no clima do processo todo, com alguns exercícios que já nos incentivam a olhar pra dentro de nós com mais carinho e menos exigências. Chegando ao local do encontro, somos acolhidas e respeitadas dentro de um ambiente harmonioso. Tudo é caprichosamente preparado pra que nos sintamos queridas e bem cuidadas.

Brincamos ao som de cantigas que lembram nossa infância, recordamos momentos marcantes e compartilhamos histórias. Mas não é tão simples assim. Olhar pra nossa criança pode doer. Mas ali está a essência. No cuidado da nossa criança interior, ou do espírito da nossa criança, está o resgate da mulher selvagem que somos.

“No momento que a mulher selvagem se posiciona, ela dá espaço para a mulher que sabe o que quer! Acolhe a criança carente e ensina-lhe a dar os primeiros passos rumo a sua autenticidade! A mulher que sabe o que quer integra em seu ser a mulher forte e guerreira com sua criança leve e espontânea”.

(Vanessa Maichin)

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Brincando de Adoleta!

Ao longo da vivência, somos convidadas a explorar nossa experiência de infância, provocadas pela leitura de alguns contos do livro, e a Vanessa nos conduz nesse processo indicando nosso olhar a perceber novas possibilidades de ser e existir. Podemos acolher nossa criança, ouvi-la, pegá-la no colo e cuidar daqueles machucados que remédio nenhum cura, só um beijo afetuoso pode fazer isso, sabe? E quem dá esse beijo somos nós mesmas. A gente tem a oportunidade de abrir espaço pra começar a compreender a nossa história de vida. A sensação que fica é que um peso foi tirado, uma porta foi aberta e agora é preciso seguir um caminho de re-significações e novos aprendizados.

Minha experiência foi de ser apresentada à minha criança. Eu cresci escutando que nunca fui criança, que sempre fui precoce e já nasci adulta. Parar pra olhar a Talita criança me fez, de fato, enxergá-la. Ela existiu sim, o tempo todo, mas foi muito cobrada a ser tão perfeita que mais parecia uma adulta, séria, rígida, tensa, inflexível e exausta…

Olhei pra “Talitinha” e vi espontaneidade, graciosidade e alegria. Percebi que foram tiradas dela a criatividade, a vitalidade e a energia. E que já não importa mais quem fez isso, nem como ou por qual motivo, importa que agora eu olhe pra ela e resgate sua essência autêntica e livre.

“Resgatar a criança que fomos um dia é acolher sua história de vida. É compreender os significados dessa infância, é deixar doer o que precisa ser doído, é abrir espaço para nossos medos, carências, fragilidades, frustrações, angústias… É costurar, remendar, bordar e tecer nossa própria história. É abrir espaço para novas possibilidades de ser e existir… É abrir espaço para a mulher selvagem que corre com os lobos”. 

(Vanessa Maichin)

Claro que muito mais do encontro mexeu comigo e com as mulheres fortes e corajosas do grupo, mas, quero deixar aqui só um gostinho pra aguçar sua curiosidade e incitar seu desejo de se reconectar com si mesmo e participar da vivência! Foi delicioso despertar pra minha criança e descobrir como integrá-la à mulher que sou. Indico e espero que muito mais mulheres possam viver essa experiência.

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Vanessa (de cachecol laranja) e o grupo de mulheres que acolheu suas crianças!

E o próximo encontro já tem data marcada! Será no dia 25 de junho (sábado), das 10h00 às 14h00.

A Vanessa Maichin é Mestre em Práticas Clínicas pela PUCSP, tem formação em Psicoterapia Fenomenológico-Existencial e Daseinsanalyse e atuação como Professora de Pós-Graduação na UNIPAR e UNIP.

Mais informações:
Cel./WhatsApp (11) 995685159
E-mail: vanessamaichin@gmail.com

As inscrições estão abertas e as vagas são limitadas.


