Mulheres Inspiradoras: Katherine Coleman Goble Johnson – Ago/2018

Katherine teve um desempenho escolar acima da média. Concluiu o Ensino Médio antes da idade prevista e finalizou o Bacharelado em Matemática e Francês aos 18 anos. Foi uma das primeiras mulheres negras a se matricular em Matemática nos Estados Unidos. Aos 35 anos começou a trabalhar na NASA e contribui para missões espaciais históricas, como levar o primeiro norte americano à Lua!


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Katherine Coleman Goble Johnson nasceu em 26 de agosto de 1918, em White Sulphur Springs, West Virginia, Estados Unidos. Seu pai, Joshua, era fazendeiro e sua mãe, Joyllete, era professora. Ao todo, o casal teve 5 filhos, sendo Katherine a filha mais nova.

Desde muito cedo, Katherine tinha aptidão para a matemática e adorava cálculos:

Eu contava tudo. Contava os passos na rua, os passos até a igreja, o número de pratos e talheres que eu tinha lavado… qualquer coisa que pudesse ser contada1

Mesmo sem idade para frequentar a escola, tramou um jeito de começar a seguir seu irmão, quando ele ia para a escola. Um dia, ao se deparar com seu professor, foi convidada para assistir a aula. Impressionado ele permitiu que Katherine frequentasse as aulas naquele verão, pois ela já sabia ler e escrever.

Foi matriculada oficialmente com quase 6 anos de idade, porém foi colocada diretamente no 2o ano por seu desenvolvimento além do previsto para a sua faixa etária. Um pouco mais tarde, prestes a entrar na 5a série, avançou novamente mais um ano.

Aos 10 anos de idade ela já estava apta a iniciar o ensino médio, mas infelizmente a única escola de sua cidade, que permitia negros estudarem, não possuía o ensino médio disponível. Com isto, sua família precisou se mudar para Kanawha, para que Katherine e seus irmãos continuassem estudando.

Katherine se formou aos 14 anos no ensino médio e aos 15 anos iniciou seus estudos na universidade (naquela época, ela tinha sido uma das primeiras pessoas negras a se matricular em um curso de matemática nos Estados Unidos). Enquanto estava na universidade, diversos professores e tutores a guiaram e acompanharam suas escolhas com matérias, contribuindo para o direcionamento de seu curso. Aos 18 anos conseguiu concluir seu Bacharelado em Francês e Matemática na Universidade West Virginia State.

Depois de formada, seu primeiro trabalho foi em uma escola primária rural ensinando francês e matemática. Katherine acabou deixando o trabalho em 1939 para se casar com James Francis Noble. Em 1940, a Universidade West Virginia State a convidou para se matricular em uma pós-graduação em Matemática, o que faria dela uma das primeiras pessoas negras a cursarem um curso de pós-graduação em matemática nos Estados Unidos, porém seu esposo James ficou doente e ela foi forçada a abandonar os estudos para sustentar sua família.

Em 1952, Katherine descobriu que o Centro de Pesquisas de Langley – NACA2 estava recrutando mulheres negras com aptidão em matemática. E um ano depois ela estava empregada no centro de pesquisas, inicialmente em um grupo apenas com mulheres.

Duas semanas depois, ela foi convidada a se juntar a um grupo de engenheiros de vôo – no qual, todos eram somente do sexo masculino – para uma vaga temporária como assistente de dados. Seu grande conhecimento em geometria analítica a fez conquistar a vaga por definitivo. Obviamente que, além do forte machismo em meio a um ambiente dominado por homens, Katherine precisou também enfrentar, com grande coragem, um racismo vergonhoso.

Em 1956, seu esposo James faleceu, devido a um tumor inoperável no cérebro, e juntos eles tiveram 3 filhas; Constance, Joylette e Katherine.

Em 1959, o programa espacial avançou muito! Os Estados Unidos e a Rússia competiam entre si para marcarem história, levando o primeiro homem à Lua. Nesta época, a contribuição de Katherine esteve relacionada aos cálculos das trajetórias para um tempo preciso dos lançamentos espaciais. Neste mesmo ano, Katherine se casou com o tenente-coronel James A. Johnson.

