Mulheres Inspiradoras: Ethel Waters – Out/2018

Foi uma importante cantora de blues, jazz e atriz nos Estados Unidos. Foi também uma cantora ativa durante as cruzadas de Billy Graham.

Baixe o wallpaper do mêsDesktop1366px X 768px ou 1680px X 1050px
Tabletbaixar aqui  Celularbaixar aqui

Ethel Waters nasceu dia 31 de outubro de 18961, em Chester, cidade localizada na Pensilvânia, Estados Unidos. Sua mãe, Louise Anderson, a teve com apenas 13 anos2 de idade, pois engravidou de Ethel sendo vítima de um estupro3. Sim, você leu certo: sua mãe foi vítima de um estupro e engravidou de Ethel neste contexto.

Após seu nascimento, sua mãe casou-se com Norman Howard, um trabalhador da estrada de ferro e Ethel usou seu sobrenome quando criança, mas já adulta adotou o nome de seu pai biológico.

Eu nunca fui uma criança

Ethel sempre se referiu a sua avó, Sarah, que morreu em 1914, como “Sally”. Durante a maior parte de sua infância, Ethel foi criada por Sally na Filadélfia: “Minha avó, sempre que podia, cuidava de mim porque minha mãe casou-se com o pai da minha irmã e minha avó, Sally Anderson, agarrou-se a mim. Ela trabalhou duro a vida toda. Ela trabalhava no serviço e tinha três meninas e um menino, e eles eram todos jovens e selvagens, e não havia ninguém para cuidar deles”.3

Ethel nasceu em um contexto de extrema pobreza e vulnerabilidade. Em sua autobiografia His Eye Is On The Sparrow: An Autobiography revela que raramente era mostrada a ela amor e afeição. Foi criada em um ambiente vicioso, e se descreve como uma verdadeira criança sem saída e líder de gangue. Para ganhar dinheiro quando criança, ela levava recados para cafetões e prostitutas – muitos dos pedidos eram para drogas. Ela também ganhou um dinheiro extra para vigiar a polícia.4

Seu pai, John Waters, nasceu em 1878, o que sugere que ele tinha mais ou menos a mesma idade que sua mãe, Louise, quando Ethel foi concebida. Ethel descreve-o como um playboy que trabalhou como pianista e foi assassinado (envenenado) em 1901 por uma amante ciumenta. Mas, uma de suas filhas deu uma versão diferente, para Deborah Montgomerie: “Ela diz que John foi assassinado, mas foi um erro trágico. John tocava piano em uma festa, em um bar ou clube, e alguém colocou uma bebida que continha veneno no piano para outra pessoa, mas John bebeu e morreu”.5

Aos 13 anos de idade, Ethel se casou com um homem abusivo e se divorciou dele no ano seguinte. Em seguida começou a trabalhar como camareira e a cantar em corais de igrejas e show de talentos, ganhando seu primeiro prêmio aos 15 anos de idade. Ela foi descoberta por dois produtores, em 1917, em um destes concursos. Passado dois anos, ela se tornou uma das primeiras cantoras afro-americanas a gravar no selo Black Swan Records. As gravações foram bem-sucedidas o que aumentou sua popularidade e fama.

Waters cantava em um estilo que a diferenciava de outros mestres do blues, como Bessie Smith e Ma Rainey. Sua abordagem era mais suave, sofisticada e lírica e, quando aplicava uma variedade de gêneros, do blues de Tin Pan Alley, envolvia um amplo espectro de públicos e aumentava sua popularidade. Ela antecipou certas técnicas de jazz, como “scat singing”, que se tornaria associada a mestres como Louis Armstrong e Ella Fitzgerald, e ela também influenciou cantoras como Billie Holiday, Sarah Vaughan e Sophie Tucker. Ela nunca aprendeu a ler uma partitura, mas lembrava-se de uma música depois de uma ou duas audiências; e sempre trouxe uma nova abordagem para cada performance.6

Até a década de 1930, Ethel gravou mais de 50 canções de sucesso e foi acompanhada por instrumentistas de jazz como Fletcher Henderson, Benny Carter e Coleman Hawkins. Gravando também com Jack Teagarden, Benny Goodman e Tommy Dorsey.