Talita Guedes Bittioli é uma alma encarnada lutando pra cumprir sua missão na Terra e poder um dia voltar pros braços do Pai. É também uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Quando os amigos não são tudo

Agata Wierzbicka
Arte da ilustradora polonesa Agata Wierzbicka

 

Desde a adolescência, minhas amizades sempre foram muito intensas. Eu estava disposta a oferecer para os meus amigos tudo o que eu tinha e, em troca, eu esperava tudo deles: lealdade, confiança, presença, disponibilidade, apoio e consolo eternos. Os amigos eram a família que escolhíamos, os irmãos por afinidade. Eram os laços que nunca se desfariam, quando todo o resto poderia se desmanchar no ar. Porque eles eram os amigos e isso era o mesmo que dizer que eles eram sólidos, fixos, estáveis… enfim, eles eram os meus amigos, não importasse em que circunstâncias. E uma coisa para a qual eu não dava a mínima era essa história de ser amigO ou amigA. Eu tinha a consciência leve como o ar de que amigos homens podiam, sim, continuar sendo meus amigos sem que existisse nisso alguma conotação amorosa (ainda penso assim, com ressalvas em determinadas situações… enfim, assunto para outro post).

Com essa concepção que eu tinha – de amizade profunda, que “tudo sofre e tudo crê” (porque qual é a base de uma amizade genuína, senão o amor?) –, eu comecei a buscar nos amigos as respostas para os  dilemas da minha vida: “Será que saio para dançar escondida dos meus pais?” (eles raramente me deixavam sair para dançar) ou… “Será que eu deveria deixar esse emprego no banco, que eu detesto mas que paga bem, para voltar a dar aulas de inglês, que eu gosto mas que paga mal?”, ou ainda: “Será que a [um nome qualquer] vai com a minha cara? Porque hoje ela me disse isso e isso e assim e assim… ”. E, desse jeito, minha visão sobre o mundo ia sendo construída a partir da visão dos meus amigos sobre o mundo e as demais infinitas possibilidades que explicassem a minha vida iam sendo trancadas dentro de uma caixinha. Eu dependia dos amigos não para que me aconselhassem apenas, mas para que me dissessem exatamente o que fazer.

Além dos problemas óbvios que se criam com essa tamanha dependência que desenvolvi por meus amigos, “me abrir” com eles em crises existenciais passou a ser também um hábito (natural?). Eu depositava neles o peso da minha angústia e esperava que suas palavras me oferecessem respostas. Não raras vezes, eles me olhavam, aflitos, sem saber o que dizer para amenizar minha dor. E eu os olhava de volta, ávida por uma palavra deles que resolvesse tudo. Eles me entendiam. Eles sabiam. Eles viam de fora. E, assim, meus amigos deixavam de ser amigos para desempenhar um papel impossível, quase divino, de oráculos, sábios, videntes, deuses. Com isso, não digo que desabafar com os amigos seja algo ruim. O problema é quando esperamos que eles não só nos ouçam, mas também nos ofereçam uma solução, o que nem sempre está ao alcance deles (e nem deveria estar).

Aprender que amigos são (e devem ser, por amor a eles) limitados tem sido uma lição dura para mim. Hoje, mais do que antes, as questões existenciais se apresentam com frequência, pedindo de mim que eu tire conclusões, que eu repense, ressignifique, volte atrás, dê um passo para frente, mude, transforme, me autodomine, me auto-responsabilize (ou ‘autorresponsabilize’ tudo junto?).
É o lindo, mas espinhoso caminho da autonomia emocional… eita, expressão difícil essa!

Semana passada passei por um momento de angústia das bravas. Queria chorar no ombro de alguém e pensei em duas grandes amigas para isso (uma delas minha irmã de sangue). Bastou que eu imaginasse a reação de uma delas – uma frustração profunda por não ter uma resposta pronta, uma solução rápida para o meu problema – para que eu desistisse de contar a elas. Não. Tem que ser diferente. Não posso depender delas para me erguer. Era preciso encontrar outra forma, contar com os meus próprios recursos e, na falta deles, recorrer a uma Pessoa muito, mas muito específica.

