Mulheres Inspiradoras: Elisabeth Elliot – Dez/2018

Foi missionária no Equador, publicou 24 livros, comandou o programa de rádio ‘Gateway to Joy’ por mais de uma década, foi professora e palestrante ao redor do mundo.

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Elisabeth Howard nasceu no dia 21 de dezembro de 1926, em Bruxelas na Bélgica: lugar onde seus pais foram missionários. Porém com poucos meses de idade sua família retornou aos Estados Unidos da América, indo morar na Filadélfia, Pensilvânia.

Nossa família continuou morando na Filadélfia e depois em Nova Jersey até eu sair de casa para cursar o Wheaton College. Naquela época, a família tinha aumentado para quatro irmãos e uma irmã.1

Em Wheaton College foi onde ela estudou Grego Clássico acreditando ser uma importante ferramenta que a permitiria trabalhar na área de tradução do Novo Testamento para uma língua desconhecida. Após a faculdade, Elisabeth fez uma pós-graduação em Alberta, no Canadá, no Prairie Bible Institute.

Jim e Dave Howard, meu irmão, se formaram juntos no Wheaton College, em 1949. Embora eu também estudasse nessa faculdade, não conheci Jim até o Natal de 1947, quando Dave o trouxe para passar as festas conosco. Achei graça quando, mais tarde, fiquei sabendo que Jim havia escrito aos seus pais sobre “uma garota alta e magra, longe de ser bonita, mas de personalidade dinâmica desconcertante que me atrai.”2

Antes de se casarem, Elisabeth e Jim foram individualmente para o Equador, como parte de um treinamento missionário. E em 1953, casaram-se na cidade de Quito – iniciando sua jornada em direção a tribo indígena Auca (atualmente conhecidos como Waorani).

Mas foi em setembro de 1955 que a Operação Auca realmente teve início. Foi nesse mês que Deus começou a tecer cinco fios distintos em uma tela esplendorosa para sua própria glória.3

Jim Elliot, Pete Fleming, Ed McCully, Roger Youderian e Nate Saint eram apaixonados pelo povo Auca, mas sobretudo o estímulo deles tinha outra origem em outra fonte. Cada um dos homens havia feito um pacto pessoal com Deus, reconhecendo que pertencia ao Senhor, primeiro por direito de criação e, segundo, pela redenção oferecida na morte de seu Filho, Jesus Cristo. Este direito duplo sobre a vida de nossos maridos eliminava qualquer dúvida quanto à lealdade deles. Não era questão de lutar para seguir o exemplo de um grande Mestre. É impossível o ser humano moldar-se perfeitamente à vida de Jesus. Para nossos maridos, Jesus Cristo era Deus e, sem dúvida nenhuma, havia tomado a forma de homem para morrer e, com sua morte, oferecer não somente o escape da punição que os pecados mereciam, mas também, um novo tempo de vida, a eterna, tanto em extensão quanto em qualidade.4

E infelizmente, no início do ano de 1956, esses 5 missionários morreram depois de algumas tentativas de aproximação com a tribo Auca.

Certa noite, eu e as outras esposas conversamos sobre a possibilidade de ficarmos viúvas. O que faríamos? Deus tranquilizou nosso coração e nos deu certeza de que, independentemente dos acontecimentos, sua Palavra continuaria fiel. Sabíamos que “quando o Senhor manda o rebanho caminhar, ele vai à frente”. A liderança de Deus era evidente até aqui. Quando casamos com nossos maridos, sabíamos claramente quem teria, de modo inquestionável, o primeiro lugar na vida de cada um deles – Deus e sua obra. Essa era a condição do verdadeiro discipulado, o que se tornava devastadoramente significativo agora.5

Reconciliação

Nossa filha Valerie tinha 10 meses quando Jim foi morto. Continuei trabalhando com os índios Quichua quando, através de uma providência notável, conheci duas mulheres Auca que viveram comigo por um ano. Elas foram a peça-chave para eu ir morar com a tribo que matou os cinco missionários.6 

Quase três anos se passaram desde aquela tarde de domingo. Estou sentada em uma cabana de sapê no rio Tiwanu, poucos quilômetros ao sudoeste de “Palm Beach”. Em outra casa de sapê, apenas três metros distantes, estão dois dos sete homens que mataram meu marido. Gikita, um deles, acabou de ajudar Valerie, de três anos e meio, a assar uma banana. Dois de seus filhos embrenharam-se na floresta, empunhando zarabatanas, habilmente construídas, em busca de carne para alimentar os quinze ou vinte Aucas reunidos nesta clareira. 

