Fazer o bem requer o que sou e o que tenho

Há pouco mais de um mês, alguns amigos queridos, meu marido e eu nos reunimos para preparar um jantar juntos, sob a temática Índia. Passamos horas conversando, aprendendo, nos alimentando fisica e emocionalmente. Para fechar a noite, um filme indiano, claro. Escolhemos Lion, já bastante divulgado por aí. Enquanto eu o assistia, pensava no quanto aquele sofá estava macio (eu estava bem cansada, depois de horas lavando folha por folha de um maço de espinafre infinito, ingrediente principal do palak paneer) e o quanto era boa a sensação de barriga cheia. Entretanto, quando o filme se aproximava do fim, uma informação na última tomada ruiu com toda a harmonia da qual eu desfrutava com tanta satisfação: 80 mil crianças indianas desaparecem anualmente. Subitamente, senti um indescritível mal-estar.

Demorei para dormir naquela noite: como estariam aquelas crianças todas? Teriam tido a mesma sorte do protagonista do filme e sido adotadas? Sofriam maus-tratos? Abuso? Fome? Chorei e orei muito por elas. Comecei a pedir a Deus que me mostrasse como ajudá-las… todas era impossível, mas uma pelo menos. Talvez a adoção? Meu marido e eu sempre fomos muito inclinados à adoção, só não fizemos isso ainda por estarmos em um momento financeiramente frágil da nossa vida. Mas e então? O que fazer para resgatar aquelas crianças? Passei a orar por elas todos os dias e pedir a Deus que me desse ideias.

Minha experiência com a consciência do sofrimento não é inédita, obviamente, menos ainda exclusiva. Cada um de nós conhece uma história, um grupo, um povo que sempre parece sofrer mais do que a gente. Sentimos nosso coração pesado por eles, impelido a fazer algo. Ao mesmo tempo, a sensação de incapacidade nos atinge como se alguém nos acordasse de um sonho com um tapa no nosso rosto: como eu, sozinho, posso mudar uma realidade que me supera em complexidade e idade? Anne M. Lindbergh, em seu livro Presente do Mar, compartilha do mesmo dilema: “Não consigo ajudar todas as pessoas que tocam meu coração. Não posso casar com todas elas, ou adotá-las como filhos, nem cuidar delas como faria com meus pais na velhice ou na doença”. “Quando o peso que carregamos é insuportável”, ela continua, “desencadeia-se um processo de fuga”. Então recorremos às distrações, para que a sensação de conforto volte o mais rápido possível. Afinal, não podemos resolver todos os problemas do mundo.

Sarah Sciarini, neste post publicado pela Relevant Magazine, percebe que uma realidade mais próxima, em torno de nós, também clama por atenção e ação:

Como cristãos, nós não fomos feitos para nos conformarmos em falta de esperança, tampouco fomos feitos para fechar os olhos diante da dor e do sofrimento de outros. Em vez disso, nós podemos empacotar a nossa esperança e carregá-la conosco para onde há pequenas rachaduras e lugares quebrados.

E Anne M. Lindbergh, ainda em Presente do Mar, complementa:

Seremos capazes de resolver os problemas do mundo se nem conseguimos resolver os nossos?

Assim, olhar ao redor de nós promete revelar-nos oportunidades diversas para agirmos em favor do bem-estar de quem sofre. Cozinhar uma refeição saborosa para um parente idoso; levar os filhos do vizinho à escola enquanto ele sai para uma consulta médica; ensinar alguém alguma atividade que irá melhorar as chances dessa pessoa de encontrar um bom emprego… e por aí se estendem as possibilidades.

Deus, que ama profundamente o pobre, a viúva e o órfão, promete recompensar-nos pelo bem que fizermos a eles:

Bem-aventurado o que acode ao necessitado; o Senhor o livra no dia do mal. O Senhor o protege, preserva-lhe a vida e o faz feliz na terra; não o entrega à discrição de seus inimigos. O Senhor o assiste no leito de enfermidade; na doença, tu lhes afofas a cama (Salmo 41. 1-3).