Essa mesma habilidade interpretativa permitiu que Waters mudasse de carreira, da música para o teatro musical. Apareceu em diversos musicais durante a década de 1920 e na década seguinte, principalmente no gênero ‘black music’. Waters tinha mais originalidade do que as características estereotipadas de canto e dança permitidos na época. E ela usaria sua fama e popularidade (tendo se tornado uma das artistas mais bem pagas nos EUA) para romper as restrições da forma musical e as presunções sobre os artistas afro-americanos.7

Em 1929, Ethel ganhava US $ 1.250 dólares por semana cantando e atuando no filme ‘On With the Show!’, da Warner Bros. Este sucesso de bilheteria foi filmado em cores e foi um dos primeiros ‘filmes falados’ – arrecadando US $ 2 milhões ao redor do mundo.8 Mais tarde, Ethel se tornou a segunda mulher negra indicada ao Oscar e a primeira atriz negra indicada ao Emmy.

Sua vida pessoal foi um grande emaranhado de relacionamentos. Foi casada por 3 vezes e se divorciou dos 3 casamentos. E sua falta de saúde trouxe a ela a aposentadoria profissional na década de 1960.

Em 1955, Ethel estava completamente endividada com impostos atrasados ​​e aproveitando somente dos royalties de seu trabalho. E um ponto de virada aconteceu quando ela participou de uma das cruzadas de Billy Graham, no Madison Square Garden, em Nova York, em 1957. Anos depois, ela deu este testemunho sobre aquela noite:

Em 1957, eu, Ethel Waters, era uma velha senhora decrépita de 380 libras e dediquei minha vida a Jesus Cristo. Eu te digo porque Ele vive; e porque meu precioso filho, Billy, me deu a oportunidade de ficar ali, posso agradecer a Deus pela chance de dizer a você que o olho dEle está em todos nós pardais* (referência ao nome da canção cantada por ela durante as cruzadas: His Eye Is On The Sparrow).9

Ela continuou em turnê com o evangelista Billy Graham até 1975 e veio a falecer na Califórnia em 1977, aos 81 anos de idade.

Quando eu estava na busca pelas mulheres para o calendário deste ano, 2018, o mês de outubro foi o último a ser preenchido. Foi difícil encontrar uma mulher nascida este mês – segundo o critério de nascimento que eu mesma havia colocado. Mas eu orava para que Deus me ajudasse a encontrar uma mulher para ser lembrada e homenageada por este projeto. E ao me deparar com a história de Ethel, não tive dúvidas: o calendário só estava me aguardando encontra-la.

Nestes dias escuros e tão complexos, no qual tentamos discutir e ‘estabelecer’ quando é que se inicia uma vida humana e qual delas ‘vale mais’, ao me deparar com a vida de Ethel me senti profundamente sensibilizada. Sua mãe foi uma vítima e uma sobrevivente dando à luz a uma menina em um contexto completamente vulnerável e aparentemente sem esperança. E conhecer sua história aumentou minha fé. Por mais que eu me esforce eu nunca saberei o quão difícil e dolorido foi para ela e sua mãe, assim como para tantas outras pessoas que nascem sob esta cruel, sofrida e estigmatizada circunstância. Mas de uma coisa eu tenho certeza: Todos nós somos desejados e amados por Deus de um jeito maravilhosamente e assombrosamente inexplicável.

Tu criaste o íntimo do meu ser
e me teceste no ventre de minha mãe.
Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável.
Tuas obras são maravilhosas!
Digo isso com convicção.
Meus ossos não estavam escondidos de ti
quando em secreto fui formado
e entretecido como nas profundezas da terra.
Os teus olhos viram o meu embrião;
todos os dias determinados para mim
foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir.
Como são preciosos para mim os teus pensamentos, ó Deus!
Como é grande a soma deles!

Salmo 139:13–17 [Versão NVI]

 

_____
NOTAS:
1Algumas fontes declaram que seu nascimento tenha sido em 1900, e não em 1896.

2Algumas fontes declaram que sua mãe seria um pouco mais velha do que 13 anos.