Há alguns anos já que venho confiando em um outro Amigo. Como não tenho dificuldade para amizades profundas (para amizades mais superficiais eu tenho uma meeega dificuldade!), fiz dessa Pessoa um confidente dos mais confiáveis. Chego para Ele em oração e não conto, me derramo. Choro e falo de frustrações, de raiva, dos medos, das maldades, dos sentimentos puros, de tudo, tudinho de tudo que vai aqui nesse coração sovado pela vida. E sempre, sem exceção, recebo alívio. É um alívio parecido com ar condicionado de carro, quando chove e a gente liga o ar e os vidros vão sendo desembaçados, sabe? É assim quando conto tudo para o meu Amigo. Ele desembaça o meu olhar. Me dá perspectiva e esperança. Me devolve os recursos para avaliar, escolher e seguir o caminho por mim mesma, sem que eu precise que os amigos me sirvam de muleta.

A essa altura, você deve estar se perguntando: e seus amigos de carne, osso e sinceridade? Onde ficam numa hora dessas? Meus amigos queridos – e que para sempre serão – ficam ao meu lado, me oferecendo sua presença apoiadora (às vezes até silenciosa), conscientes de que existe Alguém do lado de dentro de mim, trabalhando para que eu me fortaleça. Meus amigos queridos, então, são convidados à minha casa, para celebrarem comigo mais uma resposta não necessariamente encontrada, mas sim buscada no lugar certo: Nele, que é a verdadeira Fonte de toda vida, de todo conhecimento e conforto.


Luciana Mendes Kim trabalha na educação, é amante da literatura, sonha um dia escrever livros e aprender a tocar acordeão. É também uma das idealizadoras do Santa Paciência.

A Dança da Vida

The Essence of Ballet - La Bayadére - Edition 7 @ 2014 - ingridbugge.com
The Essence of Ballet – La Bayadére – Edition 7 @ 2014 – ingridbugge.com

– Vamos dançar? – a Vida me convidou.
E, assim, começou minha grande aventura,
marcada para esse tempo e espaço.

O tempo, passando foi.
E deixei o ritmo acelerado desse tal tempo ditar o rumo.
– Acho que algo está fora de compasso, fora do prumo – senti.

– É… Acho que entendi.
   É que, durante a dança, esqueci que tenho par e
   sozinha continuei a dançar.

– Vida, onde te deixei? – cansei de sozinha dançar.
– Você cansou porque esqueceu que Eu sou o seu par!
    Me permite te (re)conduzir? – sussurrou a Vida para mim.

E eu, cansada de sozinha dançar,
me entreguei novamente à dança,
mas, agora com a Vida feito par.

 


Carolina Selles é apaixonada por cores, histórias e sabores, é designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

A morte e a Poesia Infinita

 

Depois que cruzei a linha dos 30 anos, a morte passou a ser um tema mais recorrente em minhas reflexões. E eis que já escuto gente aí pensando: “Nossa, mas que exagero! Tanto pra viver ainda e fica pensando nisso!”. Bom, se pensarmos no curso natural da vida, sim, é verdade, ainda me faltam anos, senão décadas, para viver. Mas uma realidade com menos maquiagem nos leva a uma constatação levemente diferente: não temos a menor ideia de quando será a nossa hora. E é dessa morte que falo: a real, que nos pega sempre desprevenidos e que deixa nos que ficam a sensação amarga e perdida de que ela lhes puxou o tapete mais uma vez. Essa é a morte, cuja existência (não é esse o termo exato) tenho procurado não ignorar. Claro que não acho fácil pensar sobre isso. Assim como você e todo o mundo (pelo menos, o mundo ocidental), a ideia de morrer começa como um pequeno desespero, como a chama de um fósforo, que já o consumiu por inteiro e que então começa a queimar o nosso dedo. Não raras vezes, interrompo os pensamentos para não me deixar desesperar demais.