Fiquei imaginando Deus afofando a minha cama quando eu estivesse doente. Definitivamente, é uma imagem carregada de ternura, a ponto de deixar nossos olhos molhados.

Deus tem respondido à oração que fiz no dia em que assisti Lion e soube sobre as 80 mil crianças indianas desaparecidas. Não, não montarei uma ONG que vai procurar essas crianças e encaminhá-las de volta às suas famílias (aliás, a popularidade do próprio filme tem sido um meio de fazer isso acontecer), mas Ele tem plantado um novo sonho no meu coração, que envolve crianças e que envolve o cuidado com elas até seu nível mais profundo: o espiritual. Venho acalentando esse sonho e já dado pequenos passos em direção à sua realização. Hoje mesmo, terminei de assistir à inspiradora série de documentários Daughters of Destiny (obrigada, Fê Pinilha, pela dica preciosa!), do Netflix, que conta como uma escola na Índia (olha a Índia de novo) tem mudado a realidade de crianças da casta dos dalits, conhecidos como “os intocáveis”, que nascem e morrem sendo considerados menos do que humanos. A escola se torna a nova casa dessas crianças e, desde os quatro anos, elas são educadas e acompanhadas, até se formarem na faculdade e arrumarem um emprego – tudo custeado por essa escola, a Shanti Bhavan. É um trabalho árduo, mas transformador. Por meio desse documentário e de outras pistas que tenho caçado por onde passo, venho orando, pensando e me colocando nas mãos de Deus para que eu também contribua com o que sou e com o que tenho.

Deus fala por meio das menores vozes – mesmo por meio daquelas que não tenham as maiores plataformas ou o círculo de influência mais amplo. Todos nós temos a habilidade de nos levantar em favor daquilo que é certo e amar as pessoas que estão machucadas. Seria ingênuo para qualquer um de nós acreditar que podemos resolver os problemas do mundo. Seria um desperdício de esperança deixar que esses mesmos problemas nos paralisassem e nos impedissem de realizar qualquer bem. (Sarah Sciarini)

Quando começamos pelo nosso próprio centro, descobrimos algo essencial, que se estende até a periferia do círculo. Encontramos novamente um pouco de alegria no agora, um pouco de paz no aqui, um pouco de amor em mim e em você, que podem criar o reino do Céu aqui na terra. (Anne M. Lindbergh)

 

 

 


Luciana Mendes Kim sou eu. Mas, depois de um certo tempo, pode me chamar de Lu. Amo algumas pessoas bem conhecidas (a Clarice Lispector e o Wim Wenders, por exemplo ) e outras tantas do meu convívio. Amo também ler ficção, ver filme parado, dançar música eletrônica, tomar chá com amigos queridos e ir ao Sesc com marido e filho. Um dia, conheci a Carol e a Talita e, juntas, criamos o Santa Paciência.

Mentir é humano. Essencialmente humano.

“Ceci n’est pas une pipe” – René Magritte, 1929.

Você torce a história só um pouco e aquilo se torna… Pode ter um grande impacto em sua vida.

Kelley Williams-Bollar uma das entrevistadas no documentário (Dis)Honesty the truth about lies1

Mentir é humano. Essencialmente humano.

No início da narrativa bíblica, em Gênesis, a serpente mente para Eva e a engana – e ela já deveria estar bem atraída pela ideia de comer do tal fruto. Eva, por sua vez, convence Adão – que também já deveria estar bem apático em seu relacionamento para sequer questionar-se e prontamente comer do fruto. E ao serem visitados por Deus – como era de costume – escondem-se por medo. Percebem-se nus, estranhos. Um culpa o outro, mentem e ninguém assume sua própria responsabilidade.

Pronto! Desde então, nossos relacionamentos foram manchados e estão marcados pela acusação alheia, pela desconfiança, inveja, medo, cobiça e a lista segue, é extensa… E desde esse episódio fatídico, temos a tendência de enganar aos outros e a nós mesmos.