3Trecho retirado do livro Ethel Waters: Stormy Weather, escrito por Stephen Bourne, Capítulo 1 – I never was a child, p 2 – tradução livre

4Trecho retirado do livro Ethel Waters: Stormy Weather, escrito por Stephen Bourne, Capítulo 1 – I never was a child, p 3 – tradução livre

5Trecho retirado do livro Ethel Waters: Stormy Weather, escrito por Stephen Bourne, Capítulo 1 – I never was a child, p 2 – tradução livre

6Trecho retirado do site Black History Now – Black History Biographies from the Black Heritage Commemorative Society. Disponível em: <http://blackhistorynow.com/ethel-waters>. Acessado em 27/09/2018 – tradução livre.

7Trecho retirado do site Black History Now – Black History Biographies from the Black Heritage Commemorative Society. Disponível em: <http://blackhistorynow.com/ethel-waters>. Acessado em 27/09/2018 – tradução livre.

8Trecho retirado do site Christian Index – Ethel Waters: The Sparrow that Soared, escrito por Ron F. Hale. Disponível em: <https://christianindex.org/ethel-waters-sparrow-soared/#>. Acessado em 27/09/2018 – tradução livre.

9Trecho retirado do site Christian Index – Ethel Waters: The Sparrow that Soared, escrito por Ron F. Hale. Disponível em: <https://christianindex.org/ethel-waters-sparrow-soared/#>. Acessado em 27/09/2018 – tradução livre.

 

__________
A Série Mulheres Inspiradoras tem como objetivo celebrar a história de mulheres cristãs que imprimiram sua marca no mundo através da arte, música, literatura, justiça social, teologia, ciências e/ou outras esferas que compreendem o nosso bem viver. Para nos inspirar e impulsionar a deixarmos também o nosso legado no mundo, devolvendo ao Criador o que Ele nos confiou.


Sou Carolina Selles apaixonada por cores, histórias e sabores. Sou designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Mulheres Inspiradoras: Henriqueta Rosa Fernandes Braga – Mar/2018

Formada em piano, composição e regência pelo Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, Henriqueta obteve os títulos de professora, maestrina e doutora em música, tendo sido a primeira pessoa a receber um diploma universitário de Música conferido no Brasil. 1

Baixe o wallpaper do mêsDesktop1366px X 768px ou 1680px X 1050px
Tabletbaixar aqui  Celularbaixar aqui

Nascida em 12 de março de 1909, na cidade do Rio de Janeiro, Henriqueta Rosa de Fernandes Braga é uma daquelas mulheres que eu gostaria de ter conhecido pessoalmente. Como será que suas ideias floresciam? Como conseguia dar conta de tanta criatividade que pulsava dentro de si? Obviamente a música foi a maneira como Deus concedeu a ela vasão para essa criatividade contagiante, mas fico pensando que além de seu legado musical sua vida deve ter sido repleta de nuances e, usando de licença poética, fico imaginando como sua vida deve ter sido usada por Deus de maneira ímpar nas sutilezas da existência, nas conversas de corredor, nas orações partilhadas ou na mesa compartilhada.

Sua família era extremamente ativa na Igreja Evangélica Fluminense – igreja que foi fundada pelo médico missionário Robert Reid Kalley e sua esposa musicista missionária Sarah Poulton Kalley sendo a primeira congregação protestante no Brasil a cultuar os cultos em português.

