Mulheres Inspiradoras: Corrie Ten Boom – Abr/2018

Foi a primeira mulher licenciada ao ofício da relojoaria na Holanda e ficou conhecida por abrigar em seu lar diversos refugiados judeus além de membros da resistência nazista.

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Nascida em 15 de abril de 1892, na Holanda, Cornelia Johanna Arnolda Ten Boom, mais conhecida como Corrie Ten Boom, cresceu em um lar cristão.

Seus pais, Casper Ten Boom e Cornelia Johanna Arnolda Ten Boom-Luitingh, tiveram 4 filhos. Seu irmão Willem foi um teólogo, sua irmã caçula, Nollie, casou-se, enquanto Corrie e sua irmã mais velha, Elisabeth mais conhecida como Betsie, viveram juntas a missão de abrigar refugiados em seu lar, juntamente com seu pai, durante o Holocausto.

Corrie aprendeu o mesmo ofício de seu pai, o da relojoaria, estudando-o no período de 1920 a 1922 e ao formar-se, tornou-se a primeira mulher relojoeira licenciada em toda a Holanda.

Porém, sua grande e arriscada contribuição foi através do O Refúgio Secreto, nome dado ao seu lar, pelo acolhimento que exerceu à pessoas refugiadas durante o Holocausto. O lar dos Ten Boom foi um local que recebeu diversas pessoas e teve seu “pontapé oficial” em 1942, com a chegada de uma mulher muito bem vestida, portando apenas uma pasta à mão e pedindo asilo, pois ela tinha ouvido falar que eles já haviam abrigado alguns conhecidos judeus.

A família abrigou, socorreu e arriscou a própria vida por diversas pessoas até fevereiro de 1944, quando um informante holandês delatou toda a família as autoridades nazistas que levaram presos. Casper Ten Boom não resistiu e morreu 10 dias depois de sua prisão. Enquanto ela e sua irmã, Betsie, foram encaminhadas para o campo de concentração feminino em Ravensbrück, na Alemanha. Lá é Betsie que veio a falecer e, antes de ir a óbito, disse à Corrie a seguinte frase: “não há abismo tão profundo que o amor de Deus não seja ainda mais profundo”.

Corrie foi solta um dia após o Natal de 1944. Posteriormente, ela soube que sua soltura se deu por um erro burocrático porque uma semana depois de sua libertação todas as meninas de sua idade haviam sido assassinadas.

Com o fim da guerra, ela retornou à Holanda, posteriormente à Alemanha e depois viveu muitos anos ensinado e palestrando itinerante pelo mundo.

Em 1967 Corrie foi honrada pelo Estado de Israel com o Prêmio Justos entre as Nações1. Em 1971 ela escreveu seu mais famoso livro O Refúgio Secreto onde ela narra toda a saga de sua família – em 1975 o livro foi adaptado para o cinema. E também foi homenageada pela rainha da Holanda, em reconhecimento de seu trabalho, ganhando um museu na cidade de Haarleem.

Em 1977 ela mudou-se para Califórnia, nos Estados Unidos da América. E sua saúde, dia a dia, foi se deteriorando até que perdeu por completo sua comunicação e veio a falecer no dia de seu 91° aniversário, em 15 de abril de 1983.

Com Corrie eu aprendi a ter coragem. Coragem para fazer o que é certo, independente das circunstâncias, mesmo que custe a própria vida. Com ela, eu também aprendi que não existe nenhuma situação que não venha a ser de Ação de Graças à Deus. Em todo o momento Ele é bom! Mesmo nas circunstâncias mais adversas e difíceis que enfrentamos. Um exemplo é o que Catherine Marshall narra em seu livro Uma Fé Mais Profunda2, quando descreve uma situação que a própria Corrie contou a ela quando esteve hospedada em sua casa (e também está relatada em seu livro O Refúgio Secreto):

[Ela] continua a ser uma das hóspedes mais agradáveis que já honraram a nossa casa e regala-nos amiúde com anedotas da sua vida na prisão. Uma das minhas favoritas é a história das pulgas…

Em certo período da sua detenção, Corrie e Betsie foram transferidas de celas apinhadas (onde haviam vivido meses a fio separadas uma da outra) para as Barracas n° 28. Em menos de uma hora descobriram que os seus malcheirosos colchões de palha fervilhavam de pulgas.

– Como poderemos viver num lugar como este? – gemeu Corrie mansamente.

Sem responder, Betsie pôs-se incontinente a rezar.

– Mostre-nos, Senhor, mostre-nos como. – E, logo, em tom excitado: – Corrie, Ele nos deu a resposta! Eu a li na Bíblia hoje cedo. Aqui… leia de novo essa parte.

O trecho pertencia a I Tessalonicenses e dizia: “Regozijai-vos sempre, orai sem cessar, em tudo dai graças, porque está é a vontade de Deus em Cristo Jesus…”

– É isso mesmo, Corrie! Devemos agradecer a Ele por todas as coisas que digam respeito às novas barracas.

– Tais como?… – Corrie estava tentando olhar com olhos novos para o recinto escuro e fedido.

– Tais como estarmos aqui.

– Oh, sim.

– E termos conseguido até agora conservar a Bíblia.

– Sim… oh, sim. Obrigada, Senhor, por isso.

– E as pulgas.

– Betsie, não vejo maneira de poder agradecer a Deus pelas pulgas.

– Mas as pulgas fazem parte deste lugar, onde Deus nos colocou. “Em tudo dai graças”, diz a Bíblia. E não apenas nas circunstâncias agradáveis.

E as duas mulheres deram graças a Deus pelas pulgas.