Katherine realizou cálculos referentes ao tempo do lançamento da missão Mercury de Alan Shepard, em 1961 – primeiro norte americano no espaço. Fez cálculos altamente complexos para impulsionar as cápsulas espaciais em órbita ao redor da Lua. Traçou as cartas de navegação, guiando navios pelas estrelas em caso de falha eletrônica e, em 1962, verificou os primeiros cálculos computacionais da órbita de John Glenn ao redor da Terra. Ela também participou da autoria do primeiro livro didático sobre o espaço, após completar o trabalho em dinâmica de vôo em um programa secreto.

Em 1969, ela calculou a trajetória do vôo Apollo 11 até à Lua e seu trabalho posterior incluiu o programa Space Shuttle e planos para uma missão à Marte.

Eu encontrei o que eu estava procurando em Langley. Isso era o que uma matemática de pesquisa fazia. Eu fui trabalhar todos os dias, por 33 anos, feliz. Nunca me levantei e disse: “Eu não quero ir trabalhar”.3

Até 2008 ela ainda estava lecionando matemática para jovens. Em novembro de 2015, o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, incluiu Katherine na lista dos 17 americanos a receberem a Medalha Presidencial da Liberdade e seu nome foi citado como exemplo pioneiro de mulheres negras na ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Em 2016, a nova Instalação Katherine G. Johnson de Pesquisa em Computação foi formalmente dedicada pela agência no Centro Langley de Pesquisa, em Hampton, Virginia, no aniversário de 55 anos do vôo histórico de Alan Shepard em seu foguete, que Katherine contribuiu para que fosse possível.

Katherine foi membro da Igreja Presbiteriana Memorial Carver, em Newport News, por mais de cinquenta anos. Além de cantar no coral e servir em diversos cargos de liderança, contribuiu também com a organização e prestação de contas das finanças da igreja. Também foi membro da Alpha Kappa Alpha Sorority (organização criada em 1908 para promover a equidade dos negros através dos estudos, sobretudo das mulheres negras nos Estados Unidos).

RESUMO DE SEUS TRABALHOS

  • 1936 – 1952 – Professora rural na Virgínia e em West Virginia, nos ensinos infantil e médio
  • 1952 – 1953 – Professora substituta de matemática em escolas públicas em Newport News, Virgínia
  • 1953 – 1986 – NASA, Centro Langley de Pesquisa, em Hampton, Virginia
  • 1953 – 1958 – Matemática Centro Langley de Pesquisa, em Hampton, Virginia, com a NACA
  • 1958 – 1986 – Técnica aeroespacial, NASA

EDUCAÇÃO

  • 1932 – West Virginia State High School, ensino médio
  • 1937 – West Virginia University, graduação em Matemática e Francês
  • 1940 – West Virginia University, graduação no programa de Matemática

PRÊMIOS E HONRARIAS

  • 2015 – Medalha Presidencial da Liberdade
  • 2010 – Doutorado honorário em ciência pela Old Dominion University, Norfolk, Virginia
  • 2006 – Doutorado honorário em ciência pelo Capitol College, Laurel, Maryland
  • 1999 – West Virginia State College – aluno excelente do ano
  • 1998 – Doutorado honorário em direito do SUNY Farmingdale
  • 1986 – NASA – Centro Langley de Pesquisa – Special Achievement award
  • 1985 – NASA – Centro Langley de Pesquisa – Special Achievement award
  • 1984 – NASA – Centro Langley de Pesquisa – Special Achievement award
  • 1980 – NASA – Centro Langley de Pesquisa – Special Achievement award
  • 1971 – NASA – Centro Langley de Pesquisa – Center Special Achievement award
  • 1967 – Prêmio do Grupo Apollo, que inclui as 300 bandeiras que voaram junto da Apollo 11
  • 1967 – NASA – Prêmio em Equipe do Lunar Orbiter Spacecraft and Operations – por trabalho pioneiro na resolução de problemas de navegação de cinco espaçonaves que circundaram e mapearam a Lua na preparação para o Programa Apollo