A música no lar exerceu uma grande influência em sua vida. Era muito comum sentar, com os seus irmãos, ao redor do piano para ouvir a mãe tocar as Sonatas de Mozart, ou mesmo escutar as gravações (inclusive de música sacra) que constituíam, desde cedo, a organizada e escolhida discoteca da família. Seus pais, cultos e estudiosos, acompanhavam sempre, com desvelo, os seus estudos, capacitando-os para uma melhor técnica de aprendizagem e desenvolvimento. À noite, em seu lar, podia-se ver, curvados sobre os livros, pai, mãe e filhos, num admirável exemplo de diligência intelectual. Talvez, mais importante que tudo, fosse o culto doméstico que coroava o dia de trabalho e no qual eram apresentados ao Pai Celeste os agradecimentos pelos benefícios recebidos, e expostas as dificuldades, implorando a sua constante direção para a vida de cada um. E, em paz e tranquilidade, despedia-se a família para o repouso noturno. 2Henriqueta ficou conhecida por seu pioneirismo. Foi precursora na participação musical de programas de rádios evangélicos, na gravação de hinos sacros, na pesquisa da música sacra no Brasil, dentre tantas outras atividades.

Aposentou-se em 1979, mas continuou ativa fazendo palestras e pesquisas sobre música. Faleceu em 21 de junho de 1983, aos 74 anos e deixou 4 obras por acabar: Corais de J. S. Bach, Cancioneiro folclórico infantil brasileiro, História da música e Manual para Salmos e Hinos.

Hoje, comemoramos o Dia Internacional da Mulher e poder escrever sobre mulheres tão inspiradoras me traz renovo, ânimo mas sobretudo alegria. Como houveram mulheres fantásticas! Muitas sequer foram mencionadas nos livros de história.

Porém, reconhecer que há mulheres contemporâneas a mim e a você igualmente inspiradoras é tão fantástico quanto! Que dedicam a vida ao outro – escolhendo a melhor parte. Que se inclinam a Deus com reverência e certas que serão ouvidas e atendidas, não por serem quem são, mas por crerem em um Deus misericordioso e amoroso. Mulheres que levantam de madrugada para trabalhar e que atravessam a cidade para cuidar de um lar que não é o seu, mas o tratam como assim o fossem. Mulheres que são amigas, confidentes leais e que cedem seu ombro para que choremos nossas dores. Mulheres que são mães de primeira viagem e que aprendem as dores e as alegrias que a maternidade traz. Mulheres que são excelentes profissionais e ofertam o melhor de si em prol de um mundo melhor. Mulheres que transitam em nossas vidas com fluidez e leveza e que nos ensinam a enxergar o melhor de nós e a extrair o melhor do outro.

Mulheres mães. Mulheres filhas. Mulheres esposas. Mulheres irmãs. Mulheres amigas. Mulheres sobrinhas. Mulheres cunhadas. Mulheres tias. Mulheres primas. Mulheres… A todas vocês o nosso:

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

_____
NOTAS:
1Trecho retirado do livro Vozes Femininas no Início do Protestantismo Brasileiro – Escravidão, Império, Religião e Papel Feminino de Rute Salviano Almeida, página 435

2Trecho retirado do site Hinologia e que se encontra neste link: http://www.hinologia.org/henriqueta-rosa-fernandes-braga/

 

__________
A Série Mulheres Inspiradoras tem como objetivo celebrar a história de mulheres cristãs que imprimiram sua marca no mundo através da arte, música, literatura, justiça social, teologia, ciências e/ou outras esferas que compreendem o nosso bem viver. Para nos inspirar e impulsionar a deixarmos também o nosso legado no mundo, devolvendo ao Criador o que Ele nos confiou.

 


Sou Carolina Selles apaixonada por cores, histórias e sabores. Sou designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Anteontem, ontem, hoje e um dia – uma declaração sobre música e reencontro

Anteontem

Recebi da minha irmã o link para uma versão acústica da música Stay On These Roads, dos noruegueses do A-ha, quem se lembra deles? Conheço essa música desde que foi lançada, no auge dos meus 7 anos, mas eu nunca tinha realmente prestado atenção na letra dela e anteontem eu prestei. E chorei. Aquela música que tanto ouvi, de repente, assumiu um significado totalmente novo para mim. No meio de uma letra toda enigmática, o eu lírico – se é que posso falar assim quando se trata de música – se dirige para a pessoa que ele ama e diz para ela permanecer naqueles mesmos caminhos, porque assim, um dia, ele e ela se encontrariam de novo. O que me tocou tanto nessa ideia foi justamente o que ela tem a ver com o Cristianismo: a esperança do reencontro com quem amamos. E se esses a quem amamos seguem pela mesma estrada que você – Jesus, o nosso Norte – então o reencontro é garantido.