Nós meio que sabemos de forma anedótica que uma vez que você mente, é provável que minta de novo. E é provável que a segunda mentira seja maior que a primeira.

O que encontramos no cérebro, é que, no começo, se você mentir pouco, há uma resposta muito forte nas regiões ligadas às emoções, tais como a amídala e a ínsula. Na décima vez em que você mente, mesmo que minta a mesma quantidade, a resposta não e tão forte. Assim, embora a mentira aumente com o tempo, a resposta do seu cérebro diminui. Nós achamos que a resposta disto acontecer seja um princípio bem básico do cérebro. Que é o seguinte: o cérebro se adapta. Por exemplo, se você está ouvindo música num volume baixo e o aumenta um pouco, duas marcações, parece uma diferença grande. Mas se você está ouvindo o rádio num volume bem alto e aumenta duas marcações, você nem sente. O cérebro codifica tudo relativamente à linha de base adotada. O mesmo se dá com a desonestidade. Se somos pessoas bem honestas que não costumamos mentir, e agora contamos uma mentira, o cérebro está codificando como uma diferença grande em relação à nossa linha de base. Mas se somos desonestos e mentimos bastante, o cérebro não responde tanto. Depois de um tempo, o valor negativo da mentira, o sentimento negativo, quase não se manifesta mais. O que acaba fazendo com que você minta cada vez mais.

Tali Sharot: neurocientista cognitiva da Universidade de Londres no documentário (Dis)Honesty the truth about lies

Mentiras que são para o nosso próprio proveito. Por que mentimos tão prontamente? A mentira é uma maneira rápida e fácil de ganhar vantagem, proteção e promoção dos interesses pessoais. Mentimos para chamar a atenção das pessoas e nos promover na estima dos outros. Mentimos para proteger nossa reputação e mentimos para fugir do castigo. Muitas mentiras são servas dedicadas do ego.2

Mentimos, muitas vezes, porque somos autocentrados e não queremos que a nossa imagem seja colocada a prova ou que nossa reputação fique manchada. Mas nosso chamado é para não nos importarmos com nenhum julgamento além daquele que provém de Deus: Pouco me importa ser julgado por vocês ou por qualquer tribunal humano; de fato, nem eu julgo a mim mesmo. Embora em nada minha consciência me acuse, nem por isso justifico a mim mesmo; o Senhor é quem me julga. Portanto, não julguem nada antes da hora devida; esperem até que o Senhor venha. Ele trará à luz o que está oculto nas trevas e manifestará as intenções dos corações. Nessa ocasião, cada um receberá de Deus a sua aprovação. [1 Coríntios 4.3–5 – NVI]

Mentiras que servem aos outros. Um desafio ainda maior no nosso compromisso com a verdade se encontra no costume cultural de mentir para proteger os outros. À primeira vista talvez pareça que é uma exceção válida tendo em vista o alvo justo da sinceridade.

É preciso admitir que às vezes é difícil ter tato para dizer a verdade. O que você diz quando vê um bebê recém-nascido, vermelho e enrugado no hospital? O que você responde quando alguém lhe pergunta acerca de um vestido, de um chapéu, ou de uma gravata nova?

Isso não quer dizer que devemos ser “brutais” ao falar a verdade. A Palavra de Deus ordena que falemos a verdade em amor (Efésios 4.15). A verdade deve andar junto com a misericórdia, com a gentileza, com a compreensão e com a graça. Não há virtude nenhuma em glorificar a Deus, dizendo a verdade e ao mesmo tempo destruindo a glória da graça de Deus com um espírito insensível.3

E costumamos mentir também, para não desagradar a outros, mas esquecemos que nosso compromisso primeiro é com Deus, que é a Verdade. Verdade que é também Amor e ambas andam juntas são inseparáveis.