Como isso aconteceu? Somente o Deus que fez um machado flutuar, o Sol parar, em cujas mãos se encontra o fôlego de todas as coisas vivas – somente esse Deus, que é o nosso Deus para todo o sempre, poderia ter feito uma coisa dessas.7

Depois de viver por 2 anos com a tribo Auca, Elisabeth retoma seu trabalho com a tribo Quichua e permanece com eles até 1963, quando ela e sua filha Valerie retornam aos Estados Unidos.

Com seu retorno aos Estados Unidos, iniciou sua vida de escritora e começou a falar publicamente sobre sua história. Em 1969, casou-se com Addison Leitch, um professor de Teologia no Seminário de Gordon-Conwell em Massachusetts, mas permaneceram casados por pouco tempo, pois ele veio a falecer em 1973.

No outono de 1974 ela tornou-se professora adjunta no mesmo seminário em que Addison lecionava, e por diversos anos lecionou em um curso chamado “Expressão Cristã”. Anos depois, em 1977, casou-se com Lars Gren.

Legado

Elisabeth, na década de 70, esteve no comitê de concepção da versão da Bíblia NVI – Nova Versão Internacional. Foi radialista, teve um programa semanal chamado “Gateway to Joy”, e por quase 13 anos ministrou palavras de sabedoria e encorajamento através das ondas do rádio.

Por 20 anos enviou newsletters por correio, publicadas 6 vezes ao ano, espalhando reflexões contemporâneas a época e pedidos de oração. Foi autora de 24 livros e viajou o mundo contando sua história, compartilhando seu conhecimento e experiência de relacionamento profundo com Deus.

Em seus últimos anos de vida, ela e o marido pararam de viajar, mas continuaram o contato com o público via seu site oficial: elisabethelliot.org. Até que no dia 15 de junho de 2015 veio a falecer, passando pelos portais do esplendor aos 88 anos de idade.

Como não se inspirar com uma mulher dessas? Quantas perdas e reconciliações? Quantas frustrações e possibilidades de recomeços? Quanto fruto gerado de sementes que se dispuseram a morrer voluntariamente?

Oro para que eu possa vir a ser, quem sabe 1/3 de quem Elisabeth foi. Oro para que mesmo em meio a dor e ao sofrimento, a frustração e a angústia eu possa frutificar como ela escolheu fazer.

Senhor, me ajude a não tornar-me amarga, gerando frutos que não provém de Sua Videira. (João 15.5)
Me ajude a compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade de Teu Amor.
(Efésios 3.18)
Me ajude a contentar-me em ser pequena, como um grão de mostarda, mas em Ti crescer para ser refúgio. (Marcos 4.31–32)
Me ajude a amar primeiramente a Ti, para que estando arraigada e alicerçada em Ti, por Ti e Contigo eu consiga amar meu próximo. (Efésios 3.17)
Amém.

 

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NOTAS:

1Trecho retirado do site oficial de Elisabeth Elliot e traduzido livremente: elisabethelliot.org/about.html.

2Trecho retirado do livro, Através dos Portais do Esplendor, escrito por Elisabeth Elliot, Capítulo 1 – Não ouso ficar em casa, p 18.

3Trecho retirado do livro, Através dos Portais do Esplendor, escrito por Elisabeth Elliot, Capítulo 9 – Setembro de 1955, p 125.

4Trecho retirado do livro, Através dos Portais do Esplendor, escrito por Elisabeth Elliot, Capítulo 15 – Por que os homens foram?, p 205.

5Trecho retirado do livro, Através dos Portais do Esplendor, escrito por Elisabeth Elliot, Capítulo 15 – Por que os homens foram?, p 204.

6Trecho retirado do site oficial de Elisabeth Elliot e traduzido livremente: elisabethelliot.org/about.html.