Conheci Katherine através do filme Estrelas Além do Tempo (título original, em inglês, Hidden Figures), juntamente com as outras duas mulheres incríveis, que lutaram bravamente e intelectualmente para vencerem e transpor as diversas barreiras de preconceitos. Eu realmente acredito que trazer à tona história de mulheres reais que fizeram diferença no mundo tem grande poder! Saber que existiram, e existem, mulheres tão inspiradoras que mudaram o mundo, nos inspira também a mudar o mundo, nosso país, nossa cidade, nosso bairro, nossa casa.

Este ano Katherine completará 100 anos. Celebro e agradeço a Deus por sua vida e peço à Ele que ela tenha em seu coração a paz, que excede todo e qualquer entendimento e a satisfação por ter vivido uma boa, agradável e perfeita vida de acordo com os desígnios de Deus em Cristo Jesus.

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NOTAS:
1Frase traduzida livremente do site The Heroine Collective referente a sua biografia: Biography: Katherine Johnson, Space Scientist

2NACA – National Advisory Committee for Aeronautics. A NACA foi o comitê anterior a NASA – National Aeronautics and Space Administration

3Frase traduzida livremente do site The Heroine Collective referente a sua biografia: Biography: Katherine Johnson, Space Scientist

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A Série Mulheres Inspiradoras tem como objetivo celebrar a história de mulheres cristãs que imprimiram sua marca no mundo através da arte, música, literatura, justiça social, teologia, ciências e/ou outras esferas que compreendem o nosso bem viver. Para nos inspirar e impulsionar a deixarmos também o nosso legado no mundo, devolvendo ao Criador o que Ele nos confiou.


Sou Carolina Selles apaixonada por cores, histórias e sabores. Sou designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.

Mulheres Inspiradoras: Rosa Parks – Fev/2018

Nascida em 04 de fevereiro de 1913 no estado do Alabama, na cidade de Tuskgee. Rosa Louise McCauley, mais conhecida como Rosa Parks entrou para a história por se recusar a ceder seu lugar à um homem branco em um ônibus público. Foi presa e com sua atitude marcou o início da luta antissegregacionista nos Estados Unidos.

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Segundo o calendário da ONU, desde 2007, há um dia especial para a reflexão e fomento da justiça social. Todo dia 20 de fevereiro é comemorado o Dia Mundial da Justiça Social.

A adoção desta data em um calendário, ao meu ver, é de suma importância pois traz visibilidade a uma questão que está longe de ser erradicada. Sei da complexidade que esse termo traz, é amplo demais e envolve diversas esferas de uma sociedade. Mas quando penso nesse tema sob a ótica cristã – uma vez que não consigo desassociar Cristo como exemplo perfeito a ser seguido por mim em tudo o que faço e penso – na verdade me sinto é encorajada a lutar e buscar soluções para uma questão complexa como esta.

Mas me entenda, eu não estou falando que creio em uma redenção utópica através dos meus braços e serviços, pois sei que Cristo é o único que pode intervir efetivamente em toda a história, incluindo a minha e a sua, mas a Bíblia toda está recheada de versículos e histórias de pessoas comuns que clamaram, mas trabalharam para que o Reino de Deus pudesse começar a ser experimentado no hoje, no aqui e agora, mesmo que em doses aparentemente “homeopáticas”.

E é exatamente assim que eu vejo a vida de Rosa Parks. Uma mulher comum, que tinha a costura como profissão, mas resolveu não se calar enquanto sofria na pele o preconceito escancarado de brancos versus negros em seu país.

Ao anoitecer do dia 1 de dezembro de 1955, Parks entrou em um ônibus na avenida Cleveland, no centro da cidade de Montgomery. Ela pagou a passagem e se sentou na primeira fileira de assentos reservados para negros no veículo.