Dar resposta apropriada é motivo de alegria; e como é bom um conselho na hora certa!
(Provérbios 15.23 – NVI)

 

Sonda-me, ó Deus,
e conhece o meu coração;
prova-me e conhece as minhas inquietações.

Vê se em minha conduta algo te ofende
e dirige-me pelo caminho eterno.

Salmo 139.23–24

 

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NOTAS:
1(Dis)Honesty the truth about lies é documentário feito por Dan Ariely, um norte-americano de origem israelense, que após sofrer um grave acidente na adolescência – que levou grande parte do seu corpo a ser queimado, percebeu como os profissionais da saúde, médicos e enfermeiros que deveriam ser os mais aptos a lidarem com sua recuperação, muitas vezes eram os que mais agiam irracionalmente, desconsiderando por completo o paciente. Com isso, resolveu tornar-se um pesquisar sobre “economia comportamental”, formando-se em Psicologia Cognitiva e estudando através de pesquisas comportamentais.

2O Controle da língua – o Espírito Santo pode refrear a sua língua livro escrito por Joseph W. Stowell

3O Controle da língua – o Espírito Santo pode refrear a sua língua livro escrito por Joseph W. Stowell

 

 


Carolina Selles é apaixonada por cores, histórias e sabores, é designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Os frutos atemporais de Árvore da vida

Demorei para assistir ao filme A Árvore da Vida, do cineasta americano Terrence Malick.

O filme foi lançado em 2011 e, como vocês podem perceber, levei apenas alguns anos para assisti-lo (rs).

É que às vezes gosto de esperar a poeira baixar, gosto de descobrir por mim mesma, ter minhas próprias impressões. Sei que estou “atrasada” e que este já não é o assunto discutido nas timelines da vida, mas depois que eu o assisti, percebi que, para cada fase da vida, determinado filme (ou livro) faz muito mais sentido, fala mais diretamente à alma da gente. E assim, fiquei muito feliz de tê-lo assistido só agora, porque percebi que não haveria melhor momento do que este, no qual me encontro. Assim, acredito que o assisti no tempo certo. No meu tempo certo.

Onde você estava quando lancei os alicerces da terra?
Responda-me, se é que você sabe tanto.
Quem marcou os limites das suas dimensões? Talvez você saiba!
E quem estendeu sobre ela a linha de medir?
E os seus fundamentos, sobre o que foram postos?
E quem colocou sua pedra de esquina,
enquanto as estrelas matutinas juntas cantavam
e todos os anjos se regozijavam?
Jó 38:4-7 (NVI)

São esses os versículos que abrem o filme. Meu coração palpitou, meus olhos umedeceram e ainda não havia aparecido qualquer outra imagem, senão esse trecho do livro de Jó. Nesse instante, percebi que, desde o primeiro frame, o filme já tinha me capturado, me levando ao início de uma contemplação e reflexão, que eu sequer havia imaginado que o filme poderia me levar.

As freiras nos ensinaram que existem dois caminhos na vida. O caminho da Natureza e o caminho da Graça. Você precisa escolher qual deles irá seguir. A Graça não procura satisfazer a si própria, ela aceita que a desprezem, que a esqueçam, que não gostem dela. Ela aceita ser insultada e ser ferida. A Natureza só quer satisfazer a si mesmo, e fazer com que os outros a satisfaçam. Ela gosta de ser livre e que façam a sua vontade. Ela procura razões para ser infeliz quando o mundo todo está feliz ao seu redor e o Amor está sorrindo através de todas as coisas. As freiras nos ensinaram que quem ama o caminho da Graça jamais têm um fim triste. Eu serei leal à Você aconteça o que acontecer.
(trecho posterior ao frame dos versículos citados acima)