7Trecho retirado do livro, Através dos Portais do Esplendor, escrito por Elisabeth Elliot, Epílogo – Novembro de 1958, p 295.

 

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A Série Mulheres Inspiradoras tem como objetivo celebrar a história de mulheres cristãs que imprimiram sua marca no mundo através da arte, música, literatura, justiça social, teologia, ciências e/ou outras esferas que compreendem o nosso bem viver. Para nos inspirar e impulsionar a deixarmos também o nosso legado no mundo, devolvendo ao Criador o que Ele nos confiou.


Sou Carolina Selles apaixonada por cores, histórias e sabores. Sou designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Mulheres Inspiradoras: Noêmia Falcão Campêlo – Mai/2018

Foi a primeira missionária entre os indígenas brasileiros.

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Noêmia Stella Falcão Campêlo nasceu em uma família cristã, em 10 de maio de 1906, em Recife, Pernambuco. Desde pequena, recebeu estímulo para os estudos, mas infelizmente não os concluiu, por recomendação médica, devido à sua fragilidade física.

Aos 15 anos fez sua pública profissão de fé e batismo. Aos 19 conheceu Zacarias Campêlo que foi pregar em sua igreja quando ainda era seminarista. Ambos foram marcados por uma saúde frágil, porém compartilharam de um coração devoto a Deus e um genuíno desejo em anunciar o Evangelho a povos não alcançados, mais especificamente, aos índios crâos.

A palavra kraô é composta de icrá (filho) e hô (folha), ou seja, filho das folhas ou das selvas. Crêem que foram feitos das folhas pelo deus Put (Sol). Daí a razão por que adoram o Sol, e não há força humana que os afaste da prática desse culto. 1

Os pais de Noêmia, a princípio, não ficaram muito confortáveis com essa ideia que foi anunciada quando eles noivaram:

– Minha filha – dizia-lhe o pai. Aqui também se pode pregar o evangelho. Aconselha o teu noivo a não ir para tão longe.

– Meu querido pai, se Zacharias não mais quisesse ir aos índios, eu perderia todo o interesse em unir a minha vida à sua.

– Mas, não sabes, Noêmia, que és a alegria de nossa velhice? Que há de ser de nós sem ti!

– Ah, papai, isto é o que me dói na alma, deixa-los assim. Mas a chamada de Deus é tão forte, que eu seria a criatura mais infeliz, se a ela não desse ouvidos.

– Pois que Deus te abençoe, minha filha, em tua resolução.

E grossas lágrimas corriam pelas faces do amoroso pai, as quais eram logo enxutas por Noêmia que, encostando o seu rosto ao dele, e com os braços ao redor do seu pescoço, chorava também e dizia-lhe:

– O mesmo Deus que me protege, há de protege-los também, queridos pais.2

1926 foi o ano que toda a jornada do casal começou:

  • Eles foram nomeados missionários pela Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira.
  • Casaram-se dia 8 de maio.
  • Dias depois do casamento Zacarias foi consagrado ao ministério pastoral.
  • Partiram para o campo missionário quase no final do mesmo mês, dia 21 de maio.

A forte convicção do casal em sua vocação missionária é inspiradora. Não houve saúde, distância ou, qualquer outra coisa, que os impediram de seguir aquilo que Deus havia colocado em seus corações. Tudo posso naquele que me fortalece (Fp 4.13) vem ao meu coração quando penso em sua história. E Deus seguiu fortalecendo Noêmia…

Ao que conta Rute Salviano Almeida, em seu livro Vozes Femininas no Início do Protestantismo Brasileiro3 o início de seu trabalho no campo não foi nada fácil! Afinal, o casal também estava aprendendo e se adaptando com toda a diferença e experiência transcultural.

Quem deu nome ao vilareijo, Craonópolis, foi Zacarias: “[o] missionário afirmou que os índios a pronunciavam como duas palavras, crâo e nópolis, e, quando se encontravam com os sertanejos diziam: Nossa aldêi tem nome boa, qui nosso indireitor botou. Por modéstia eles só davam a última parte. – É nópolis, chama nossa aldêi. Tem mais, mas num posso dizer, purque é nosso nome”.4

Quando as forças de Noêmia acabavam-se, sua saúde piorava5… E foi o que aconteceu durante suas gestações. Por estar enfraquecida, Noêmia foi para Carolina (MA), porque lá dispunha da ajuda da família de Zacarias. Em fevereiro de 1927, nasceu seu 1o filho, Saulo. Posterior a seu nascimento ela retornou à aldeia, dando continuidade a seu relacionamento com os índios crâos, principalmente com as mulheres.