Eu poderia dizer aqui que o que me inspirou a escrever sobre este assunto foi a morte do David Bowie, ocorrida hoje de manhã. De fato, me entristeci por ele ter ido, me emocionei com as lindas homenagens que o Lenny Kravitz, o Bono e outros artistas fizeram para ele, mas foi numa experiência mais particular que senti o que vou explicar.

Há algumas horas, em um momento de busca pelo silêncio, fui a um morrinho que existe atrás da minha casa, onde não há nada, só mato, bancos para sentar e a vista escancarada do horizonte.  Para mim, apenas esses elementos são mais do que suficientes. O lento anoitecer estava cinzento, nublado e um vento mais frio insistia para que eu vestisse o capuz do meu casaco, mas recusei. Eu queria sentir a fria vida me atingindo até os ossos. Olhando para o céu, comecei a falar com Deus (pois é, o silêncio é às vezes uma desculpa que uso para ficar papeando com Deus em pensamento) e fui percebendo o movimento daquelas nuvens enormes, carregadas, se desenrolando todas ligeiras para a mesma direção, como se estivessem indo atrás de alguém com quem estivessem bravas. Senti-me pequena. Ou melhor, minúscula. Agachei-me e orei: “Não entendo como Você pode ter tanta paciência com a gente, sendo assim tão imenso, maduro e assistindo à mesma história – a humana – se repetindo e se repetindo”. Foi aí que me bateu uma vontade maior do que o meu coração de ir para Deus. Não de me matar, mas de vencer o que me limita, passar para o outro lado daquelas nuvens grandiosas e estar com Deus em sua maneira eterna de ver as coisas. Foi bonito e intenso.

 

Morrinho
Vista que o morro atrás de casa me dá

Quando cheguei de volta em casa, recebi de minha irmã a sugestão de uma música (logo abaixo) sensível e que – coincidentemente ou não – trata a morte de forma melancólica e bela. Ao ouvir essa música e relembrar a experiência que vivi no morrinho, concluo que a morte não precisa ser sinônimo de desespero. Ela é um tunel apenas. Um tunel que liga esta terra à Poesia Infinita.

Time (Alan Parsons Project)

Time, flowing like a river
O tempo, fluindo como um rio
Time, beckoning me
O tempo, me chamando
Who knows when we shall meet again
Quem é que sabe quando nos encontraremos de novo
If ever
Se nos encontraremos
But time
Mas o tempo
Keeps flowing like a river
Continua fluindo como um rio
To the sea
Para o mar

Goodbye my love,
Adeus meu amor
Maybe for forever
Talvez para sempre
Goodbye my love,
Adeus meu amor
The tide waits for me
A maré espera por mim
Who knows when we shall meet again
Quem é que sabe quando nos encontraremos de novo
If ever
Se nos encontraremos
But time
Mas o tempo
Keeps flowing like a river (on and on)
Continua fluindo como um rio (continuamente)
To the sea, to the sea
Para o mar, para o mar

Till it’s gone forever
Até que tenha ido para sempre
Gone forever
Ido para sempre
Gone forevermore
Ido para sempre e sempre

Goodbye my friends,
Adeus meus amigos
Maybe for forever
Talvez para sempre
Goodbye my friends,
Adeus meus amigos
The stars wait for me
As estrelas esperam por mim
Who knows where we shall meet again
Quem é que sabe onde nos encontraremos de novo
If ever
Se nos encontraremos
But time
Mas o tempo
Keeps flowing like a river (on and on)
Continua fluindo como um rio (continuamente)
To the sea, to the sea
Para o mar, para o mar

Till it’s gone forever
Até que tenha ido para sempre
Gone forever
Ido para sempre
Gone forevermore
Ido para sempre e sempre

 

 


Luciana Mendes Kim trabalha com educação, é amante da literatura, sonha um dia escrever livros e aprender a tocar acordeão. É também uma das idealizadoras do Santa Paciência.