Confesso que me faltam palavras para descrever tudo o que vi, ou melhor, o que eu senti ao ver A Árvore da vida. Mesmo porque algumas pessoas já teceram ótimos comentários sobre o filme e deram explicações que estão longe do meu humilde repertório. Essas contribuições, aliás, me ajudaram a compreender algumas partes mais complexas (que foi o caso do Guilherme de Carvalho, por exemplo. A propósito, seus comentários sempre me ajudam a compreender melhor a filosofia, a teologia e, agora, por que não dizer as artes? Você pode ler seu artigo sobre o filme aqui). Já outros escreveram sobre como o filme mudou suas percepções sobre a fé (como foi o caso do Zeca Camargo e você pode ler o blog dele aqui). Mas se eu pudesse me arriscar, humildemente eu diria que, para mim, o filme funcionou como uma luz e, por ser tão belo, acabou iluminando não a si próprio, mas a Deus. Sim, Deus é o foco, não tem como negar. Fiquei tão extasiada em ver uma obra de arte como essa, com imagens maravilhosas, trilha sonora perfeita, lindos enquadramentos, metáforas imagéticas*, narrações que poderiam facilmente ser pensamentos meus, tudo em conjunto glorificando a Deus, e o que é melhor: sem cair no clichê.

É confortante ver artistas como Malick – conhecidos da grande mídia e pertencentes a um circuito tão restrito – não abrindo mão de uma obra autoral e fazendo do cinema um verdadeiro suporte artístico. Seu filme nos leva à contemplação e à reflexão sobre a fé de um jeito que os filmes cristãos, com suas historinhas bobinhas e irreais, não poderiam fazer.

Obrigada, Malick, por nos levar à profundidade. E obrigada também a tantos outros “Malicks”, não conhecidos da grande mídia, mas que fazem a diferença em seu meio, nos presenteando com belas obras de arte, no cinema, na música, nas artes plásticas, no grafite, na poesia, no design, no artesanato, na gastronomia, na moda, enfim. Saibam que vocês nos inspiram, e que a arte é, sim, um meio de glorificar a Deus e também de trazer mais beleza e leveza à nossa vida.

E o que mais dizer sobre o filme?

Bem, eu diria para você: simplesmente o assista e se delicie com cada minuto dele. Acredito que, assim como eu, você também ficará com a sensação de que qualquer palavra, frase ou conceito que tente definir o que é ou o porquê do filme possa soar como mera especulação.

Trailer aqui:

A Árvore da vida [The tree of life], EUA, 2011
Diretor: Terrence Malick
Elenco: Brad Pitt, Sean Penn, Fiona Shaw, Jessica Chastain, Hunter McCracken, Kari Matchett, Dalip Singh, Joanna Going, Jackson Hurst, Brenna Roth, Jennifer Sipes, Crystal Mantecon, Lisa Marie Newmyer
Produção: Dede Gardner, Sarah Green, Grant Hill, Brad Pitt, Bill Pohlad
Roteiro: Terrence Malick
Fotografia: Emmanuel Lubezki
Trilha Sonora: Alexandre Desplat
Duração: 138min.
Distribuidora:
 Imagem Filmes
Estúdio: Cottonwood Pictures / Plan B Entertainment / River Road Entertainment / Brace Cove Productions

 

metáforas imagéticas* = eu não sei se existe essa expressão. Na verdade, pensei em dizer que há metáforas através de imagens no filme (o que pra mim fez total sentido essa expressão, hehe)

 


Carolina Selles é apaixonada por cores, histórias e sabores, é designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Filmes & a temática feminina

Aproveitando que o final de semana está aí, que tal escolher um desses filmes (ou todos eles! por que não?!) para assistir?

Tenho certeza que será mais do que um entretenimento; será uma ótima reflexão.

Girl Rising

Richard Robbins, 2013 

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trailer: https://www.youtube.com/watch?v=81x6mYNxqzU

Não tem como assistir esse filme e não ser impactada… Em alguns momentos você se indignará, ficará pensativa, em estupefação, porém em outros (talvez na maior parte do filme), sentirá um enorme constrangimento, e daqueles que só é sentido quando comparamos nossas condições, estruturas e oportunidades com essas e tantas outras meninas ao redor do mundo que não possuem sequer 1/3 do que chamamos aqui no Ocidente, ou como nossa classe média abastada define, por direitos básicos.