O motorista, James F. Blake, seguiu viagem em sua rota tradicional. O ônibus ia enchendo até que na terceira parada, em frente ao teatro Empire, vários passageiros entraram. Blake notou que umas duas ou três pessoas brancas estavam em pé. Para resolver o problema ele mudou o sinal de “colored” (“pessoa de cor”, termo usado nos Estados Unidos para se referir a afro-americanos) para atrás da fileira onde Parks estava. Ele exigiu que os passageiros negros sentados levantassem para que os brancos pudessem sentar. Enquanto os outros três negros levantaram, Rosa se recusou.

Anos depois, em uma entrevista, ela recordou: “meu corpo foi tomado por uma determinação, como uma colcha numa noite de frio”.  Parks se moveu, mas para o assento da janela. Blake, o motorista, perguntou para ela: “Por que você não se levanta?” Ela respondeu que “Eu não deveria ter que me levantar”. O homem chamou então a polícia e mandou prender Rosa Parks.

Quando o policial chegou ela perguntou “Por que vocês mexem com a gente assim?” Ele respondeu: “Eu não sei, mas lei é lei e você está presa”.  Parks foi acusada de violar o capítulo 6, seção 11 da lei de segregação do código da cidade de Montgomery, apesar dela tecnicamente não ter sentado em um assento reservado para brancos. Edgar Nixon, presidente da sede local do NAACP, e seu amigo Clifford Durr pagaram a fiança de Parks e ela deixou a cadeia no dia seguinte.1

Posterior a prisão de Parks alguns ativistas dos direitos civis convocaram e organizaram o boicote aos ônibus de Montgomery e a luta pelos direitos iguais foi ganhando mais força. Martin Luther King, Jr. mantinha contato com Rosa e estiveram juntos em diversas iniciativas e marchas pela igualdade.

A decisão que ela tomou, em se posicionar a favor da justiça social, custou muito caro a Rosa. Sua vida não foi nada fácil depois disso! Enfrentou dificuldades para conseguir emprego após o ocorrido e precisou se mudar algumas vezes, pois também sofria diversas ameaças de morte por parte de grupos extremistas que defendiam a supremacia branca.

Em 1992 publicou sua autobiografia, Rosa Parks: My Story (infelizmente sem publicação no Brasil)E em 2002 é despejada porque possuía dívidas que não podia honrar. Porém, obtém ajuda de uma igreja batista que, através de uma comoção nacional, contribuiu para que o banco concedesse a ela viver gratuitamente em sua casa.

Rosa Parks faleceu em casa, em Detroit, no dia 24 de outubro de 2005, de causas naturais aos 92 anos. Seu caixão foi velado com honras da Guarda Nacional do estado de Michigan. E autoridades e lideranças dos movimentos civis compareceram ao seu funeral.

Ser cristão é militar todos os dias contra a maldade, disse o deputado estadual e pastor Carlos Bezerra Jr no workshop Política e Direito – no final do ano passado em uma igreja no centro de São Paulo, do qual eu pude participar.

É isso! Somos militantes da causa de Deus que já foi vencida, mas ainda está em curso. E é concedida à nós – no agora – nossa co-participação com Ele na História e consequentemente em nossa própria história. Por isso, ser cristã(o) e militar todos os dias contra a maldade é privilégio para pessoas tão comuns como eu e você.

Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela
Jeremias 29.7

 

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NOTAS:
1Trecho retirado do Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Rosa_Parks

 

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A Série Mulheres Inspiradoras tem como objetivo celebrar a história de mulheres cristãs que imprimiram sua marca no mundo através da arte, música, literatura, justiça social, teologia, ciências e/ou outras esferas que compreendem o nosso bem viver. Para nos inspirar e impulsionar a deixarmos também o nosso legado no mundo, devolvendo ao Criador o que Ele nos confiou.

 


Sou Carolina Selles apaixonada por cores, histórias e sabores. Sou designer, graduada em Arte & Tecnologia e uma das idealizadoras do Santa Paciência.