 Ontem

Era a “hora silenciosa da tarde” (Clarice), quando ouvi mensagem chegando pelo Whatsapp: minha mãe avisava que minha tia tinha acabado de morrer. Essa tia morou a vida inteira no interior do Paraná, por isso pouco contato eu tive com ela. Porém, as poucas vezes que convivemos, ela me marcou com o seu amor. Foi uma das pessoas mais lindas, amorosas e queridas que já cruzaram o meu caminho, e eu me lembro de suas cartinhas e de nossas conversas ao telefone, em que eu ouvia ela me chamando carinhosamente de “Lulu”, com todo o seu jeitinho gaúcho e engraçadinho de se expressar. Dois meses atrás, mandei uma carta para ela, pelo correio mesmo. Fiquei sabendo agora que ela escreveu um cartão de resposta para mim antes de fazer a cirurgia de retirada do câncer. Meu primo, filho dela, já me disse que logo, logo, vai enviar esse cartão para mim. Aguardo, ansiosa, por essa lembrança.

Hoje

Este, na verdade, é um texto que não tem a pretensão de ser um texto. Porque o que sinto com a música, misturada com a morte da minha tia, não é traduzível em palavras. Perdoem-me. Só o que consigo agora é imaginar – no sentido de fantasiar mesmo – a minha tia cantando a música do A-ha para mim lá do Céu:

Stay on these roads
We shall meet, I know

Stay on, my love
We will meet, I know, I know

(Permaneça nesses caminhos
Nós iremos nos encontrar, eu sei
Permaneça, meu amor
Nós iremos nos encontrar, eu sei, eu sei)

Eu irei permanecer nesses caminhos, tia. E nós iremos nos reencontrar um dia. Eu também sei.


 

 


Luciana Mendes Kim trabalha como educadora, é amante da literatura, sonha um dia escrever livros e aprender a tocar acordeão. É também uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Minha casa é simples, mas é minha toda vida – Baleia

SP_wpmaio16_1024x768

Baixe o wallpaper desse mês!
Escolha sua resolução e saia cantarolando a música Casa, da banda Baleia que inspirou nossa arte:
{1024px X 768px}   {1366px X 768px}   {1680px X 1050px}

Casa
Baleia

Minha casa é simples,
mas é forte todavia.
Chove todo dia
uma calma solidão.

Vento que arranca
dos varais uma lembrança
tudo que me alcança
Era sonho, agora, não.

Da janela, vejo
luzes da cidade, o peso,
todo o desejo
de um lugar nesse clarão.

Como eles correm
tão certinhos quanto à sorte;
rima com a morte.
Mando um grito, mando um sinal.

Ninguém nunca vê a minha casa.
Ninguém nunca entra.

Minha casa é simples,
mas é minha toda vida.
Chove todo dia – uma brava solidez.

Onda que me lança,
nunca quebra, só avança,
faz da dor bonança.
Soa o sino – agora, sim.

Sei que já é tarde.
Hoje desço pra cidade – algo que se parte.
Dou à sorte o meu amor.

Em cima de um morro nem tão alto, nem tão baixo.
Será que eu encaixo?
Era sonho.
Agora, não.


Carolina Selles é apaixonada por cores, histórias e sabores, é designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Se eu quiser falar com Deus – Gilberto Gil

Sabe quando uma música fala muito com (e por) você que se transforma na sua oração?!

Então… essa música do Gilberto Gil Se eu quiser falar com Deus, me fisgou de uma forma inexplicável ontem à noite, que hoje pela manhã, inspirada por tão belos versos, fiz esse rabisco colorido :)

PS: E aproveitando a inspiração, mensalmente, iremos disponibilizar papéis de parede do Santa Paciência! Assim, aproveitamos o rabisco acima para ilustrar o mês de abril – e você pode baixá-lo aqui ou clicando na imagem abaixo.

 


Carolina Selles é apaixonada por cores, histórias e sabores, é designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.