Prestes a dar à luz a sua segunda filha, Noêmia partiu novamente para Carolina. Lá, no dia 1o de abril de 1928, nasceu Esmeralda, mas em decorrência de uma infecção puerperal, Noêmia infelizmente veio a falecer, aos 22 anos de idade.

Noêmia, durante doze dias, pertencera ao Clube dos Ex-Mortos ou dos redivivos. Teve síncope prolongada, e os presentes a tiveram por morta. Quando voltou à vida, contou que estivera no céu e que vira a Jesus. Uma coisa ficou provada: ela nunca mais chorou nem se queixou da ausência dos seus queridos, como ocorria antes. Pedia que se lhe mostrassem os filhos. Pediu à cunhada que ficasse com o menino, mandasse a menina à avó e deixasse livre o viuvinho. Tudo isso num espírito de bom humor, e de quem está de posse de algo mais importante. Dizia mesmo que suas lágrimas já se tinham esgotado. Sentia o gozo do céu, pelo que não mais se entristeceria. Foi o mais belo testemunho que já presenciei em toda a minha vida. Falar do invisível com segurança de quem já o provou. De quem já está na posse do futuro.6

Escreveu Zacarias Campêlo, esposo de Noêmia, em seu livro Minha vida e minha obra

Uma palavra que me veio à mente, ao pesquisar a vida de Noêmia, foi a palavra legado.

Mesmo que ela tenha falecido prematuramente, ficando tão pouco no campo missionário, com certeza deixou frutos que ainda colhemos e colheremos na Eternidade. Seja para com o povo que ela tanto amou, e dedicou seus últimos anos de vida, os índios crâos. Ou nós, cristãos brasileiros, que tivemos o caminho aberto à um campo fértil para a proclamação das boas-novas.

Mas, certamente, sua família pode se inspirar e beber diretamente da fonte, florescendo e frutificando através das gerações. Esmeralda Campêlo Vilela (sua filha) tornou-se pastora, fundou uma editora, uma comunidade evangélica e uma organização sem fins lucrativos. E para a minha surpresa, enquanto eu pesquisava, descobri que Guilherme de Carvalho, pastor, escritor, diretor do projeto Cristãos na Ciência e obreiro do L’Abri Brasil (ministério que eu tanto admiro e que ele toca junto com a Alessandra, sua esposa) é neto de Esmeralda, sendo bisneto de Noêmia. Pois é… acho que não poderia vir à minha mente palavra melhor. O legado de Noêmia continua reverberando através dos anos e de sua descendência. E que venham mais anos, mais histórias e mais inspirações! :)

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NOTAS:
1Trecho de O índio é assim, escrito por Zacarias Campêlo, p 17

2Trecho de A heroína de Craonópolis, escrito por Stela Câmara, p 48

3O livro Vozes Femininas no Início do Protestantismo Brasileiro – Escravidão, Império, Religião e Papel Feminino, de Rute Salviano Almeida é o livro precioso em que eu descobri Noêmia (todas as citações utilizadas aqui foram retiradas dele). Eu também descobri Henriqueta Rosa Fernandes Braga – que foi a nossa Mulher Inspiradora do Mês de Março. E para o semestre que vem, teremos mais mulheres garimpadas do livro! Obrigada, Rute, pelo incrível trabalho em dar voz a tantas mulheres caminhando por nossa história <3

4 Trecho de Vozes Femininas no Início do Protestantismo Brasileiro, escrito por Rute Salviano Almeida, p 395

5 Trecho de Vozes Femininas no Início do Protestantismo Brasileiro, escrito por Rute Salviano Almeida, p 396

6Trecho de Minha vida e minha obra, escrito por Zacarias Campêlo, p 165

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Sou Carolina Selles apaixonada por cores, histórias e sabores. Sou designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.