O filme conta a história de 9 meninas de países diversos. Tais histórias foram recontadas por escritores, mas para trazer a essência de suas experiências, de forma bela, porém real. E entre uma história e outra o documentário traz dados interessantíssimos como, por exemplo:

“Aqui está um fato perturbador. A causa número um de morte para garotas entre 15 e 19? Não é Aids. Não é fome. Não é guerra. É parto. Quando as meninas se casam jovens, a educação termina. E os ciclos anteriores continuam. Ciclos de pobreza, ciclos de violência, ciclos de ignorância (Colocar todas as crianças na escola evitaria 700 mil casos de HIV por ano). Mas uma garota que vai estudar inicia outro ciclo (Meninas que estudam 8 anos são 4 vezes menos propensas a se casar jovem). Porque ela se manterá mais saudável. Ela vai se casar mais tarde. Ela terá filhos mais saudáveis (Um filho nascido de uma mãe alfabetizada tem 50% mais chance de passar dos 5 anos). E acima de tudo, ela terá filhos estudados (Mães estudadas são duas vezes mais propensas a mandar seus filhos para à escola). E não são só as mães. Os pais também devem investir. Assim, suas filhas podem sonhar.”

E eu se fosse você, começaria por ele ;-)


Miss Representation

Jennifer Siebel Newsom, 2011

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você consegue assisti-lo na íntegra aqui: https://vimeo.com/72015293

Esse documentário aborda a falta de representatividade das mulheres na grande mídia. Seja a representatividade atrás das telas, como ‘cabeças pensantes’, criadoras e geradoras de conteúdo, seja reproduzindo e representando o papel da mulher sob uma ótica distorcida, comercializada e machista.

“Mulheres detêm apenas 3% de cargos de poder em telecomunicações, entretenimento, publicações e propaganda. Isso significa que 97% de tudo o que você ‘sabe’ sobre si mesma, sobre seu país e o mundo vêm de uma perspectiva masculina. E não significa que isto esteja errado. Significa simplesmente que em uma democracia, que nós dizemos ser igualitária e com a participação de todos mais da metade da população não está participando” – Carol Jenkins (Presidente Women’s Media Center)


Pray The Devil Back To Hell

Gini Reticker, 2008

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trailer: https://www.youtube.com/watch?v=bi3nvH_Po5E

O cenário deste documentário é a Libéria, país que viveu uma sangrenta guerra civil durante o regime de Charles Taylor, que em 2003 foi forçado a exilar-se na Nigéria.

E como parte dessa revolução e fim da guerra, várias mulheres se unem, deixando de lado diferenças religiosas, para protestarem pacificamente pela paz. A Libéria é abençoada por ter essas mulheres que ajudaram a definir o destino de seu país sem derramar uma gota de sangue, mas que com lágrimas, orações e súplicas trouxeram um futuro melhor à sua nação.


Persépolis

Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, 2008

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você consegue assisti-lo na íntegra aqui: https://www.youtube.com/watch?v=jUXo4zw0vXA

Persépolis é uma animação francesa, baseada na história em quadrinhos homônimo e autobiográfico da Marjane Satrapi.

A animação começa antes da Revolução Iraniana, quando Marjane tinha 8 anos, mostrando como ela era igual a qualquer outra menina de sua idade, mas conforme o tempo vai passando, a nova República Islâmica toma o poder do Irã, seu país de origem, e começa a controlar como as pessoas (as mulheres em especial) deveriam se vestir e se portar, obrigando-a a expatriar-se.

O filme é bem rico também, porque ao narrar toda a história da personagem, traz as angústias, os medos, as frustrações e traumas que todo o conflito e a ruptura acabaram causando em sua vida.

 


Carolina Selles é apaixonada por cores, histórias e sabores, é designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.