Não quero falar por falar

E isso não significa guardar o que sinto em meus silêncios

Choi Mi Kyung: Ensee — http://www.ens2e.com

Quando a multidão de palavras tentar saltar da minha boca, quero abraçar a minha língua, fechar os olhos e enxergar os desejos que as empurram para fora do meu peito. Quero respirar fundo e salvá-las dos meus desentendimentos.

É que quando as deixamos controlar nossos disparates, machucamos. E não apenas aos outros, mas a nós mesmos, principalmente. São alguns segundos de meias palavras sem controle que podem trincar ou quebrar as vidraças dos relacionamentos.

No entanto, não são as palavras que devemos condenar, mas a nossa falta de bom senso, de autocontrole e de sabedoria.

É difícil não responder “à altura” quando nos desafiam violentamente, ignorando nossas necessidades e, pior ainda, nossos pedidos.

Por isso, é importante saber escolher, além dos melhores momentos, cada vírgula que iremos usar para expor o que sentimos e o que pensamos. Melhor ainda é externalizar, também, olhando nos olhos, transmitindo calor e verdade, além de respeito.

Quantas vezes deixamos a dor, a raiva e a ira controlar o que dissemos e, o mais importante, a forma como dissemos? Às vezes, as motivações não eram reais ou bem fundamentadas e depois nossas desculpas são seguidas por um “falei por falar”.

Não fiquemos escrevendo, por aí, nas redes sociais, mas falemos — ao vivo, presencialmente — ao ponto de escutarem até as nossas pausas (e isso serve também para as declarações de amor).

Será que somos capaz de entregar pessoalmente aquele textão?

Não destilemos ódio, insatisfações e frustrações à toa. Saibamos olhar para dentro, antes de colocar para fora, inclusive, o que ainda estamos construindo em nós.

 

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Texto publicado originalmente em Karol Coelhohttps://medium.com/@karolcoelho/não-quero-falar-por-falar-38103f72bb62

 


Karol Coelho ama as nuvens, adora descobrir músicas de dois acordes para tocar no seu violão velho, escreve poesias e tem um livro chamado “Estado Atmosférico”. É jornalista formada principalmente pelas histórias do Campo Limpo, zona sul de São Paulo, lugar que cresceu. É integrante da Agência Mural de Jornalismo das Periferias, parte da diretoria executiva da Escola de Notícias e trabalha na comunicação do Atados. Não perde a oportunidade de tirar sonecas!