A medida que os dias passavam, as prisioneiras das Barracas n° 28 acabaram descobrindo que havia nelas uma espantosa falta de supervisão ou interferência. Corrie e Betsie aproveitavam a liberdade sem precedentes para conversar com outras prisioneiras, ler-lhes a Bíblia e acudir-lhes de muitíssimas maneiras.

Depois, um dia, ficaram sabendo pela boca de uma supervisora a razão de tanta liberdade. Algumas mulheres a haviam chamado através da porta gradeada para vir decidir uma disputa surgida entre elas. A supervisora recusou-se e o mesmo fizeram os guardas.

– Este lugar está infestado de pulgas, – disse a supervisora. – Eu não passaria pela porta por nada neste mundo.

A mente de Corrie voltou, num relance, à primeira hora que haviam passada das barracas e à sua lamentável ação de graças pelas pulgas. Quando ela ergueu a cabeça, Betsie, com os olhos brilhantes, tentava reprimir o riso.

– Agora sabemos por que se espera que O louvemos até pelas pulgas. Até as pulgas tiveram de ser o Seu instrumento para o nosso bem.

Trecho do livro Uma Fé Mais Profunda, páginas 31 e 32, de Catherine Marshall

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NOTAS:
1Prêmio Justos entre as Nações é um prêmio instituído pelo Memorial do Holocausto como reconhecimento a todos os não judeus que durante a II Guerra Mundial salvaram vidas de judeus perseguidos pelo regime nazista.

2Uma Fé Mais Profunda, de 1974 (título original Something More).

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A Série Mulheres Inspiradoras tem como objetivo celebrar a história de mulheres cristãs que imprimiram sua marca no mundo através da arte, música, literatura, justiça social, teologia, ciências e/ou outras esferas que compreendem o nosso bem viver. Para nos inspirar e impulsionar a deixarmos também o nosso legado no mundo, devolvendo ao Criador o que Ele nos confiou.

 


Sou Carolina Selles apaixonada por cores, histórias e sabores. Sou designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Universo infinito e particular

Conheci o Sam Sund há alguns anos, quando participamos da mesma banda por dois meses. Lembro-me de seu cabelo comprido, de seu violão e da disposição que ele tinha para ensaiar à perfeição o repertório. Depois tivemos contatos esporádicos, via Facebook. Seu mural sempre foi recheado de imagens de astros e estrelas… não, não de Hollywood. Do Espaço Sideral mesmo. Sam é astrofísico, daqueles bem entendidos do assunto. Há pouco mais de um ano, descobriu que tem uma doença grave. Fez tratamentos, foi enviado para a Suíça para continuar se tratando e de lá mantém seus amigos informados sobre o que tem sentido e passado. São mensagens sempre muito profundas sobre vida, dor, morte, identidade, eternidade, finitude, fé e ciência.

A história do Sam tem me inspirado e me levado a perguntar a mim mesma, diariamente, se aquilo a que dou valor nesta vida é, de fato, importante. Tem sido enriquecedor acompanhar o Sam – mesmo que à distância – e aprender com ele. Aproveitando esse contato, eu o convidei a escrever para o nosso blog sobre o tema que quisesse e da forma como quisesse. Ele, numa demonstração de gentileza, aceitou o meu convite e o resultado você lê agora.

Luciana Mendes Kim


 

Confesso que aceitei com surpresa o convite da amiga Luciana Kim para contribuir com um post aqui. Receio de invadir com rudeza excessiva um espaço feminino de reflexão sobre a vida.

Há um tempo resolvi abrir minha situação de saúde em minha página do Facebook, normalmente alimentada de posts sobre Astronomia e Astrofísica. Muitos entendem que minha situação está deteriorando, chegando ao estágio limítrofe à vida (ou morte). Eu, todavia, me vejo evoluindo.

Recebo várias mensagens de apoio nos comentários dos meus posts. A maioria são citações de trechos bíblicos de fé, entrega e arrependimento… o que me toca mais é a urgência de alguns, de que, ao me mandar certos textos, eles supostamente possam me ajudar rápida e definitivamente a sair da situação em que me encontro. A preocupação deles me comove!

Mas eu tenho minhas próprias preocupações… ei-las:

 – A que Salmo o Rei Davi podia recorrer nos seus momentos de angústia, medo da morte e dor?  Entendo que os livros da Bíblia estão à nossa disposição para essas coisas e são sagrados e inspirados, mas Davi era também só um homem …O Livramento, a Presença vinham para ele não do proclamar textos …antes, do seu íntimo relacionamento com o Criador. A sua relação com Deus foi o que produziu os Salmos.

 – E, como citei, nessa situação em que vivo, a gente depende do que já conseguiu interiorizar de antemão. Não dá pra ir atrás de uma “fé dos outros” nessa hora. É como aquela situação em que a pessoa tentou fazer um milagre “em nome do Jesus que Paulo prega” (Atos 19.15) … Você e eu receberemos sempre a mesma resposta que a tal pessoa:  Conheço Paulo , e sei quem é Jesus… mas e você… Quem é? 

Q u e m  é  V o c ê ?? – é o que ouço a todo momento.

Um pouco irônico e terrificante de gelar é que, Naquele Dia, teremos sobre nós a mesma pergunta embutida :

Quem é você?  Nós nos conhecemos?

 

 

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Os dois pontinhos claros nessa imagem são a Terra e a Lua vistas de Saturno …1,4 bilhões de km distantes. A espécie humana enviou a espaçonave Cassini para a órbita desse planeta, que levou 7 anos viajando até chegar.

Talvez a maioria tenha uma sensação de quão pequenos e flutuantes somos no Universo ao abordar essa imagem. Eu me sinto único e especial.

 


Sam Sund é astrofísico, doutorando pela Max Planck Institute for Astrophysics , Munique, Alemanha.